terça-feira, 24 de novembro de 2009

Nós que há tanto esperamos

Nós que há tanto esperamos

Por Jhonatan Almada


A revista Carta Capital dessa semana, publicou matéria especial sobre o sucesso do Brasil no mundo, versão traduzida da que foi veiculada pela revista The Economist. A matéria destoa da tradicional visão exótica em relação ao país e aos brasileiros, tão característica das narrativas estrangeiras, desde o século XVI. Desenha um quadro denso, coerente, sério e rico sobre o Brasil.

Mas o grande destaque da matéria está no que foi expresso, mas não explicitado, algo compreensível considerando que olham de fora as complexidades de nossa terra. Sobretudo quando da passagem: “Muitos dos seus políticos não veem nada de errado em roubar dinheiro público ou nomear parentes para cargos nos seus feudos pessoais, e se recusam a renunciar quando descobertos” (p. 57).

O que possibilitou ao Brasil chegar nesse patamar elogiado pela matéria, não foi outra coisa que não a alternância do poder. Aos trancos e barrancos, com marchas e contramarchas, ditadores e democratas, efetivamente, ao longo do século XX, o poder político no Brasil mudou de mãos, ora de forma democrática, ora golpista, oxigenando os quadros dirigentes e as idéias dirigentes.

Vamos ao Maranhão. Apesar das inúmeras tentativas pela força das armas ou das idéias, em tempos democráticos ou autoritários, não conseguimos efetivar alternância consistente no poder político local. Nós que há tanto esperamos e lutamos, ficamos presos a opção pelos mesmos, quando muito pelos filhos dos mesmos. Isso há mais de 200 anos. Incrível, em qualquer outro lugar do mundo, já teríamos ido às armas, aqui a maioria se cala e se submete às certezas de quem está no poder.

A ausência de alternância é tão grave que basta olhar como contamina todas as instituições. Veja-se o quadro de desembargadores, de conselheiros dos tribunais, de dirigentes das federações e associações, das ordens profissionais. Poderão contar nos dedos os que estão fora do quadro desenhado. Em geral, mesmo nos setores progressistas, é impensável sair desse quadro, o que está fora dele é exótico ou visto com desconfiança, serve no máximo como lustre da moldura, nunca integrando a composição, posto que estragaria a harmonia, julgam pela idade e pelo nome.

Nenhuma emancipação é possível sob o jugo de senhores e famílias, daí as revoluções e a busca infinita, incansável e alguns dirão, vã, pela mudança, que nos caracteriza nos últimos séculos.

A primeira alternância de poder experimentada no Maranhão, com a ruptura do ex-governador José Reinaldo e os 2 anos e 3 meses do governo Jackson Lago, resultou em melhoria de grande parte dos indicadores sociais e pujante crescimento econômico, consultem a PNAD e o PIB, no site do IBGE.

Todo o trabalho desenvolvido, sobretudo no planejamento público, visava desconstruir em concretude e realidade a imagem que apareceu estampada no jornal O Estado do Maranhão-EMA, de 22 de novembro de 2009, a página 5, do Caderno Cidades – o secretário de planejamento e os técnicos ao redor de uma mesa planejando o Estado. Voltamos ao tempo da cubata, como lembrou o ministro Edson Vidigal.

A gestão da Seplan, liderada por Aziz Santos, deixou e executava o Planejamento Estratégico interno, o Programa de Capacitação e Aperfeiçoamento dos servidores e Redesenho dos Processos de Gestão, tudo, construído pelos próprios funcionários, longe dos pré-moldados das grandes consultorias.

Da construção coletiva, que buscava ouvir os anseios da sociedade, de toda a população, e transformá-los em programas, projetos e ações factíveis e consistentes, voltamos à ditadura dos iluminados, das grandes consultorias privadas, das ilusões vestidas em documentos vistosos e caros, quando existem – que não cantam nada de sua terra e de sua gente, mas lustram a vaidade e a ambição dos mesmos, dos filhos dos mesmos.

Muitos analistas locais, dizem: em 2010 não tem para ninguém; que a família de volta ao poder é muito competente e sabe divulgar o que não fez, tão bem que parece já feito; que é impossível vencer sem a máquina na mão e com programas como Viva Luz e Viva Água; que sem o apoio do Lula ninguém leva essa; e tantos, tantas análises incisivas e concludentes.

Se o maranhense é capaz de vender sua dignidade pelo pagamento de sua conta de luz e de água, então, estamos mal e fizemos muito pouco para incluir mais gente nesse estado; mas, se o maranhense gostou de singrar por outras águas, sentiu o vento que só sopra aos livres, percebeu e sentiu algo de diferente ao escolher novos dirigentes, verdadeiramente novos, sem os adornos ou a proteção de figuras paternas, temos complexidades que as análises não dão conta.

Não podemos olhar o céu rosado e acreditar que não virá chuva, mas estarmos sempre preparados; nunca parados, mas andantes, caminhantes e apressados, já esperamos muito, muito tempo. Talvez nossa pressa não seja correspondida, compreendida ou mesmo acompanhada, nos cumpre seguir.

sábado, 14 de novembro de 2009

Agropecuária sob Governo Roseana: tentando apagar o passado

Agropecuária sob Governo Roseana: tentando apagar o passado

Ficamos impressionados com o programa “Terra Viva” que promete “revitalizar a agropecuária maranhense”. A curta memória nos lembra que o setor agrícola, vivenciou na década de 1990 sua verdadeira “década perdida”, posto que por força do desmonte do Estado, promovido pelo Governo Roseana Sarney (1994-2001), sobretudo com a extinção dos principais órgãos que apoiavam esse setor como a Emater, Codea, Emapa, Cimec, etc.

Por conseguinte: a área plantada total que era de 1.971.909 hectares em 1994 baixou para 1.286.775 em 2001, uma queda de 34,74%; a produção de arroz caiu pela metade, a de banana caiu 35,6% e a de mandioca 23% no mesmo período. Paradoxalmente a lavoura de soja que independe de qualquer ação de assistência técnica do Estado, por disporem dos seus próprios meios, cresceu vertiginosamente de 140.637 ha em 1994 para 491.083 ha em 2001 ( Ver IBGE e IPEADATA).

Os resultados do Governo Roseana Sarney foram bem claros no setor rural: ocupação caracterizada pela expulsão dos posseiros, desmatamento e implantação de pastagens, agravando o latifúndio improdutivo, aumento dos conflitos no campo, crescimento do desemprego, do subemprego, êxodo rural que aumentou o crescimento desordenado na capital. A população economicamente ativa da zona rural decresceu durante todo seu período governamental em mais de 120 mil pessoas (IPEADATA).

A única equipe tecnicamente preparada pelo histórico de atuação anterior na área é a da SEDAGRO, cuja estrutura é mínima. A SAGRIMA apesar das mudanças cosméticas de nome, não dá conta da dinamização das economias locais há quase de 20 anos, perdida nos canteiros da capital, esqueceram que devem atuar como uma Secretaria para o Estado e não para o entorno da capital. Não conseguiram, não querem e não irão transpor o Estreito dos Mosquitos.

E qual é a grande demanda da agropecuária maranhense, mais dinheiro, como anuncia o programa “Terra Viva”? Não. O ponto crucial é a assistência técnica rural no Estado. Enquanto no Governo José Reinaldo consolidou-se a AGED para o trabalho de erradicação da febre aftosa (dentre outros) e no Governo Jackson Lago foi criada a AGERP para prestar assistência técnica rural, no Governo Roseana Sarney redivivo se propõe despachar malotes de dinheiro para a zona rural maranhense, ou fazer um Centro de Fomento à Produção, a grande “novidade” do Viva Cidadão, implementado pela Secretaria de Administração, pasmem!

Alguém sabe como a mão-de-obra para prestar assistência técnica rural é alocada no Governo “de volta ao trabalho”? Por intermédio de ampla gama de fundações e terceirizações, garantindo a “seriedade” e o “fortalecimento da agricultura” com um exército de trabalhadores técnicos precarizados. Alguém viu algum edital de concurso público para constituir carreira que sustente a política agropecuária e inicie a recuperação do estrago promovido pela “redentora” da agricultura nos anos 1990? Não.

Sob o Governo Jackson Lago estávamos realizando, antes do golpe judicial e da interrupção, o Zoneamento Agroecológico do Maranhão (ZAEMA), que identificaria as potencialidades dos solos e suas restrições; o Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE), para racionalização da ocupação e reorientação das ações governamentais; o Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio Itapecuru (PROITA), para revitalizar o rio e garantir no seu entorno desenvolvimento com sustentabilidade; dinamização das economias locais nos municípios mais deprimidos economicamente por intermédio do FUMACOP; dentre tantas ações e projetos interrompidos.

Ficamos satisfeitos com a sagacidade do governo atual: 1) utilizando um terceiro, para falar do óbvio, público e notório – os investimentos federais do PAC no Maranhão; 2) divulgando que irão construir um Hospital em Pinheiro, “voltando atrás” , quando tiraram o dinheiro depositado pelo Governo Jackson Lago para a construção dessa obra, das contas da Prefeitura de Pinheiro; 3) falando da regionalização, implementada pelo Governo Jackson Lago, que criou 32 regiões de planejamento e desenvolvimento; 4) sendo obrigados a retomar a política de descentralização iniciada pelo Governo Jackson e transferir dinheiro para os municípios implementarem as obras e serviços.

A grande diferença é que o lançamento dos “Viva’s”, por falta de criatividade e conteúdo dos próceres roseanistas e pela incapacidade de liderança democrática do governo atual, representam, sobretudo, a última cartada de um grupo esgotado política e intelectualmente; escasso e centralizador, permanentemente preso ao passado (de volta), incapaz de ler o tempo presente, sentir os ventos e rumos, tocando eterna música de repetição de seus próprios fracassos e fracassados.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os devaneios navais dos Sarney

Os devaneios navais dos Sarney

A menos que exista um monte de engenheiros navais desempregados no Maranhão e um grande contingente de maranhenses marinheiros dando sopa, o que não é o caso, essa base naval não tem importância alguma, pelo menos positiva, no curto e médio prazo, para as especificidades e características econômicas e sociais locais. Será mais um enclave que se comunica para fora e com a plutocracia, mais certo ainda – não é para agora, não foi articulado pelo Governo Roseana Sarney e integra o planejamento da Estratégia Nacional de Defesa-END que tenho absoluta certeza, os sarneysista-roseanistas, não tem idéia do que seja, pois foram os que mais boicotaram o ex-ministro Mangabeira Unger, mentor daquela, durante sua gestão.

Segundo informações do site Poder Naval (http://www.naval.com.br/): “’O poder naval brasileiro poderá desaparecer até 2025, se até lá não houver novos investimentos em equipamentos.’ O alerta foi dado pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto, em audiência pública promovida pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), no dia 16 de agosto de 2007.

O Programa de Reaparelhamento da Marinha requer um investimento de R$ 5,8 bilhões ao longo do período de 2008 a 2014 e ainda não foi aprovado. As prioridades iniciais do programa, segundo o comandante, são a construção de submarinos e navios-patrulha e a aquisição de helicópteros.”

A continuar assim, até loja das Casas Bahia que resolver abrir aqui no Maranhão, com o devido respeito à Marinha do Brasil pela comparação estapafúrdia, vão dizer que é mais uma realização do Governo Roseana Sarney. Base naval é escolha técnica e estratégica, não superficial e político-eleitoral.

A quem interessar possa e quiser ler a Estratégia Nacional de Defesa-END, documento desconhecido pelos “técnicos” e políticos do Governo Roseana Sarney, o site é:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6703.htm

Obras do PAC do Governo Lula que o Governo Roseana diz que são suas

Obras do PAC do Governo Lula que o Governo Roseana diz que são suas

Confiram no relatório do PAC, as obras, nas diversas áreas, que o Governo

Federal está construindo no Maranhão, com recursos federais, e o Governo Roseana Sarney
diz que são suas, espalhando oudoors, anúncios de jornal, televisão, rádio e internet.

É preciso ter muito cuidado com as manhas e manias, espertalhices e espertezas dessa turma.
Não caiam nesse conto.

Relatório - 7º Balanço do PAC no Maranhão
http://www.brasil.gov.br/pac/.arquivos/relatorioMA_300709.pdf

Os falsos programas sociais do Governo Roseana e o FUMACOP

Os falsos programas sociais do Governo Roseana e o FUMACOP

“Os programas começarão a levar benefícios a milhões de maranhenses a partir de dezembro e serão bancados com recursos do Fundo Maranhense de Combate a Pobreza (Fumacop). Ao todo o governo vai investir quase R$ 200 milhões até o final de 2010 nessas atividades” (Jornal O Estado do Maranhão-EMA, 10/11/09, p.3).

PRIMEIRO EMPREGO

“Os salários dos jovens empregados é pago pelo Estado por determinado período. Ao final desse tempo, ele pode ou não ser contratado.”

Traduzindo: Mão-de-obra barata e gratuita para os empresários amigos do Governo, de cujos empreendimentos, os sarneys são sócios, direta ou indiretamente.

VIVA LUZ

“O governo vai isentar de pagamento consumidores com consumo médio de 50 KWh de energia/mês. A administração estadual está disponibilizando R$ 49 milhões nesse programa.”

Traduzindo: O consumo de energia elétrica no Maranhão aumentou de 152.155 MWh em 1980 para 1.465.930 MWh em 2008. Ou seja o perfil de consumo aumentou muito desde o 1º e 2º Governo Roseana Sarney, mas a grande diferença é que o principal fornecedor, a CEMAR, foi privatizada, cobra a taxa de energia mais cara do Brasil, é administrada por apadrinhados dos Sarney, que também são direta ou indiretamente sócios. Isso significa a transferência de quase R$ 50 milhões para as próprias mãos.

VIVA ÁGUA

“Na mesma linha o Viva Água: estarão isentos de conta consumidores que gastarem em média 25 m3 de água por mês. Nesse caso, serão investidos R$ 16,8 milhões.“

Traduzindo: Ora num estado que tem 35,74% das residências sem abastecimento de água, com o Sistema Italuis que abastece a capital falido, com desvios e gatos para todo lado, ou seja, falta água para muita gente e a que tem é desperdiçada. No mínimo esse programa é uma enorme gozação na cara dos maranhenses que carregam água na cabeça ou tem água dia sim e dia não. Vão ser isentados pelo que não consomem.

VIVA CASA

“Com gastos de R$ 56 milhões, o Viva Casa será o maior deles. O governo quer diminuir as construções de taipa principalmente no interior do Maranhão.”

Traduzindo: Os grandes beneficiados por esse programa são os servidores públicos, moradores da capital, que terão condições de acessar os financiamentos, sobretudo os originados no governo federal. Os demais que tiverem a sorte de receber, dependerão dos critérios político-eleitorais do Governo Roseana Sarney. Inacreditável para quem até pouco tempo achava que as casas de taipa era uma questão cultural, não social.

VIVA TERRA

“Para tratar da questão rural, estão sendo criados o Viva Terra, o Estação Conhecimento, de Fortalecimento de Cadeias Produtivas e Empreendimentos Rurais, Desenvolvimento e Acompanhamento dos Arranjos Produtivos Locais.”

Traduzindo: Num estado de economia fortemente rural a parte mais importante é mencionada ao final, sem quantitativos de recursos, sem detalhamento da complexidade e de forma simplista. Ou seja, ausência total de uma política para o setor agropecuário do Maranhão.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O FUMACOP

QUANDO FOI REESTRUTURADO E COMEÇOU A DE FATO FUNCIONAR?

2008 e 2009 no Governo Jackson Lago.

O QUE ERA MESMO O FUMACOP E QUEM DECIDIA?

Fundo especial, de natureza financeira, estruturado no âmbito do poder executivo, cujo órgão gestor era SEPLAN e as decisões eram tomadas pelo Conselho de Políticas de Inclusão Social, seu órgão colegiado, com representação governamental e da sociedade civil.

QUAL ERA O PÚBLICO-ALVO?

· Famílias cuja renda per capita esteja abaixo da linha da pobreza;

· Populações pobres dos municípios com menor renda por habitante;

· Bolsões de pobreza dos maiores aglomerados urbanos do estado;

· 30 municípios com menor renda per capita.

QUAL O MONTANTE DE RECURSOS?

· 2008 – R$ 131 MILHÕES

· 2009 – R$ 100 MILHÕES

· 2010 – R$ 120 MILHÕES

QUE PROJETOS FINANCIARIA?

a) de Base Econômica

Arranjos Produtivos Locais, Rede Popular de Micro-crédito (Banco da Gente); Distritos de Irrigação

b) de Base Tecnológica

Incubadoras de empresas; Casas Familiares Rurais e do Mar; Estudos Familiares Agrícolas; Inclusão Digital; Consórcios Intermunicipais

c) de Base Social

Melhorias de Habitação (Urbana e Rural); Segurança Alimentar; Transferência Direta de Renda (Bolsa Dignidade)

E AGORA?

Foi interrompido, sua natureza e concepção abortadas, e vai tudo para os “Viva’s” do Governo Roseana Sarney, que no fundo e ao largo, significam: transferência direta de renda para o próprio bolso ou dos amigos da rainha. Passando ao longe dos problemas reais e concretos que o FUMACOP se propunha enfrentar, sobretudo a forte exclusão social e econômica maranhense.

domingo, 8 de novembro de 2009

No Maranhão a cidadania ainda é de papel

No Maranhão a cidadania ainda é de papel


Por Jhonatan Almada


Há 14 anos, em 1995, Gilberto Dimenstein, publicou o livro “Cidadão de papel: a infância, a adolescência e os direitos humanos no Brasil” denunciando que apesar das inúmeras e modernas legislações que possuímos, vivenciamos uma cidadania de aparência, de papel, distante da real concretização dos direitos humanos básicos e universais.


José Murilo de Carvalho no livro “Cidadania no Brasil: um longo caminho”, publicado em 2001, isto é, há 8 anos, se refere ao fato de que os direitos do cidadão no Brasil, ao longo da história, estiveram mais no papel do que acessíveis a sociedade em geral, pois figuravam nas constituições, mas sua garantia real para maioria era precária ou passavam períodos de tempo suspensos, como durante a ditadura militar de 1964.


A liberdade individual, o habeas corpus, a liberdade de expressão quando restituídos beneficiavam apenas a parcela mais rica e educada da população que os podiam acionar, tendo maior conhecimento deles, possibilidade de pagar advogados e acesso ao Judiciário. Grande parte da população não conhece esses direitos, guardando desconfiança da lei e seus agentes; e o acesso a Justiça, dificultado por questões financeiras, falta de eficiência e mesmo independência do Judiciário.


Mas o grande desafio ou “nó” que “torna lenta a marcha da cidadania” é a incapacidade dos nossos representantes no exercício do poder, produzir resultados que reduzam efetivamente a desigualdade.


Apesar de todas essas análises, em 8 de novembro de 2009, o principal programa anunciado pelo Governo Roseana Sarney, judicialmente empossado e legitimamente questionável, chama-se Viva Cidadão, e o que é? Reproduzo a matéria: “A população terá acesso a diversos serviços, tais como emissão de Carteira de Identidade, antecedentes criminais, Carteira de Trabalho, alistamento militar, CPF, telecentros (espaço para acesso à internet e impressão de documentos de pesquisa) e a atendimentos que serão prestados no local pela Secretaria de Estado da Fazenda, pelo Detran, Sebrae, Banco do Brasil e Banco Popular” (jornal O Estado do Maranhão, Caderno Cidades, Geral, p. 7, 8/11/09).


Mais estranho ainda é o trecho final da matéria “A expansão do Viva Cidadão integra as ações do Programa de Valorização do Servidor Público Estadual, lançado em julho pela governadora Roseana Sarney”.


Primeira das conclusões possíveis é que no Maranhão apenas quem é servidor público é cidadão; segunda, cidadania no Maranhão significa tirar documentos (pagando taxas salgadas para uma população com baixa renda) e acessar serviços públicos fundamentais como Detran (a maioria não possui veículo quanto mais carteira de motorista), Banco do Brasil (como se não existissem Agências), Banco Postal (como se não existissem os Correios) e Secretaria da Fazenda (como se houvesse economia local para arrecadar impostos); terceira, a discussão sobre cidadania que será debutante ano que vem é “desconhecida” pelo Governo de Roseana Sarney.


Aqui a cidadania não implica em direitos civis (liberdade, igualdade, justiça), políticos (participação e organização) e sociais (educação, saúde, segurança, cultura), etc., quanto mais, a nova geração de direitos, tais como os republicanos (a coisa pública deve ser tratada de forma pública). Mais significativo é a ausência de qualquer menção a erradicação do sub-registro civil, mais flagrante é o fato do programa ser cópia repetida em quase todas as unidades federativas, já ter sido implantado aqui, sem grandes impactos ou resultados, e reeditado como novidade.


A população da região de São Bento que será “beneficiada” com o tal programa, dia 12 de novembro de 2009, deve estar em festa.

47,46% de verdade sobre a infra-estrutura

47,46% de verdade sobre a infra-estrutura

Por Jhonatan Almada

“Viva Infra-estrutura alcança 47,46% de recuperação das MAs” (Jornal Estado do Maranhão-EMA, 8/11/09, p. 6, Caderno Cidades)

“O secretário de Estado de Infraestrutura, Max Barros, disse que a velocidade com que as obras estão sendo iniciadas se deve ao planejamento. “O programa é ousado, nós sabemos disso, mas fizemos tudo com muito planejamento, para que não se iniciem obras sem ter o dinheiro para pagar.”

“Essa dupla é assim: trabalhou, recebeu. Se o trabalho estiver sendo feito, vai receber porque os recursos já estão garantidos, disse o secretário de Estado de Planejamento, Gastão Vieira”.

“Nós temos que ligar esse Maranhão por estradas, sinalizadas, de qualidade, porque é isso que traz desenvolvimento aos municípios, por isso a grande importância desse Plano Rodoviário, que foi lançado há apenas três meses, mas que há muito já é uma realidade”, assinalou o secretário”.

Obras de restauração iniciadas

MA 202 – Retorno da Forquilha/Beira Rio

MA 345 – São Bernardo/Pirangi

MA 345 – Araioses/Entr. MA

MA 034 – Chapadinha/São Bernardo

MA 020 – 122 Independência/Lima Campos/Pedreiras

MA 122 – 245 Bacabal/L. da Pedra/Ig. Grande/Triz. Do Vale

MA 034 – Entr. BR-316/Coelho Neto

Obras de pavimentação iniciadas

MA 132 – Nova Colinas/Fort. dos Nogueiras

MA 302 – Porto Rico/Entr. MA

MA 303 – Bacuri/Apicum-Açu

MA 008 – P. Ramos/Ent. MA

MA 132 – Colinas/Buriti Bravo

MA 381 – Pedreiras/Joselândia

MA 034 – Duque Bacelar

MA 326 – Lago Verde/Conceição do Lago Açu

MA 325 – Urbano Santos/Belágua

MA 349 – Caxias/Aldeias Altas

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Quando vi essa notícia hoje, achei que já tinha não só lido como participado do processo de planejamento dessas obras, há dois anos e três meses, no Governo Jackson Lago.

Como minha memória ainda funciona bem, abri o documento “Agenda 2010 – Maranhão Democrático e Solidário”, lançado publicamente pela Secretaria de Planejamento do Governo Jackson Lago, em março de 2009, acessível na internet, basta pesquisar no Google.

O documento sintetiza tudo o que o governo iria entregar até 2010, em doze ações estratégicas, pois relacionadas com os principais problemas do Maranhão: Descentralização da Gestão Pública; Redução do Analfabetismo; Aumento da Capacitação e Qualificação Profissional; Geração de trabalho, emprego e renda; Aumento da expectativa de vida; Universalização da cobertura de energia elétrica; Redução do déficit habitacional; Revitalização das bacias hidrográficas; Promoção do desenvolvimento científico e tecnológico; Revitalização do patrimônio cultural; Garantia de segurança pública e cidadania; e Ampliação dos investimentos em obras públicas, neste item, nas suas páginas 20 e 21, estão listadas as obras planejadas e iniciadas pelo Governo Jackson Lago:

Melhoras e pavimentação:

MA 006 – Pinheiro/Pedro do Rosário

MA 132 – Buriti Bravo-Colinas

MA 034 – Buriti Bravo- Baú

MA 381 – Pedreiras-Joselândia

MA 280 – Sítio Novo-Montes Altos

MA 034 – Buriti Bravo/Passagem Franca

MA 020 – Vargem Grande/Coroatá

MA 020 – Buriti-Duque Bacelar

MA 006 – Grajaú-Formosa da Serra Negra

Duplicação:

MA 201 – Maiobão-São José de Ribamar

MA 203 – Araçagi-Raposa

MA 202 – Foquilha/Entroncamento da MA 204/Beira Rio-Paço do Lumiar

Qual a diferença entre uma lista e outra?

Primeiro, os critérios para determinação desses trechos foram tomados com base no planejamento estratégico governamental, observando as necessidades de infra-estrutura econômica, logística de escoamento da produção e transporte de pessoas no âmbito de projetos estruturantes do desenvolvimento estadual

Segundo, a definição desses trechos não saiu da cabeça de nenhuma “dupla”, mas da vontade dos milhares de maranhenses que construíram coletiva e democraticamente o planejamento daquelas obras, a partir da observação de suas necessidades diretas, concretas, reais e imediatas. os critérios foram técnicos (engenharia), econômicos (desenvolvimento) e sociais (planejamento participativo e popular) e não político-eleitorais (vontade de alguns e visando eleições).

Terceiro, os recursos foram alocados no orçamento e os projetos de implantação concluídos em 2007 e 2008, pois, em nenhum lugar do mundo, se executa um programa de infra-estrutura rodoviária em 47,46% em três meses. Acredito que nem um bom reboco de sala se faz em menos de três dias, quanto mais rodovias em três meses.

O percentual do título é esclarecedor sobre o quanto verdadeira é a notícia do jornal, vale a pena não esquecer, de propriedade dos Sarney, sequer 47,46%.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AS HORAS DE LUTA SERÃO AS MAIS BELAS


AS HORAS DE LUTA SERÃO AS MAIS BELAS (colaboração à rede Balaia)

Por Jhonatan Almada


O lançamento do livro “Honoráveis Bandidos” do jornalista Palmério Dória, despertou a parte mais execrável dos serviçais do poder no Maranhão, aqueles que em qualquer governo estão dispostos a tudo, almas vendidas por alguns trocados, desprovidos do sentido da História contemporânea e do significado de conceitos básicos, como convivência democrática.

Os “estudantes” e “jovens” que tumultuaram e agrediram os presentes no lançamento do livro, sobretudo na figura simbólica e paradigmática do ex-governador Jackson Lago, revelam a faceta mais conhecida da maranhensidade – o medo.

Os donos do poder, bruxuleando nas mídias televisiva, radiofônica, impressa e digital, diga-se de passagem, de sua propriedade e de seus serviçais, são incapazes de “mostrar a cara”. Não tem coragem, nunca foram bravos e fortes, filhos do Norte, como no poema de Gonçalves Dias, que escamoteiam em mais uma campanha publicitária.

Muitos dirão que é o desespero que a proximidade do ano eleitoral desperta, posto que são tão pobres de criatividade e propostas reais, que conseguem no máximo cinicamente se repetir: reeditando a cidadania de papel (como se retirar documentos fosse mudar radicalmente a exclusão social existente); assumindo paternidade das obras do governo federal; tomando como de sua autoria as obras e iniciativas do governo Jackson Lago; mobilizando o aparelho repressor num quadro de violência onde a simples repressão não funciona mais; submetendo prefeitos e lideranças políticas aos despachos humilhantes e ameaçadores nos Leões; manipulando os tentáculos disponíveis nos demais Poderes para perseguir e “ganhar a adesão” dos “aliados”; fazendo concurso público para setores historicamente atendidos, com números de vagas abaixo da demanda, sem tocar no exército de comissionados que substituem os efetivos, e claro, trataram de preencher, manter e expandir.

Essa é uma pequena lista dos equívocos voluntários e involuntários fruto da incompetência de quem não tem talento, engenho e arte para governar coisa alguma. De nossa parte, abraçando a provocação de Gonçalves Dias, devemos: revestir-nos da coragem impassível, do ardor da justiça, da certeza da vitória, da clareza da causa, da convicção da luta, da força do coletivo – estamos juntos, somos mais fortes, podemos reconquistar o legitimamente ganho e judicialmente roubado.

Nesta luta pela democratização do Maranhão, na qual não teremos descanso, tenho certeza, iremos dizer em futuro próximo - foram as horas mais belas de nossas vidas, os dias que mais valeram viver.

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