domingo, 12 de setembro de 2010

LIBERTAR O MARANHÃO! Victor Asselin

LIBERTAR O MARANHÃO!

 

UM PROJETO ELITISTA?

 

Victor Asselin

 

            A campanha eleitoral vai avançando e as promessas vão se multiplicando. Podemos perguntar: já temos as informações suficientes para a tomada de uma decisão esclarecida sobre o projeto que queremos conquistar: a libertação do Maranhão ? Ainda hesito em dar minha resposta. Por quê ? Escuto promessas já feitas há vinte e trinta anos, sem resultado. E ainda tem gente que acredita que vai acontecer. Escândalos continuam a fazer parte do nosso cotidiano. Exemplo: a quebra do sigilo fiscal e suas fraudes. As mais altas autoridades ainda debocham sobre eles e manipulam o povo levando a crer que se trata de armadilha inventada para prejudicar a campanha da gente de bem !!!  E ainda tem gente que dá crédito a esta conversa. Porque é assim ?

 

            No Maranhão já nos libertamos do coronelismo?  Talvez que ainda não. Estamos a caminho e estamos nos preparando a dar um BASTA à reprodução das práticas autoritárias e violentas do coronelismo que se aproveita da desinformação das pessoas, em particular das mais carentes de ensino e de informação para manipulá-las e levá-las a tomar decisões em acordo com a vontade do coronel. Infelizmente, estas práticas ainda se fazem presentes no nosso cotidiano.

 

            E, como se não bastasse viver com os resquícios do coronelismo, temos no Maranhão um agravante: a pobreza do Estado e do seu povo está sendo protegida por medidas exclusivamente assistencialistas. O coronelismo fez aliança com o populismo. O coronel e o populista se deram as mãos. Ganhamos a sobrevivência acompanhada de uma nota que diz: "isso é o preço de sua dignidade, saiba reconhecer este favor"

 

            Povo do Maranhão, reduzir a dignidade da pessoa ao preço de uma sobrevivência é injuriar o próprio Criador que nos fez "à sua imagem e semelhança". É uma medida populista praticada por populista. Em efeito, existem líderes populistas. O que são eles ? Francisca Socorro Araújo explica que o populismo é "basicamente um "modo" de exercer o poder. Ou seja, dá-se uma importância ao povo, às classes menos favorecidas, cuida-se delas e, assim, conquista-se sua confiança, o que permite que se exerça um autoritarismo consentido, uma dominação que não é percebida por quem é dominado."

 

            Vê-se que o populista não se caracteriza pelo seu conteúdo mas pelo modo de exercer o poder combinando o seu carisma com o autoritarismo e a manipulação. Ele se envolve emocionalmente com o povo e esquece colaborar para sua verdadeira educação. Em nome da democracia prioriza as demandas das classes menos favorecidas mas estabelece mecanismos de controle até da midia. O líder populista não tolera as oposições pois sua prática se limita a distribuir "favores". Assim sendo, o coronel e o populista tem boa chance de se entender bem pois os dois exercem o poder de maneira diferente mais os dois tem o mesmo objetivo:manter e controlar o PODER

 

            O projeto de libertação do Maranhão não é um projeto elitista mas um projeto assumido pelo povo e conquistado pelo povo. Ele é a busca de uma sociedade verdadeiramente democrática onde os favores serão substituídos pelos direitos, onde o assistencialismo será substituído pelo trabalho e pela conquista e onde o autoritarismo será substituído pela igualdade e pela harmonia das classes sociais. Libertar o Maranhão é libertar-se do coronelismo e do populismo.

 

            Quero parabenizar você que colabora na campanha atual sem a preocupação de ocupar um espaço no próximo governo porque você entendeu que a libertação do Maranhão, antes de mais nada,  não passa pela luta de um espaço ocupado por você mas pela luta que abre o espaço para o povo participar da vida pública. E você que entendeu isto e sabe que é a condição para que se abra o caminho da felicidade para o povo do Maranhão, ajude, não por FAVOR mas por DEVER, o seu vizinho ou a gente do seu bairro a compreender que a LIBERTAÇÃO depende da soma de nossos esforços e que o voto que cairá na urna dirá o que queremos: um Maranhão livre ou dependente do coronelismo e do populismo

 

            Está chegando a hora!  O "Davi", povo do Maranhão dará o "basta" final ao "Golias" coronel e populista. Esteja firme e combata o bom combate. Quem dera se a gente pudesse ouvir a voz de Deus que dizia ao povo dirigido por Moisés: "Farei de você uma grande nação". "Farei de você, Maranhão, um grande Estado"

A Gestão Pública no Maranhão - Margarete Cutrim

A GESTÃO PÚBLICA NO ESTADO DO MARANHÃO                                                                          

Margarete Cutrim

Assistente Social e Servidora Pública Estadual


            Uma oportunidade de grande aprendizado: compartilhar com Dr. Jackson Lago a experiência da gestão pública. Esse homem que traz na sua essência de ser, e expressa na sua trajetória de vida pública, a magnitude do compromisso ético, político, teórico e profissional com a democratização, com a participação popular e com a transparência na gestão pública.

 Sua gestão em São Luís, por três mandatos, e no Governo (interrompido) do Estado nos revelou e ensinou que o fortalecimento das instituições públicas, dos movimentos sociais e a luta pelo efetivo exercício dos direitos sociais, econômicos e políticos, constituem verdadeiros pilares na construção de uma sociedade de justiça e paz, de acessos e oportunidades para todos.

Muitos atores, no município, no Estado e nacionalmente, compartilhamos a feitura da concepção e operacionalização da Política Pública de Assistência Social (AS), que se propõe romper com as práticas clientelistas e assistencialistas; que supere a forma de gestão patrimonialista, que historicamente criou e consolidou posturas relacionais de dependência entre o agente público e o verdadeiro sujeito de direitos. Compartilhamos a construção de políticas públicas que instalem, de fato, um novo paradigma de política social pautado na garantia de acessos, sob a lógica do direito de cada cidadão e cada cidadã, no seu território.

           A experiência nos dois anos e quatro meses de governo estadual permitiu demonstrar que as parcerias com os municípios, o processo de descentralização do poder, respeitando-se e fortalecendo-se a autonomia municipal, não só resultam em ações estratégicas para viabilizar o desenvolvimento sustentável, como ajudam a mudar formas ultrapassadas de gestão, fortalecendo a atuação conjunta dos dois níveis de governo e dando celeridade aos processos de melhorias das condições de vida da população, com melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

            Destacam-se algumas ações realizadas, na gestão das políticas de Assistência Social (AS) e de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social – SEDES e comando do Governador Dr. Jackson Lago, em parceria com os gestores municipais, com o objetivo de fortalecer a gestão municipal e impulsionar a transformação da realidade de pobreza e exclusão socioeconômica das famílias maranhenses:

            Capacitação de gestores, técnicos, conselheiros, trabalhadores e usuários dos serviços, para qualificar a execução e o controle social das políticas públicas, nos municípios e no Estado - cerca de nove mil pessoas foram capacitadas: em 2007, 4.208 e em 2008, 4.795 pessoas  participaram de seminários, encontros, oficinas em serviço e cursos;

Com recursos do Fundo Maranhense de Combate à Pobreza – FUMACOP foi iniciado um grande projeto de investimento em Ações de Inclusão Produtiva e Segurança Alimentar, em 49 municípios maranhenses, com menor IDH e menor renda per capita, para inclusão de 832 famílias. Projeto interrompido após o golpe, em abril de 2009;

            A transferência direta de recursos do Estado para os municípios, na área de assistência social representou um grande avanço na oferta dos serviços na lógica do direito, na medida em que possibilita sua execução de forma continuada e sistemática, de modo a atender as demandas com agilidade e regularidade, superando o apadrinhamento político;

O repasse de recursos financeiros para os municípios implantarem seus Centros de Referência de Assistência Social – CRAS, garantindo a universalização dos serviços de apoio às famílias em situação de vulnerabilidade, nos municípios maranhenses em gestão básica e plena. Instituiu-se, assim, o co-financiamento, de forma gradual e progressiva, dos serviços que devem ser ofertados de forma continuada e sob responsabilidade de cada município;

            A implantação de serviços regionalizados, para garantir a cobertura à população em situação de risco, em regiões com municípios de pequeno porte, cuja capacidade de gestão ainda não possibilita a estruturação de serviço exclusivo municipal, a exemplo de Porto Franco, na região tocantina; 

 As Medidas Socioeducativas em Meio Aberto – MSE, tiveram sua municipalização iniciada, com o apoio financeiro e técnico aos municípios para a implantação do serviço de acompanhamento a adolescentes em conflito com a lei, de forma continuada (deliberação do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente - CEDCA desde 1998, sem implantação pelo Estado, até então);

 A estruturação da Política Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional foi incentivada, resultando na criação de 43 Conselhos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional – COMSEA'S e 07 Sistemas Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional – SIMSAN'S, fundamental para o controle social e a superação do quadro de insegurança alimentar da maioria de nossa população, processo igualmente interrompido em 2009;

 O atendimento a pessoas com deficiências, através de convênios com APAE's de vários municípios, permitiu ampliar a proposta de reabilitação social na comunidade, proporcionando ainda a compra de equipamentos que beneficiaram as pessoas atendidas e suas famílias;

            A relação com os Conselhos Setoriais e de Direitos foi pautada no respeito ao seu papel de formulador de políticas públicas e de controle social das ações governamentais. O Plano Plurianual (PPA 2008/2011) foi elaborado conjuntamente e teve incorporadas diversas propostas dos Conselhos, realizando sua adequação ao desenho programático do Sistema Único de Assistência Social – SUAS e às diretrizes de segurança alimentar e nutricional, avaliando os avanços e dificuldades na sua implantação.

Prioridades nacionais, regionais e estaduais foram discutidas e pactuadas com os gestores municipais e aprovadas pelo Conselho Estadual de Assistência Social, para avançarmos na gestão descentralizada das políticas de AS e SAN. O Maranhão foi destaque por seu desempenho, na avaliação realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome – MDS.

           A crença de que "nenhum desenvolvimento econômico se justifica se não for acompanhado de desenvolvimento social com participação política", defendida por Dr. Jackson Lago, inclui além da cobertura e qualidade do serviço público, a efetividade no exercício dos direitos, a sustentabilidade dos processos de autonomia de famílias e indivíduos e a sua participação política nos rumos de suas vidas em sociedade.

           Renova-se, assim, o convite à população maranhense para exercer o seu poder. O poder de decidir livremente e de retomar o processo de democratização da gestão pública no Maranhão! 

ÁGUAS FUJONAS DA BAIXADA Leo Costa

ÁGUAS FUJONAS DA BAIXADA

 

Léo Costa

 Sociólogo

 

                Na retrospectiva, muitas vezes, como é interessante verificar o nascimento e o desenvolvimento de um projeto de longo alcance humano, histórico, econômico, ecológico e social! Este é o caso do Projeto Águas Perenes, no âmbito do interrompido Governo Jackson Lago, também conhecido como Projeto Águas Fujonas da Baixada Maranhense.

                Antes mesmo da instalação da equipe da Secretaria de Planejamento do Governo da Frente de Libertação, nos seus movimentos embrionários, em dezembro de 2006, numa bela manhã de domingo, procura-me o inquieto engenheiro químico Francisco Bordalo. Sonhando e sonhador como todos nós, traz debaixo dos braços uma maçaroca de mapas dos lagos da Baixada Maranhense.

                Instalado o Governo, juntam-se informalmente à pequena célula aquática do projeto o baixadeiro de velha cepa, Francisco Figueiredo, um dos ícones da Greve de 51, o jornalista e criador de patos Reginaldo Telles e o bancário de Pinheiro, Cezar Soares.

                Inúmeras reuniões acontecem na Secretaria Estadual de Planejamento e no pequeno auditório do Consórcio Intermunicipal de Produção e Abastecimento, CINPRA SÃO LUÍS.

                O movimento pela retenção da  água doce da Baixada foi crescendo, crescendo... um grupo técnico/empresarial estudioso e projetista das soluções do problema foi descoberto, até que em 14 de dezembro de 2007, uma entusiástica reunião de consulta popular acontece e explode em São Vicente de Ferrer, em pleno coração da Baixada. Com o apoio logístico do Prefeito Cabo Freitas e da Prefeitura da cidade, a região inteira estava lá, de Anajatuba a Turilândia, da associação de pescadores à associação de  comercial, do agente de saúde ao prefeito, vice-prefeito e vereador.

                A rádio noticiou, os jornais falaram: um antigo e unânime sonho da Baixada estava nascendo.

                Nasceu, naquela histórica Sessão Pública, com o nome de Águas Fujonas. Depois, no laboratório de planos da SEPLAN, foi batizado de PROJETO ÁGUAS PERENES.

                Assim historiado, eis do que se trata:

- construção de uma barragem no Rio Maracu, no Município de Cajari;

- construção de um dique de contenção das águas num percurso de 70 km, da estada Vitória/Viana com 21 vertedouros, até a cidade de Bacurituba, com o objetivo de perenizar os lagos do Coqueiro, das Itans e do Aquiri;

- conclusão da barragem de São Vicente de Ferrer;

- construção de pequenos diques nas enseadas do Rio Aurá, atingindo os municípios de São Bento, São Vicente, Bacurituba, Palmeirândia, Peri-Mirim, Bequimão e Alcântara.

                Quem é baixadeiro conhece naquelas paragens esse fantástico paradoxo da natureza: no inverno, a Baixada vira um Pantanal Matogrossense. A vida explode, da lama ressequida, como por milagre, faz-se a multiplicação dos peixes, não há mais fome na região, pássaros, bois e búfalos fazem sua festa.

                Ao contrário, no verão, as águas fogem repentinamente, aquele mar vira sertão, falta água, animais morrem de sede, a vida se retrai, as sementes de peixes se aninham nos charcos, a fome ronda a casa dos pobres, a alegria cede à tristeza. Nas marés altas, a água salgada invade campos e enseadas, salinizando o terreno: mais um problema econômico e ecológico de conseqüências negativas para o futuro.

                Antes de ser golpeado e absurdamente apeado do poder, o Governo Jackson Lago depositou R$-47.000.000,00 (quarenta e sete milhões de reais) na conta do Consórcio CONLAGOS, uma entidade cooperativa de municípios da Baixada, primeira parcela de um total de R$- 134.000.000,00 (cento e trinta e quatro milhões de reais) que era o valor global do projeto, recursos totalmente garantidos pelo Tesouro Estadual.

                O dinheiro para iniciar o projeto ÁGUAS PERENES foi seqüestrado da conta do CONLAGOS. Dois invernos e dois verões já se passaram. É com tristeza que presenciamos mais uma protelação, mais um adiamento de solução tão lógica e evidente como é o caso da perenização dos lagos da Baixada Maranhense. Uns tiveram tanto tempo e poder para fazer e não fizeram. O Governo Jackson comprou a idéia, depositou o dinheiro no CONLAGOS e o projeto estava em marca acelerada para acontecer, mas foi bruscamente interrompido. A esperança de segurar as águas fujonas da Baixada não morreu. A bola bateu na trave, mas esse gol o povo um ido da Baixada ainda há de fazer. E não há dúvida: será um belo gol de placa.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

15 ENGODOS ELEITORAIS CANSADOS

15 ENGODOS ELEITORAIS CANSADOS

Por Jhonatan Almada

 
Os programas eleitorais veiculados até agora tem revelado características dos candidatos, dos seus programas e de suas trajetórias, fundamentais para a escolha do eleitor.

Fica claro que o conjunto de partidos e candidatos que apóiam a coligação liderada por Roseana Sarney, e ela própria, tem características em comum, que redundam em engodos repetidos sem descanso. Apresentamos aqui 15 preliminares:

1. décadas no exercício do poder tanto no executivo quanto no legislativo sem transformação da realidade social, política e econômica;

2. o realizado nestas décadas está longe do prometido;

3. assumem a paternidade de projetos do governo federal;

4. apresentam obras e serviços alheios como iniciativas suas;

5. já sabem o que irão fazer quando "voltar" (permanecer) ao poder, não precisam saber e nem ouvir o que a população reivindica por direito;

6. falam de cima para baixo, iluminados, sabem do que o Maranhão precisa, por isso nem cogitam a possibilidade  de parar, como se o caminho já fosse dado;

7. falam de riqueza e potencialidade como se as mesmas não fossem obras dos homens e mulheres, mas de alguma força natural e transcendente;

8. entendem que desenvolvimento é industrialização desconsiderando que historicamente ela agrava mais ainda as desigualdades e não gera desenvolvimento sustentável;

9. repetem o discurso surrado de décadas prometendo o mesmo desenvolvimento sem adjetivo;

10. nas suas fileiras, os políticos mais atrasados, que estão há muitos mandatos, apenas mudam a cor do cabelo;

11. confundem saúde pública com hospitais, quando o problema é bem mais profundo que tijolo, argamassa e cimento, passa pelo saneamento básico e pela prevenção;

12. confundem educação com equipamentos, salários e prédios, quando o problema passa pelo pedagógico e pela ausência de um projeto estadual de desenvolvimento;

13. contradizem a si mesmos, pois em sabatina na Folha de São Paulo, o oligarca José Sarney, explicou que o Maranhão era pobre por que não tinha minérios, o solo era imprestável e tinha recebido uma leva de migrantes nordestinos. Como se as informações sobre as reservas  de petróleo e gás não fossem conhecidas desde a década de 1980. Pergunta-se: porque nunca foram exploradas? quem omitiu essa informação? quem adiou a exploração por vinte anos? Agora se chamam profetas quando na verdade se tratam de filisteus;

14. contradizem a história, pois a instalação da Vale e da Alumar nos anos 1980 provocou êxodo rural, aumento da violência urbana, favelização da capital, crescimento do latifúndio improdutivo e empobrecimento do campo;

15. confundem Brasil com o Maranhão e Maranhão com o Brasil. Somos uma Unidade da Federação, o que não quer dizer que nossos problemas são os mesmos do Brasil ou que as soluções para o Brasil podem ser aplicadas no Maranhão. Roseana não é Dilma, muito menos Lula, apesar dos parâmetros similares por força da conjuntura política, a origem e trajetória são diametralmente opostas. A primeira é uma clássica representante dos eternos ricos e poderosos do Maranhão, os outros dois são exceções da máquina de moer gente que caracteriza nosso país.

domingo, 22 de agosto de 2010

COMBATENDO A POBREZA GERANDO RIQUEZA

COMBATENDO A POBREZA GERANDO RIQUEZA

Léo Costa[1]

 

Fazendo parte da equipe técnica da equipe da Secretaria de Planejamento, por ocasião do Governo Jackson Lago, num longo par de meses fomos convidados a organizar os fundamentos de estruturação do Fundo Maranhense de Combate a Pobreza, o FUMACOP.

Num primeiro momento, foi necessário virar de ponta-cabeça o modo de ver, de falar e de comunicar desse importante Programa, cuja percepção estava, a nosso ver, profundamente viciada e tendente a repetição de erros de abordagem que conduziam a práticas visivelmente equivocadas e ineficientes.

O primeiro perigo conceitual era o de confundir combate a pobreza com filantropia. De fato, o Brasil das últimas décadas assistiu a escalada da filantropia confundida com políticas de combate a pobreza. O Brasil empanturrou-se de Papais Noel. O Brasil ficou caridoso a direita, ao centro e a esquerda do espectro político, o que já denuncia por si um cipoal de equívocos e contradições.

A nosso ver, era preciso encarar a promoção econômica dos pobres como o principal pressuposto filosófico do FUMACOP. Daí sugerirmos que o Fundo começasse a se apresentar não como de combate a pobreza, mas como um Fundo de geração de riqueza.

Nossa longa jornada acompanhando a batalha de sobrevivência dos pobres, quer nas cidades, quer nas zonas rurais do Maranhão e já nos despindo das armadilhas do paternalismo, do assistencialismo e da filantropia, nos autorizava a dizer ao governo da Frente que os pobres, em suas diversas manifestações de vida e de reprodução, são portadores de uma vida econômica, de uma batalha econômica, de uma cultura econômica.

Em sua condição de lavradores, pescadores, extrativistas, lenhadores, vaqueiros, oleiros, carpinteiros, pedreiros, artesãos, feirantes, carroceiros, motoqueiros, camelôs, flanelinhas, frentistas, etc., os pobres só se reproduzem graças a sua condição de portadores de uma economia capaz de produzir, transformar, comercializar e consumir. Eles estão mais próximos do mercado do que supõe a nossa vã preguiça de ver e refletir.

A visibilidade dessa gigantesca economia de pequenos só é ignorada, ingênua ou maliciosamente, porque sua estruturação é muito trabalhosa, custa caro e demora quase sempre a ser recompensada com votos. Essa multiplicidade de micro, pequenos e médios negócios, necessitará sempre de serviços competentes e abrangentes de acompanhamento técnico, pedagógico e financeiro. Antes, chamavam os pobres de preguiçosos. Hoje, amortece-se o seu pensamento crítico, aprofundando a filantropia em massa.

Por isso, o FUMACOP demorou a estruturar-se. Foi preciso alargar o debate, posto que a conquista de espaço da idéia promoção era indispensável no embate que se começou a travar com a estabelecida e sedutora cultura do velho e pernicioso assistencialismo.

Não é difícil entender as hesitações quando a lente da razão aproxima-se da verificação da máquina estatal refratária a prática de pensar, máquina essa com a cabeça gigantesca colada na capital do Estado, a beira do Oceano Atlântico, distante mil léguas dos centros produtivos do interior e, mais do que isso, quando o objetivo maior é dominar o povo, ao invés de libertá-lo.

Invertendo a lógica dominante, buscou-se estruturar o FUMACOP na direção de apoiar:

- os APL's (Arranjos Produtivos Locais), que o governo colocou a cargo do SEBRAE, nele injetando recursos do Fundo;

- a municipalização da agricultura, dando prioridade máxima, dando prioridade máxima a estruturação das casas Familiares Rurais, das Escolas Famílias Agrícolas e das Secretarias Municipais da Agricultura, Floresta e Pesca;

- as incubadoras de empresas de base tecnológica na condução responsável da FAPEMA;

- a inclusão digital, por vias do fortalecimento das lan-houses;

- projetos regionais de desenvolvimento, como é exemplo a aprovação do Projeto Popular da Baixada Maranhense, denominado pelo governo de Águas Perenes, mas apelidado pelo povo de Águas Fujonas.

Esses e outros projetos examinados estavam deixando de ter um teto mínimo financeiro para abrir-se a possibilidade de tacadas seguras e de grande impacto sobre um problema ou conjunto de problemas, como é o caso acima citado das Águas Fujonas na Baixada, ou uma ponte estratégica aproximando regiões.

Programas como o DLIS (Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável) nos trinta municípios de menor renda por habitante estavam em plena maturação no âmbito da equipe pluridisciplinar do FUMACOP.

É certo que a presença de abordagens assistencialistas pressionava pesadamente o Fundo, sob o reinado da cultura paternalista e patrimonialista do Estado. Esse debate rico, fecundo e penetrante sobre a erradicação de pobreza estava em plena efervescência quando adveio o golpe de abril de 2009.

Instalado o novo governo da velha oligarquia de outros carnavais, o que se vê agora é o retrocesso, o fim do debate, a desconsideração sobre a dinamização da economia dos pobres, a volta acelerada da filantropia e o mais profundo assistencialismo.

Infelizmente, esse novo-velho governo está conforme certas tendências que se pretendem universais, em se tratando de políticas públicas de erradicação de pobreza. Sua realização, no entanto, é a história de um fracasso anunciado.

A promoção econômica dos pobres é o único caminho possível para o desenvolvimento, a prosperidade, a inclusão social e a sustentabilidade.

  


[1] Sociólogo e ex-Prefeito de Barreirinhas.


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Tempo, Missão e Legado

TEMPO, MISSÃO E LEGADO

Jhonatan Almada, historiador

Assisti à palestra de Antonio Cândido na Escola Nacional "Florestan Fernandes", instituição de formação muito criticada por certa mídia brasileira. A palestra data de dezembro de 2009. Ao se referir a Florestan Fernandes ele cita trecho do sermão de um padre dominicano: "O grande homem é aquele que descobre quais são as necessidades fundamentais de seu tempo e consagra a elas a sua vida". Assim ele compreendeu o legado e a figura histórica de Florestan Fernandes.

Estamos no Maranhão. Vivemos aqui. Quais são as necessidades fundamentais do nosso tempo? Podemos melhorar a pergunta: quais são os desafios fundamentais do nosso tempo (i)?

Vejo que um primeiro desafio é desenvolver a democracia entre nós (I). Indispensável que os avanços democráticos cheguem concretamente ao Maranhão. Que de fato nossa cultura política se afaste cada vez mais dos elementos patrimonialistas e fisiológicos tão fortes. O respeito às decisões tomadas nas consultas populares e nos Conselhos de Políticas Públicas é elemento crucial.

Um segundo, fundamental, ligado ao primeiro, é atingirmos a alternância do poder político (II). Enquanto não compreendermos que uma das problemáticas que nos cinge e nos emperra é a dominância de um mesmo grupo político por décadas seguidas, se reproduzindo à custa da exclusão permanente de milhões de maranhenses, dificilmente poderemos mudar. De fato, se a população não compreender que o projeto liderado por Roseana Sarney jamais responderá as questões do nosso tempo, por que implicaria em revelar o vazio do próprio projeto, apenas simulacros de projetos pessoais de poder, a mudança demorará. Nada mais contraditório do que dizer que esse projeto é pautado no planejamento, posto que a inexistência ou a efemeridade de planejamento mais lhe caracterize enquanto governante. O que há é tão somente o ir fazendo e fazendo o que traz benefícios imediatos e mediatos, tanto político-eleitorais, quanto garantidores da própria reprodução.

Um terceiro é mudarmos profundamente as instituições e estruturas do Estado no Maranhão (III). Enquanto prevalecer a lógica do espontaneísmo, do engessamento, do burocratismo, do exército de terceirizados e comissionados, nunca teremos uma concretude estatal que sirva ao bem comum. A refundação do Estado é bandeira primicial. Provavelmente muitos, não convencidos dos êxitos experimentados por Venezuela, Cuba, Equador e Bolívia, olharão o termo com desconfiança conservadora, dominados pelo medo da liberdade e apegados a vontade de serem opressores, mesmo hora sendo oprimidos.

A consolidação de um projeto estadual de desenvolvimento originado em amplo consenso e efetiva articulação da sociedade é um quarto desafio (IV). Mais ainda do que apresentar tal projeto, imprescindível é a sua execução. O Maranhão já experimentou dezenas de projetos inconsistentes sob a égide da oligarquia, nenhum o desenvolveu, apenas aumentou o patrimônio dos donos do poder e usurpou o sonho de uma vida próspera e digna de muitas gerações. É importante conjugar o fazer imediato com o erigir para as novas gerações, antecipar os problemas, não resolvê-los no afogadilho. A expansão da economia dos municípios, a dinamização dessa economia, a prevalência do local, dos projetos locais é que darão o ritmo, sem perder a visão do todo.

Não é coincidência que esses elementos são basilares no plano de governo do candidato Jackson Lago. A meu ver é o único político que levantou essas bandeiras na história recente. Também é o único com persistente coerência e obstinação para fazê-lo. A missão (ii) que se propôs é transformadora da realidade por que não é solitária, mas tecida de ações, sonhos e povo. O resgate da dignidade do eleitor maranhense (1), o fim da oligarquia (2) e a garantia de futuro às novas gerações (3) são no conjunto a missão de vida que move Jackson Lago, daí considerá-lo um grande homem, permanentemente na luta. Esse será seu legado (iii), legado do novo governo do Maranhão que sairá vitorioso das urnas em outubro próximo, quando a coligação O POVO É MAIOR chegar ao poder pelas mãos do povo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Versos Sencillos - José Martí

Versos Sencillos
José Martí


Yo soy un hombre sincero
De donde crece la palma.
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma.
Yo vengo de todas partes,
Y hacia todas partes voy:
Arte soy entre las artes,
En los montes, monte soy.
Yo sé los nombres extraños
De las yerbas y las flores,
Y de mortales engaños,
Y de sublimes dolores.
Yo he visto en la noche oscura
Llover sobre mi cabeza
Los rayos de lumbre pura
De la divina belleza.
Alas nacer vi en los hombros
De las mujeres hermosas:
Y salir de los escombros
Volando las mariposas.
He visto vivir a un hombre
Con el puñal al costado,
Sin decir jamás el nombre
De aquella que lo ha matado.
Rápida, como un reflejo,
Dos veces vi el alma, dos:
Cuando murió el pobre viejo,
Cuando ella me dijo adiós.
Temblé una vez –en la reja,
A la entrada de la viña.—
Cuando la bárbara abeja
Picó en la frente a mi niña.
Gocé una vez, de tal suerte
Que gocé cual nunca: --cuando
La sentencia de mi muerte
Leyó el alcalde llorando.
  
Oigo un suspiro, a través
De las tierras y la mar,
Y no es un suspiro, --es
Que mi hijo va a despertar.
Si dicen que del joyero
Tome la joya mejor
Tomo a un amigo sincero
Y pongo a un lado el amor.
Yo he visto al águila herida
Volar al azul sereno,
Y morir en su guarida
La víbora del veneno.
Yo sé bien que cuando el mundo
Cede, lívido, al descanso,
Sobre el silencio profundo
Murmura el arroyo manso.
Yo he puesto la mano osada
De horror y júbilo yerta,
Sobre la estrella apagada
Que cayó frente a mi puerta.
Oculto en mi pecho bravo
La pena que me lo hiere:
El hijo de un pueblo esclavo
Vive por él, calla, y muere.
Todo es hermoso y constante,
Todo es música y razón,
Y todo, como el diamante,
Antes que luz es carbón.
Yo sé que el necio se entierra
Con gran lujo y con gran llanto,--
Y que no hay fruta en la tierra
Como la del camposanto.
Callo, y entiendo, y me quito
La pompa del rimador:
Cuelgo de un árbol marchito
Mi muceta de doctor.


V

Si ves un monte de espumas,
Es mi verso lo que ves:
Mi verso es un monte, y es
Un abanico de plumas.
Mi verso es como un puñal
Que por el puño echa flor:
Mi verso es un surtidor
Que da un agua de coral.
Mi verso es de un verde claro
Y de un carmín encendido:
Mi verso es un ciervo herido
Que busca en el monte amparo.
Mi verso al valiente agrada:
Mi verso, breve y sincero,
Es del vigor del acero
Con que se funde la espada.
 
X

El alma trémula y sola
Padece al anochecer:
Hay baile; vamos a ver
La bailarina española.
Han hecho bien en quitar
El banderón de la acera;
Porque si está la bandera,
No sé, yo no puedo entrar.
Ya llega la bailarina:
Soberbia y pálida llega:
¿Cómo dicen que es gallega?
Pues dicen mal: es divina.
Lleva un sombrero torero
Y una capa carmesí:
¡Lo mismo que un alelí!
Que se pusiese un sombrero!
Se ve, de paso, la ceja,
Ceja de mora traidora:
Y la mirada, de mora:
Y como nieve la oreja.
Preludian, bajan la luz,
Y sale en bata y mantón,
La virgen de la Asunción
Bailando un baile andaluz.
Alza, retando, la frente;
Crúzase al hombre la manta:
En arco el brazo levanta:
Mueve despacio el pie ardiente.
Repica con los tacones
El tablado zalamera,
Como si la tabla fuera
Tablado de corazones.
Y va el convite creciendo
En las llamas de los ojos,
Y el manto de flecos rojos
Se va en el aire meciendo.
Súbito, de un salto arranca:
Húrtase, se quiebra, gira:
Abre en dos la cachemira,
Ofrece la bata blanca.
El cuerpo cede y ondea;
La boca abierta provoca;
Es un rosa la boca:
Lentamente taconea.
Recoge, de un débil giro,
El manto de flecos rojos:
Se va, cerrando los ojos,
Se va, como en un suspiro...
Baila muy bien la española;
Es blanco y rojo el mantón:
¡Vuelve, fosca a su rincón,
El alma trémula y sola!
  
XI

Yo tengo un paje muy fiel
Que me cuida y que me gruñe,
Y al salir, me limpia y bruñe
Mi corona de laurel.
Yo tengo un paje ejemplar
Que no come, que no duerme,
Y que se acurruca a verme
Trabajar, y sollozar.
Salgo, y el vil se desliza
Y en mi bolsillo aparece;
Vuelvo, y el terco me ofrece
Una taza de ceniza.
Si duermo, al rayar el día
Se sienta junto a mi cama:
Si escribo, sangre derrama
Mi paje en la escribanía.
Mi paje, hombre de respeto,
Al andar castañetea:
Hiela mi paje, y chispea:
Mi paje es un esqueleto.
  
XVIII

Es rubia: el cabello suelto
Da más luz al ojo moro:
Voy, desde entonces, envuelto
En un torbellino de oro.
La abeja estival que zumba
Más ágil por la flor nueva,
No dice, como antes, "tumba":
"Eva" dice: todo es "Eva".
Bajo, en lo oscuro, al temido
Raudal de la catarata:
¡Y brilla el iris, tendido
Sobre las hojas de plata!
Miro, ceñudo, la agreste
Pompa del monte irritado;
¡Y en el alma azul celeste
Brota un jacinto rosado!
Voy, por el bosque, a paseo
A la laguna vecina:
Y entre las ramas la veo,
Y por el agua camina.
La serpiente del jardín
Silva, escupe, y se resbala
Por su agujero: el clarín
Me tiende, trinando, el ala.
¡Arpa soy, salterio soy
Donde vibra el Universo:
Vengo del sol, y al sol voy:
Soy el amor: soy el verso!
 
XII

Estoy en el baile extraño
De polaina y casaquín
Que dan, del año hacia el fin,
Los cazadores del año.
Una duquesa violeta
Va con un frac colorado:
Marca un vizconde pintado
El tiempo en la pandereta.
Y pasan las chupas rojas;
Pasan los tules de fuego,
Como delante de un ciego
Pasan volando las hojas.
  
XLV

Sueño con claustros de mármol
Donde en silencio divino
Los héroes, de pie, reposan:
¡De noche, a la luz del alma,
Hablo con ellos: de noche!
Están en fila: paseo
Entre las filas: las manos
De piedra les beso: abren
Los ojos de piedra: mueven
Los labios de piedra: tiemblan
Las barbas de piedra: empuñan
La espada de piedra: lloran:
¡Vibra la espada en la vaina!:
Mudo, les beso la mano.
Hablo con ellos, de noche!
Están en fila: paseo
Entre las filas: lloroso
Me abrazo a un mármol: "Oh mármol,
Dicen que beben tus hijos
Su propia sangre en las copas
Venenosas de sus dueños!
Que hablan la lengua podrida
De sus rufianes! que comen
Juntos el pan del oprobio,
En la mesa ensangrentada!!
Que pierden en lengua inútil
El último fuego!: ¡dicen,
Oh mármol, mármol dormido,
Que ya se ha muerto tu raza!"
Échame en tierra de un bote
El héroe que abrazo: me ase
Del cuello: barre la tierra
Con mi cabeza: levanta
El brazo, ¡el brazo le luce
Lo mismo que un sol!: resuena
La piedra: buscan el cinto
Las manos blancas: del soclo
Saltan los hombres de mármol!
 
XLVI

Vierte, corazón, tu pena
Donde no se llegue a ver,
Por soberbia, y por no ser
Motivo de pena ajena.
Yo te quiero, verso amigo,
Porque cuando siento el pecho
Ya muy cargado y deshecho,
Parto la carga contigo.
Tú me sufres, tú aposentas
En tu regazo amoroso,
Todo mi ardor doloroso,
Todas mis ansias y afrentas.
  
Tú, porque yo pueda en calma
Amar y hacer bien, consientes
En enturbiar tus corrientes
En cuanto me agobia el alma.
Tú, porque yo cruce fiero
La tierra, y sin odio, y puro,
Te arrastras, pálido y duro,
Mi amoroso compañero.
Mi vida así se encamina
Al cielo limpia y serena,
Y tú me cargas mi pena
Con tu paciencia divina.
Y porque mi cruel costumbre
De echarme en ti te desvía
De tu dichosa armonía
Y natural mansedumbre;
Porque mis penas arrojo
Sobre tu seno, y lo azotan,
Y tu corriente alborotan,
Y acá lívido, allá rojo,
Blanco allá como la muerte,
Ora arremetes y ruges,
Ora con el peso crujes
De un dolor más que tú fuerte.
¿Habré, como me aconseja
Un corazón mal nacido,
De dejar en el olvido
A aquel que nunca deja?
¡Verso, nos hablan de un Dios
A donde van los difuntos:
Verso, o nos condenan juntos,
O nos salvamos los dos!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

União e Ruptura

UNIÃO E RUPTURA

Jhonatan Almada, historiador

Tenho um apreço fraternal a Franklin Douglas, o que não impede, como bem disse Niemeyer, de discordar e acordar fraternalmente também.

A ausência dos fatos e acontecimentos relevantes ocorridos no Governo Jackson Lago em relação a cooperação internacional e ao avanço da democracia participativa e direta em terras insuladas pela oligarquia e sob a égide do medo, tem mais a ver com a percepção dos mesmos em face de um governo de frente ampla e de um eleitorado ainda preocupado com a sobrevivência cotidiana, do que com a incompreensão do sentido e significado deles no visão política macro.

O drama do Maranhão desde o governo José Sarney, chegando no da filha Roseana Sarney, é que justamente traduziam o Estado pela capital. Os governadores competiam com os prefeitos da capital, lugar do maior eleitorado, deixando a míngua os atuais 216 municípios. O governo Jackson Lago e em parte também o de José Reinaldo romperam com a "lógica insular do governo estadual", dinamizando os investimentos para o continente, desconcentrado-os da ilha. É certo que o governo Jackson Lago avançou sobremaneira nisso, porém o esforço interrompido pelo golpe judicial deixou tudo a meio caminho.

Acredito que só a carta a São Luís não traduza o todo do que representou o Governo Jackson Lago nos dois sentidos já mencionados (cooperação internacional e democracia participativa e direta), por isso, considero indispensável uma Carta aos Movimentos Sociais e a Sociedade Civil Organizada dando conta disso.

Por fim é importante lembrar que a autocrítica feita nas mãos da oligarquia se transforma em outra coisa. Em tempo quente eleitoral ela será utilizada como confissão de uma incompetência (que a oligarquia julga ser detentora) que não houve no grau divulgado pela mídia sarneista durante os 2 anos e 4 meses de Governo Jackson Lago.

O desafio a meu ver é reinstituir a capacidade de entender a realidade maranhense como uma totalidade (diferente do editorial equivocado de O Imparcial de 6.ago.2010, hoje). A política não é milagrosa, resolvedora de tudo e não é o único meio de transformação real. A lógica econômica (é óbvio, mas necessário repetir) é capitalista, portanto funcionalmente excludente, nunca será a rendenção, não foi no passado e por condições objetivas não será no futuro. A estrutura governamental é falida, a máquina administrativa retrógrada, nunca aceitou a autonomia dos Conselhos de Políticas Públicas, nunca aceitou substituir o exército de cargos comissionados (muitos envelhecidos espiritualmente) por carreiras consolidadas (exceto professores e policiais mal remunerados).

Somente essas três dimensões do que poderíamos chamar de "problema maranhense" colocam por terra qualquer ingenuidade. Ao mesmo tempo reforça a centralidade da política, o fundamental da ruptura com a oligarquia e o imprescindível da união da oposição. De um lado união para derrotar a oligarquia, de outro força para fazer a ruptura.

Coloca aqui essas idéias a apreciação dos companheir@s da rede.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um Plano de Governo para o Maranhão

O fio condutor de um Plano de Governo (de Estado) para o Maranhão


Jhonatan Almada, historiador


Toda eleição majoritária traz a baila a discussão sobre o plano de governo. Alguns banalizam esse momento como se não fosse fundamental para a conquista e convencimento do eleitorado em torno do programa do candidato. Outros compreendem o significado político desse momento, valorizando-o e democratizando-o o quanto possível.


O desafio básico de qualquer plano de governo é apresentar coerência interna e coerência externa. A coerência interna é que tenha um fio condutor de todas as propostas, a linha mestra. A coerência externa é que tenha sintonia com os problemas conjunturais e estruturais da realidade social na qual está referido.


Ao desenvolver o plano de governo do candidato Jackson Lago é fundamental compreender duas ordens de coisas. Primeiro (I) é que se trata de dar continuidade, de retomar ações, projetos e programas interrompidos pelo golpe judicial de 2009, perpetrado pelos que "vem com tudo". Segundo (II) é que se baseia na experiência concreta de 2 anos e 4 meses de governo, a qual possibilitou não só o conhecimento da chamada máquina administrativa, mas também das demandas sociais reivindicadas e apresentadas pela sociedade civil organizada durante as várias consultas populares, fóruns e reuniões ampliadas realizadas.


O fio condutor em face dessas questões está referido ao eixo tríplice da democracia, do desenvolvimento e da prosperidade. A democracia (1) por que não vivemos em uma sociedade democrática, por que não temos tradição de tomar decisões governamentais com base em consultas populares, referendos e plebiscitos, mas sim com base no pretenso conhecimento da realidade advindo das elites políticas e econômicas dirigentes. O desenvolvimento (2) que no conceito mais atual é multidimensional, ambiental, econômico, social, político, cultural, simbólico, etc, não está preso ao meramente econômico e muito menos aos grandes projetos, mas focado na dinamização das economias locais, das economias dos municípios, levando a ruptura, o quanto possível, da lógica capitalista. A prosperidade (3) é a superação dos programas assistencialistas e do discurso do combate a pobreza, é efetivamente garantir as condições materiais e imateriais para o empreendedorismo, o empoderamento e a solidarização.


Nenhuma das propostas integrantes do plano de governo está deslocada desse eixo tríplice, sintonizado com desafios históricos da realidade maranhense: a ausência de alternância do poder político (A), a concentração econômica (B) e a centralização da gestão pública (C).


Dar conta de tudo, da realidade inteira é impossível para qualquer planejamento. O fundamental é enfrentar os desafios principais, realizar as ações possíveis em face dos recursos públicos disponíveis, mas, sobretudo ir de encontro, atender as reivindicações históricas dos movimentos sociais e sociedade civil organizada. Dar continuidade, mas também inovar, pois a realidade é dinâmica, ela já não é a mesma do início desse texto, tem suas permanências, mas também mudanças.


O cerne de um plano de governo para o Maranhão é ter clareza da necessidade de uma profunda reforma do Estado, não as reformas administrativas feitas por aqui pelo governo roseanista, essas foram um desastre retumbante, na verdade foram contra-reformas, por que ao invés de consolidar direitos, os subtraiu.


A reforma do Estado no sentido que defendemos aqui, passa pela refundação deste em suas bases institucionais, políticas e sociais. Sem isso é improvável que um governo consiga mudar nas estruturas o Maranhão, mais ainda, garantir que o feito não seja desfeito ou destruído pelo governo seguinte.


A reforma orientada pelo plano de governo começa já na Comissão de Transição, deve reestruturar com segurança todas as instituições do Estado (I); profissionalizar o serviço público estadual por intermédio de concurso público, carreira e remuneração (II); estabelecer com clareza para cada Secretário de Estado o que deve fazer, em quanto tempo, deixando claro que sua permanência no cargo não está apenas vinculada a questões políticas, mas ao desempenho nele (III); articular tudo isso a um projeto estadual de desenvolvimento de médio e longo prazo (IV), próprio, sem imitar outros estados, sem copiar as políticas do governo federal, mas elaborado e pensado com a própria cabeça, mediante os próprios problemas, a própria realidade.

A questão central é não copiar modelos importados, mas desenvolver projeto autóctone, próprio, referido aos nossos problemas, aos nossos desafios. Ao lado disso não ter medo de ousar e propor o inovador.


A refundação do Estado passa por uma nova Assembléia Constituinte Estadual, por uma nova Constituição Estadual, que revise profundamente o arremedo de legislação que temos. Aí já não falamos de Plano de Governo, mas de Plano de Estado.


Se o caminho possível, agora, é o das reformas, então as façamos com o povo, nunca sem ele ou por ele. Durante o governo interrompido buscamos fazer com o povo, continuemos e aprofundemos essa experiência. Não basta, como diz o poeta cubano Nicolas Guillén, fazer que floresça e frutifique a idéia, mas diante do obstáculo a ela, sacudir com mais atrevimento ante o atrevimento do obstáculo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Quedas e passos de dança

QUEDAS E PASSOS DE DANÇA

por Raimundo Palhano

 

Ingressei no governo Jackson Lago no início de 2007, próximo de sua posse no primeiro dia daquele ano. Saí logo depois de sua cassação, que ocorreu em instância final no dia 16 de abril de 2009, cumpridos dois anos e três meses de gestão emblemática.

Era tarde de 20 daquele mês, chegara de São Paulo no dia anterior e após breve reunião com os funcionários administrativos e técnicos, para as palavras finais de despedida e entrega do pedido de exoneração, tomei o rumo do elevador que me levaria até o estacionamento do Centro Administrativo localizado no Calhau..

Na curta distância percorrida entre a sede do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos, no qual atuei como presidente, até a ascensorista atenciosa de todos os dias, procurava consolo em Fernando Pessoa, o ombro a quem recorro sempre nos momentos de angústia: ..."de tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos começando, a certeza de que é preciso continuar e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção um novo caminho, da queda um passo de dança, do medo uma escola, do sonho uma ponte, da procura um encontro. E assim terá valido a pena."

Estava abalado e confuso para concentrar-me no significado dos versos pessoanos. Acabara de me submeter a uma cirurgia para a retirada da vesícula biliar e ainda estava sob o efeito dos medicamentos e, principalmente, do golpe frontal da cassação do mandato do governador. "Teria realmente valido a pena passar por tantos revezes?", perguntava-me sem cessar.

Muitas lembranças vieram-me à cabeça. A experiência interrompida no ano de 1999, em Caxias, igualmente por uma cassação inesperada. O discurso apoteótico de Jackson na Praça Maria Aragão ao receber a faixa das mãos do governador dissidente José Reinaldo. A crença de que estava começando uma nova história para o meu Estado. A emoção quase infantil do historiador Leandro Oliveira, que, do meu lado, vibrava intensamente, acompanhando aquela cerimônia inesquecível e única, sob os acordes sensíveis de Arthur Moreira Lima e os olhares, entre vagos e esperançosos, do povo ali presente.

Já fora do elevador que me transportava diariamente para o trabalho, o Maranhão e os seus desafios não me saiam da cabeça, além de mais perguntas inquietantes: ... "em que medida o governo satisfez as expectativas de seus mais de seis milhões de maranhenses?" "Será que se indignarão com a queda ou ficarão indiferentes?" 

Jackson Lago assumiu o governo para libertar o Maranhão da opressão e do poder oligárquico, principal responsável pelo seu atraso social, econômico e político. Estado que carrega em sua história social um emaranhado de problemas sem solução imediata, pois jamais foram priorizados pela oligarquia: analfabetismo, saneamento básico, infraestrutura social e pobrezas as mais diversas, incluindo-se a mais danosa de todas, a decorrente do atraso político.

Esses atributos políticos fizeram do Maranhão um Estado bem peculiar no Brasil. Quase sempre o último em tudo, ou quase tudo. A palidez dos seus indicadores sociais e econômicos, sempre entre as três piores posições no contexto nacional, virou cordel entre os cantadores e palavra de ordem dos contadores de estatísticas.

Cassado em plena metade do caminho, no momento em que tudo que havia sido pensado, formulado e programado parecia que ia dar certo, o governador Lago viu-se abruptamente afastado do cargo para o qual se preparara por toda vida. E, mais patético ainda, tendo que passá-lo às mãos daquela a quem derrotara nas eleições de 2006, Roseana Sarney, a reinvenção mais acabada do donatarismo tardio da província.

Ao deixar o estacionamento perguntava-me atônito como seria possível transformar aquela queda descomunal em um passo de dança. Olhei para trás e para os lados e não via Pessoa. Uma brisa suave me fez calmo por alguns instantes...

Agora, retornando da longa viagem existencial, passados tanto tempo, vejo o sofrido torrão maranhense aparentemente incólume a tudo que houve e foi interrompido, sintomaticamente desmemorizado, como se o tempo tivesse parado, a despeito da ampliação dos problemas e desafios e da volta dos fantasmas apavorantes. 

Impressiona ver o resistente Jackson Lago novamente cercado de armadilhas ameaçando sua nova postulação, dando a impressão de que se perderam as referências históricas de um dos mais importantes momentos de nossa vida política, certamente sufocado pelo retorno da ideologia oligárquica tradicional, modernizada pela expertise dos marqueteiros profissionais, magos do engenho ilusionista.

Velhas práticas travestidas de novas, processos de cooptação os mais inacreditáveis, alianças políticas completamente absurdas e fisiológicas ao extremo, métodos de governo muitas vezes mais condenáveis do que aqueles que levaram à guilhotina o antigo governo, são fenômenos que transbordam o cotidiano político do Estado, justificados pela falsa inexorabilidade salvacionista de novo ciclo de investimentos privados e federais, na magia dos novos "grandes projetos" e na camuflagem de uma velha elite dirigente que se comporta como neófita na arte de governar, sem atribuir-se a menor responsabilidade nos destinos do Estado nas últimas cinco décadas.

A despeito da força descomunal dos poderosos, das minhas inseguranças e tormentos pessoais, continuo firmemente acreditando que seremos capazes de transformar tudo isso em um passo de dança. Mesmo sabendo das dificuldades de fazer previsões seguras sobre a resposta da população nas eleições de outubro, uma brisa anuncia que a resposta virá. Paira na atmosfera uma música que certamente levará o povo a sair da indiferença. Já não são poucos os que se livraram da cegueira.

O maior dos enigmas é saber o que resultará desse complexo processo político, que em tudo ficou muito velho, apodrecido, e, ao mesmo tempo, parece agora que está acabando de nascer. Insisto, algo muito forte diz que o povo não assistirá a tudo isso de modo indiferente. Há sinais de que a estratégia dos donatários desta vez não funcionará. Já é possível ver a presença inexorável da morte em tudo que parecia eterno. E, se assim for, terá valido a pena.   

 

 

 

domingo, 18 de julho de 2010

QUEDAS E PASSOS DE DANÇA

QUEDAS E PASSOS DE DANÇA

por Raimundo Palhano


Ingressei no governo Jackson Lago no início de 2007, próximo de sua posse no primeiro dia daquele ano. Saí logo depois de sua cassação, que ocorreu em instância final no dia 16 de abril de 2009, cumpridos dois anos e três meses de gestão emblemática.

Era tarde de 20 daquele mês, chegara de São Paulo no dia anterior e após breve reunião com os funcionários administrativos e técnicos, para as palavras finais de despedida e entrega do pedido de exoneração, tomei o rumo do elevador que me levaria até o estacionamento do Centro Administrativo localizado no Calhau.

Na curta distância percorrida entre a sede do Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos, no qual atuei como presidente, até a ascensorista atenciosa de todos os dias, procurava consolo em Fernando Pessoa, o ombro a quem recorro sempre nos momentos de angústia: ...”de tudo ficam três coisas: a certeza de que estamos começando, a certeza de que é preciso continuar e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção um novo caminho, da queda um passo de dança, do medo uma escola, do sonho uma ponte, da procura um encontro. E assim terá valido a pena.”

Estava abalado e confuso para concentrar-me no significado dos versos pessoanos. Acabara de me submeter a uma cirurgia para a retirada da vesícula biliar e ainda estava sob o efeito dos medicamentos e, principalmente, do golpe frontal da cassação do mandato do governador. “Teria realmente valido a pena passar por tantos revezes?”, perguntava-me sem cessar.

Muitas lembranças vieram-me à cabeça. A experiência interrompida no ano de 1999, em Caxias, igualmente por uma cassação inesperada. O discurso apoteótico de Jackson na Praça Maria Aragão ao receber a faixa das mãos do governador dissidente José Reinaldo. A crença de que estava começando uma nova história para o meu Estado. A emoção quase infantil do historiador Leandro Oliveira, que, do meu lado, vibrava intensamente, acompanhando aquela cerimônia inesquecível e única, sob os acordes sensíveis de Arthur Moreira Lima e os olhares, entre vagos e esperançosos, do povo ali presente.

Já fora do elevador que me transportava diariamente para o trabalho, o Maranhão e os seus desafios não me saiam da cabeça, além de mais perguntas inquietantes: ... “em que medida o governo satisfez as expectativas de seus mais de seis milhões de maranhenses?” “Será que se indignarão com a queda ou ficarão indiferentes?”
Jackson Lago assumiu o governo para libertar o Maranhão da opressão e do poder oligárquico, principal responsável pelo seu atraso social, econômico e político. Estado que carrega em sua história social um emaranhado de problemas sem solução imediata, pois jamais foram priorizados pela oligarquia: analfabetismo, saneamento básico, infraestrutura social e pobrezas as mais diversas, incluindo-se a mais danosa de todas, a decorrente do atraso político.

Esses atributos políticos fizeram do Maranhão um Estado bem peculiar no Brasil. Quase sempre o último em tudo, ou quase tudo. A palidez dos seus indicadores sociais e econômicos, sempre entre as três piores posições no contexto nacional, virou cordel entre os cantadores e palavra de ordem dos contadores de estatísticas.
Cassado em plena metade do caminho, no momento em que tudo que havia sido pensado, formulado e programado parecia que ia dar certo, o governador Lago viu-se abruptamente afastado do cargo para o qual se preparara por toda vida. E, mais patético ainda, tendo que passá-lo às mãos daquela a quem derrotara nas eleições de 2006, Roseana Sarney, a reinvenção mais acabada do donatarismo tardio da província.
Ao deixar o estacionamento perguntava-me atônito como seria possível transformar aquela queda descomunal em um passo de dança. Olhei para trás e para os lados e não via Pessoa. Uma brisa suave me fez calmo por alguns instantes...

Agora, retornando da longa viagem existencial, passados tanto tempo, vejo o sofrido torrão maranhense aparentemente incólume a tudo que houve e foi interrompido, sintomaticamente desmemorizado, como se o tempo tivesse parado, a despeito da ampliação dos problemas e desafios e da volta dos fantasmas apavorantes.
Impressiona ver o resistente Jackson Lago novamente cercado de armadilhas ameaçando sua nova postulação, dando a impressão de que se perderam as referências históricas de um dos mais importantes momentos de nossa vida política, certamente sufocado pelo retorno da ideologia oligárquica tradicional, modernizada pela expertise dos marqueteiros profissionais, magos do engenho ilusionista.

Velhas práticas travestidas de novas, processos de cooptação os mais inacreditáveis, alianças políticas completamente absurdas e fisiológicas ao extremo, métodos de governo muitas vezes mais condenáveis do que aqueles que levaram à guilhotina o antigo governo, são fenômenos que transbordam o cotidiano político do Estado, justificados pela falsa inexorabilidade salvacionista de novo ciclo de investimentos privados e federais, na magia dos novos “grandes projetos” e na camuflagem de uma velha elite dirigente que se comporta como neófita na arte de governar, sem atribuir-se a menor responsabilidade nos destinos do Estado nas últimas cinco décadas.

A despeito da força descomunal dos poderosos, das minhas inseguranças e tormentos pessoais, continuo firmemente acreditando que seremos capazes de transformar tudo isso em um passo de dança. Mesmo sabendo das dificuldades de fazer previsões seguras sobre a resposta da população nas eleições de outubro, uma brisa anuncia que a resposta virá. Paira na atmosfera uma música que certamente levará o povo a sair da indiferença. Já não são poucos os que se livraram da cegueira.

O maior dos enigmas é saber o que resultará desse complexo processo político, que em tudo ficou muito velho, apodrecido, e, ao mesmo tempo, parece agora que está acabando de nascer. Insisto, algo muito forte diz que o povo não assistirá a tudo isso de modo indiferente. Há sinais de que a estratégia dos donatários desta vez não funcionará. Já é possível ver a presença inexorável da morte em tudo que parecia eterno. E, se assim for, terá valido a pena.

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