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Maranhão: O Estado da Hipocrisia

MARANHÃO: O ESTADO DA HIPOCRISIA. por Abdelaziz Aboud Santos Os grupos políticos hegemônicos, de extração plutocrática e oligárquica, que se apoderaram do governo no Maranhão nas últimas décadas,  alicerçaram seus poderes na invenção de um complexo sistema de imposturas, que se manifesta como charlatanice, fingimento, falsa devoção e cinismo. Os donos do poder se consagram e se fortalecem não por suas virtudes éticas ou por suas contribuições ao desenvolvimento da democracia e da sociedade, mas, sobretudo, pela capacidade de tapear a maior parte da população com falsos e irrealizáveis projetos de desenvolvimento. Não precisa ir muito longe para comprovar o que se diz. Estereótipos como Maranhão Novo, Terra da Promissão, Maranhão: Meu Torrão, Minha Paixão são alegorias clássicas dessa peculiar maneira de incutir no imaginário popular a ideia de um Maranhão amado e fadado ao paraíso. Falsidades e cinismos que se baseiam em imagens interpostas entre o i...

O QUE SARNEY PENSA DOS MANIFESTANTES?

Jhonatan Almada , historiador. A resposta a essa pergunta é dada por ele mesmo, José Sarney, no seu artigo de hoje, 23 de junho de 2013, do jornal “O Estado do Maranhão”, jornal sua propriedade e provavelmente o único que ainda publica seus escritos. O artigo se chama, paradoxalmente, “Resposta sem pergunta”. Primeiro, ele afirma que todos os seres humanos têm demandas pessoais ou estão insatisfeitos com alguma coisa. Aqui ele iguala todas as demandas e todos os seres humanos, só assim, pode se incluir entre os manifestantes. Ignorando ingenuamente/inteligentemente classes sociais, status social e acesso ao poder, José Sarney se torna igual aos manifestantes que tomaram as ruas do Brasil e da província que imagina ser propriedade sua. Segundo, afirma que a característica da juventude é querer mudar o mundo, porém, isso não se fará do dia para a noite, pois nós aqui do Ocidente não temos a noção de tempo. Fala isso, plagiando sem saber Che Guevara e citando sem entender De...

O gigante desperta!

Descansa, ó gigante, que encerras os fados,  Que os términos guardas do vasto Brasil. Porém se algum dia fortuna inconstante Puder-nos a crença e a pátria acabar,  Arroja-te às ondas, o duro gigante,  Inunda estes montes, desloca este mar! (Gonçalves Dias. O Gigante de Pedra)

A página mais bela da História do Brasil

Jhonatan Almada , historiador. Os movimentos de protesto que conquistaram as ruas das grandes cidades do Brasil renovam em mim a crença na capacidade de mobilização de cada um e de cada uma que juntos tornam real e concreta a abstração a enfeitar quase toda Constituição no mundo: o povo. Não são os indivíduos da direita, não são os cidadãos da esquerda moderada, tão pouco os corpos da esquerda pós-moderna. É o povo. As pessoas vão às ruas anunciar sua indignação de forma pública, sentimental e incansável. Não precisam de siglas partidárias que há muito não as representam. Não precisam de bandeiras claras, pois a indignação mais legítima é a que não se limita num pedaço de papel com pautas e proposições. Não precisam de lideranças, pois a democracia que exercem é a direta. Não precisam ser pacíficas, pois foi a passividade e a cordialidade que nos colocaram no atual patamar de corrupção e de tolerância com a corrupção. Não precisam de aprovação da mídia dominante, tão pouco da s...

COMO AMAM NOSSAS CRIANÇAS OU A EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO

Jhonatan Almada, historiador. As questões que envolvem o currículo sempre interessaram diretamente os grupos no poder, seja para encenação, seja para controlar o acesso ao conhecimento socialmente relevante. O professor Jorge Larrosa em uma instigante palestra sobre a educação como adoção, a qual assisti no início do mês, compara o Estado aos ogros das histórias infantis. Os ogros devoram as crianças por que amam as crianças. As famílias entregam seus filhos e filhas às escolas públicas imaginando que nelas eles terão acesso a um futuro melhor. Um futuro decantado, ainda que dificilmente materializado para as maiorias. Quando se pensa o currículo no Estado do Maranhão há que se duvidar sempre de leis que criam disciplinas ou instituem a obrigatoriedade do ensino de determinados conteúdos. O projeto de lei do deputado Manoel Ribeiro (PTB) que cria a disciplina de Educação para o Trânsito, aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa é apenas um e...

PRESERVAR A MEMÓRIA DO FEITO E SUPERAR O ESPANTO

Jhonatan Almada, historiador e primeiro secretário do Instituto Jackson Lago Todos os dias, íamos, eu e dois amigos, acompanhar o processo de cassação de Dr. Jackson no Acampamento Balaiada montado em frente ao Palácio dos Leões. Íamos após o expediente de trabalho. Não imaginávamos que eram os últimos dias de um governo com tantas realizações e muito mais a caminho. Recebi de forma impactante a notícia da cassação. Pesaroso, me despedi dos colegas de trabalho no Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômicos e Cartográficos (Imesc) e na Secretaria de Planejamento (Seplan). Fui arrebatado pelas lágrimas, pela frustração. O que poderia ter sido, não pôde ser. Imperou o arbítrio do grupo político dominante, liderado pelo senador José Sarney, há meio século. Foi doloroso ver todo um trabalho ser achincalhado diariamente pela mídia do grupo e ao mesmo tempo, ver esse mesmo trabalho, ser apropriado, desvirtuado e apresentado como algo deles. Dia, 17 de abril de 2013, quatro anos...

MINISTÉRIO PÚBLICO DO MARANHÃO E A GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO

Jhonatan Almada, historiador, primeiro secretário do Instituo Jackson Lago e secretário executivo da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae) no Maranhão. O Ministério Público do Estado do Maranhão tem um acúmulo significativo de ações na defesa do direito à educação. Um dos trabalhos mais relevantes foi a campanha institucional “Escola – Direito da Criança, dever de todos nós” desenvolvida na gestão do procurador geral Raimundo Nonato de Carvalho Filho, contanto com o apoio do UNICEF, da UNDIME, dentre outros atores institucionais relevantes, durante a década de 1990. Essa experiência foi reconhecida e premiada, contribuindo para a implantação dos Sistemas Municipais de Ensino, Conselhos Municipais de Educação, Conselhos de Direitos das Crianças, Conselhos Tutelares e adoção de metodologias de controle da evasão escolar. Desde então, o Ministério Público (MP) tem tido uma atuação de menor intensidade quanto à garantia do direito à educação, especi...