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EDUCAÇÃO EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA

Acompanho com apreensão os desdobramentos da pandemia provocada pelo coronavírus. A Organização Mundial de Saúde-OMS está sempre atualizando as informações, a UNESCO liderou reuniões com os Ministros da Educação, as instituições de pesquisa e saúde tem trabalhado duramente para facilitar o diagnóstico e desenvolver uma vacina, empresas tem ampliado seus programas de apoio e doação.

Ainda que tenha sido engraçado ouvir a Card B falar coronavírus, o assunto é sério e exige responsabilidade e ação das autoridades públicas e de todos nós. Segundo o painel de monitoramento da UNESCO, até o presente momento, 107 países suspenderam as aulas e fecharam suas escolas, atingindo 861 milhões de crianças e jovens no mundo todo. O painel é atualizado diariamente e pode ser acessado no site da organização.

Em levantamento que fiz para a Rede de Planificadores Educativos da América Latina-RedPEL, todos os Ministérios da Educação em alinhamento com os Ministérios da Saúde apresentaram protocolos com orientações objetivas e claras para as escolas e as universidades. Infelizmente, o Ministério da Educação do Brasil só tomou conhecimento do coronavírus no início desta semana, Estados e Municípios estão agindo há tempos.

Na mesma linha, os Chefes de Estado dos já referidos 107 países decidiram suspender as aulas pelo período de 15 a 30 dias, além de fecharem as fronteiras. E aqui? O Presidente Bolsonaro estimulou mobilizações em massa e participou delas desobedecendo a própria quarentena. Não é só uma questão de imagem do nosso país, mas de irresponsabilidade com a saúde das pessoas e de não estar à altura do cargo.

Na contramão de Bolsonaro, os Ministérios da Saúde e de Segurança expediram portarias autorizando a prisão daqueles que descumprirem a quarentena. Nada mal começarem pelo Presidente.

As situações de emergência não estão previstas, claro, mas existe a área de planejamento educativo para situações de emergência, como catástrofes climáticas, migrações forçadas, guerras e pandemias. O fundamental é garantir o direito de aprender dos estudantes em quaisquer situações, pois é a partir da educação que podemos construir a cultura de paz.

As plataformas de educação a distância são uma alternativa para milhões de estudantes ante a impossibilidade de ir à escola. A Argentina lançou sua plataforma com esse objetivo, bem como, outros governos da América Latina, Europa e Ásia.

Não basta suspender as aulas e nem adianta fazê-lo mantendo as equipes escolares trabalhando, nossas autoridades precisam colocar a mão na consciência e ver o mundo. Importante é apresentar o planejamento para esse período excepcional e repor as aulas, caso o contrário, a suspensão será entendida como férias antecipadas, prejudicando os estudantes.

Quanto a nós cidadãos e cidadãs, façamos a nossa parte, sigamos as orientações das autoridades de saúde e cuidemos uns dos outros, a vida é insubstituível.

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