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Jackson Lago, Legado e Memória

Costuma-se dizer das sementes que para completarem satisfatoriamente as germinações precisam de um tempo para florescer e se tornarem frutos maduros. Assim também acontece com os planos, programas, projetos e ações na gestão governamental. Quando se trata de política pública, necessária se faz uma investigação da sua gênese, do seu desenvolvimento, do controle social permanente da execução e da sua avaliação periódica. Sem esses elementos, nem sequer se pode abrir a boca para falar da existência de uma política pública.

A administração Jackson Lago, interrompida pelo golpe judicial perpetrado pela oligarquia Sarney, nunca foi objeto de uma avaliação isenta, que não resvalasse, por um lado, no ufanismo governista de quem a defendia ou a integrava; e por outro, pela crítica sem fundamentação dos seus desafetos ou por analistas desinformados de suas principais realizações. Atrevo-me a dizer que, do conjunto de erros e acertos que cometemos, não podem ser extraídas da contabilidade muitas ações inovadoras e estruturantes que tiveram seus nascedouros em pactos legítimos estabelecidos entre o Estado e a Sociedade, cumprindo um dos principais requisitos exigidos de uma política pública.

Lançando mão de alguns modestos mais representativos exemplos, citamos: Os inúmeros fóruns descentralizados protagonizados pela sociedade civil, visando à discussão e a execução de políticas públicas; os Mutirões da Cidadania; as iniciativas na área da cooperação internacional, que resultaram na realização de um colóquio do Banco Mundial no Maranhão, no Seminário PROITA (proteção da bacia do Rio Itapecuru) e nas missões oficiais à França, Cuba, Venezuela, Uruguai, etc.; a reestruturação do IMESC e a elaboração de um projeto inovador de Regionalização da Administração; a elaboração e revisão do PPA, baseadas em contribuições de movimentos sociais e de agremiações empresariais; O PAC do Rio Anil; o Programa Segurança Cidadã; as bases do Programa Estadual de Direitos Humanos; o Plano Estadual de Artesanato e o Plano Estadual de Cultura (2007-2010), este último até hoje referência para as administrações culturais de todo o País.

Por iniciativa da família do Governador Jackson Lago, coordenada pela Dra. Clay Lago, juntamente com um grupo de pessoas que integraram a administração do seu marido, nesta segunda-feira, 29 de agosto, no Auditório do Palácio Cristo Rei, a partir das 18 horas, será realizada uma reunião ampliada, que terá como principal objetivo o lançamento das diretrizes e princípios para a criação do Instituto Jackson Lago.

A ideia do Instituto nasce focada em quatro vertentes principais, porém aberta para abrigar outras contribuições sintonizadas com o espírito destas: a) um memorial da vida pública de Jackson Lago; b) um espaço para estudos, pesquisas e debates, contemplando as bandeiras políticas concretas e atualizadas do povo maranhense e brasileiro; c) a relação com a sociedade (movimentos sociais, grupos organizados, instituições, etc.); e d) a articulação internacional (cooperação desenvolvida durante o governo e a participação do político Jackson Lago em atividades relevantes da história recente do País e do mundo).

O caráter suprapartidário do Instituto deve ser a sua principal marca, a fim de que seja assegurada a pluralidade de idéias e a amplitude dos seus horizontes, além de proporcionar a abertura para as diferentes contribuições no plano da produção intelectual do Estado.

Com certeza este será um dos passos mais significativos para honrar a memória do cidadão Jackson Lago e o legado da sua administração para as gerações presentes e futuras. A todos nós maranhenses, que tivemos o privilégio de tê-lo como Governador, eleito pela vontade soberana do povo, cabe a responsabilidade de zelar pelo respeito a sua memória e ao grande exemplo que foi a sua vida pública.


Por Joaozinho Ribeiro

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