Pular para o conteúdo principal

A CIÊNCIA ESTÁ AMEAÇADA

A elite política ainda não compreende a importância do investimento em educação, isso é sabido. Compreende menos ainda a relevância de se investir em ciência, tecnologia e inovação, basta constatar que o programa espacial brasileiro recebeu menos de 100 milhões de dólares por ano, enquanto os países que dominam a exploração espacial aplicam acima de 1 bilhão de dólares por ano. Afirmo isso em um contexto de retomada das discussões quanto à exploração da Base de Alcântara para fins comerciais pelos Estados Unidos e possivelmente outros países interessados.

No entanto, devo reconhecer o esforço genuíno da bancada maranhense na Câmara dos Deputados e no Senado Federal para fazer que isso dê certo dessa vez. E, reconheço também o empenho do Ministério da Ciência e Tecnologia em materializar essa exploração com possibilidade de ganhos reais para o Maranhão em tempos da mais desanimadora paralisia e escassez absoluta de futuros.

Não é a primeira vez que a Base contagia os maranhenses, poderia enumerar as experiências anteriores e as realizações recentes para formar pessoal que possa ocupar as oportunidades profissionais. Contudo, o Maranhão é outro, fizemos a lição de casa, criando a graduação em engenharia aeroespacial na UFMA, o mestrado profissional da UEMA e o doutorado em rede, inicialmente aprovado como mestrado profissional pela CAPES, o qual envolve UEMA, UFMA, UFRN, UFPE e ITA.

As instituições para a formação dos especialistas exigidos em tal empreendimento já foram criadas no Maranhão, resultados alcançados com o plano de metas da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação no período 2015-2018, com desdobramentos em 2019. Isso significa que o debate conosco não pode ser de cima para baixo. O debate tem que ser horizontal, respeitando o trabalho acumulado, como foi feito no Seminário “Base de Alcântara: próximos passos” organizado pelo Governo do Estado.

Boas ideias e intenções sem financiamento não duram, todos temos limites. O cenário da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil se encontra nessa encruzilhada, o orçamento do Ministério regrediu mais de uma década, o que ameaça a manutenção das pesquisas atuais e impede qualquer possibilidade de ampliação.

Nossas bolsas de mestrado e doutorado são inferiores ao salário necessário para sustentar uma família, o que obriga nossos pesquisadores a fazerem bicos e viverem pendurados. Acredito que nenhum leitor tenha dúvidas quanto aos talentos científicos existentes em nosso continental e diverso país, milhares e milhares de jovens pesquisadores, com premiações nacionais e internacionais, mas desempregados.

O que ocorrerá se isso não for mudado? Perderemos esses jovens para a China, Estados Unidos, União Europeia, Japão e Coréia do Sul, lá se investe mais de 2% de todas as riquezas da nação em pesquisa e desenvolvimento. E é desses países que consumimos as tecnologias de carros, celulares, satélites, computadores e televisores em troca dos nossos grãos. Não são a Pasárgada do poeta Manuel Bandeira, mas tratam os cientistas como amigos do rei.

Precisamos encontrar caminhos para proteger esse setor das intempéries conjunturais, por isso, proponho a criação de Lei de Incentivo à Ciência, similar às que existem para a Cultura e Esportes, incluindo abater do Imposto de Renda doações destinadas ao financiamento de pesquisa, além de reservar percentuais dos royalties de petróleo, gás, energias renováveis, mineração e exploração espacial com transferência desses recursos diretamente para as fundações de apoio das instituições de pesquisa e ensino

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

BANQUE O DURO, MEU CHEFE

BANQUE O DURO , MEU CHEFE ! Por Raimundo Palhano Não deixe o seu lugar. Foi o conselho do venerável Bita do Barão de Guaré ao presidente do Senado, José Sarney, que, ao que parece, está sendo levado extremamente a sério. Quem ousaria desconsiderá-lo? Afinal, não se trata de um simples palpite. Estamos frente à opinião de um sumo sacerdote do Terecô, um mito vivo para o povo de Codó e muitos outros lugares deste imenso Maranhão. Um mago que, além de Ministro de Culto Religioso, foi agraciado pelo próprio Sarney, nos tempos de presidência da República, com o título de Comendador do Brasil, galardão este acessível a um pequenino grupo de brasileiros. Segundo a Época de 18.02.2002, estamos falando do pai de santo mais bem sucedido, respeitado, amado e temido do Maranhão. Com toda certeza o zelador de santo chegou a essa conclusão consultando seus deuses e guias espirituais. Vale recordar que deles já havia recebido a mensagem de que o Senador tem o “corpo fechado”. Ketu,

POR QUE HISTÓRIA É IMPORTANTE?

POR QUE HISTÓRIA É IMPORTANTE?  Pensando no que ocorreu com o Brasil nos últimos 4 anos e na enxurrada de informações destes dias pós-eleições tenho clareza de que HISTÓRIA é cada vez mais fundamental para entender o presente e não nos deixar reféns do momento, vejam o #Enem . O atual Ministro da Educação divulgou os inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio-Enem 2022 com um tom de comemoração em junho. O número de inscritos 2022 aumentou em relação a 2021, bem como, cresceram as isenções. Quando não se tem a perspectiva histórica sobre o Enem, facilmente nos enganamos, até por boa fé em relação às autoridades constituídas. O fato é que número de #jovens que se inscrevem no Enem caiu de forma expressiva, cerca de 35,6% em relação a 2014. E aí? E aí que não há nada para se comemorar. O número de jovens que não estão continuando seus estudos cresceu, a pandemia foi o golpe de misericórdia. A #Universidade deixou de ser um sonho para esses jovens, precisamos estudar HISTÓRIA e não se

ESTRADA DO SOL - João Batista Ericeira

Ainda estou muito sentido e impactado, escrevo algumas linhas com os olhos cheios d'água.  Conheci o professor Ericeira há 16 anos, pouco depois de vir morar em São Luís, fui aluno do curso de políticas públicas oferecido pela Escola de Formação de Governantes(EFG) dirigida por ele e vinculada à Escola de Governo da Universidade de São Paulo-USP, criada por Fábio Konder Comparato. Ali fomos construindo nossa amizade a partir da relação mestre e aluno. Nestes 16 anos sempre estivemos juntos, nunca passamos uma semana sem nos falar, quando ligava falava com a voz grave "- Professor Almada, como estão as coisas?". Depois caíamos na risada e assim levamos, trabalhamos juntos na Escola de Formação de Governantes, onde me tornei professor e coordenador de projetos; na Escola Superior de Advocacia, onde criamos dois Cursos de Especialização em Direito; na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e no Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão. "São