domingo, 18 de março de 2012

Instituto Jackson Lago: celebrando a vida

Instituto Jackson Lago: celebrando a vida

O movimento cujo ponto de culminância é o Instituto Jackson Lago teve seu começo em junho de 2011, quando ex-integrantes e colaboradores do Governo Jackson Lago (2007-2009) começaram a se encontrar com o objetivo de resgatar, registrar e preservar a memória da administração estadual, interrompida pelo golpe judiciário de 17 de abril de 2009. Percebíamos que essa memória já estava sob o efeito de amnésia seletiva, silêncio midiático e ruminação detratora, em especial por parte daqueles que lhe deram peleja constante. Devíamos agir e agimos, de forma tempestiva e organizada.

A esse grupo, somaram-se os familiares de Jackson Lago (1934-2011), sobretudo Clay Lago e os filhos Igor, Luciana e Ludmila. Baseados em trabalho sério, colaborativo, dedicado e voluntário, em menos de dois meses esse grupo lançou o levantamento preliminar da Memória do Governo, publicado em CD e distribuído em agosto de 2011, em evento público de divulgação, realizado no Palácio Cristo Rei.

O fruto capital desse movimento foi a maturação da ideia de um Instituto que pudesse abrigar o volume de material já levantado e por levantar, bem como, laborasse como um espaço permanente de releitura do legado jackista e intervenção no debate público contemporâneo. Em 1º de fevereiro de 2012, após cinco meses de encontros semanais, o Instituto Jackson Lago foi formalizado em Assembléia Geral, a qual aprovou seu estatuto e elegeu sua primeira diretoria para um mandato de quatro anos. Historicamente legitimada a assumir essa liderança, coube a Clay Lago a Presidência do Instituto.

Em primeiro lugar é importante destacar o caráter pioneiro desse movimento. O pioneirismo advém do fato de ser a primeira instituição maranhense na forma associativa que se dedica, concretamente, a preservar a vida pública de um Governador do Maranhão, Prefeito da capital por três mandatos, Secretário Municipal e Estadual de Saúde, Deputado Estadual, Professor da Universidade Federal do Maranhão, médico.

Em segundo lugar, cumpre explicitar as 12 finalidades estatutárias: I. preservação e disponibilização da memória material e imaterial da vida pública de Jackson Lago; II. estímulo ao amplo conhecimento do Maranhão; III. promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da sustentabilidade ambiental, da democracia e de outros valores universais; IV.defesa da pluralidade e das diversidades; V. promoção da cultura; VI. produção e disseminação de informações e conhecimentos que contribuam com o debate sobre o desenvolvimento e a consolidação democrática no Maranhão, no Brasil e no mundo; VII. produção, publicação e divulgação de livros, revistas, jornais, teses, dissertações e monografias; VIII. construção de agendas públicas de estudos, pesquisas e debates; IX. estímulo a formação, expressão e mobilização política e social; X. premiação e divulgação de estudos, pesquisas e experiências governamentais ou sociais; XI. desenvolvimento de programas de cooperação internacional e XII. estabelecimento de convênios, acordos ou parcerias, com entidades congêneres e afins.

O poeta Manuel Bandeira afirmava que duas vezes morríamos: na carne e no nome. Na carne, por que ela é finita e seu epílogo é inescapável. No nome, por que acabada a vida, compassadamente deixamos de ser mencionados. A principal forma que os homens e mulheres descobriram para burlar a morte, celebrar a vida e honrar seus antecessores foi criando instituições. O Instituto Jackson Lago soma-se a esse esforço secular e atual enquanto um lugar da memória, da produção de conhecimento, da promoção dos valores democráticos, da defesa da pluralidade e da diversidade, da cooperação internacional e da construção da agenda democrática. Sintam-se convidados a construí-lo.

Por Jhonatan Almada, historiador e primeiro secretário do Instituto Jackson Lago

Publicado no Jornal Pequeno, 18 de março de 2012, domingo, p. 7

sexta-feira, 16 de março de 2012

Jackson Lago - uma biografia para o nosso tempo


JACKSON LAGO

uma biografia para o nosso tempo[1]

O Grupo Escolar Oscar Galvão e o Colégio Professor Vidigal ainda estão lá, em Pedreiras, como testemunhas vivas a guardar memórias desse maranhense exemplar aí nascido em 01/11/1934.

Estruturava-se, então, uma rara vocação de serviço e servidor público, sua marca indelével por toda a vida.

De Pedreiras a São Luís, onde freqüentou o prestigiado Colégio Maristas, Jackson Lago foi amadurecendo, mesmo que adolescente, sua aprendizagem de mundo e seu convívio humano e cultural com a admirada Atenas Brasileira.

Vocacionado a servir e a salvar vidas, formou-se médico cirurgião na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, aprimorando-se também na residência médica do Departamento de Doenças Pulmonares da Policlínica Geral da Cidade do Rio, então Capital político-administrativa e cultural do Brasil.

Com a alma encharcada de chão das vivências da saga do arroz e das aventuras sociais e humanas dos migrantes nordestinos nos vales úmidos do Mearim e Pindaré maranhenses; além do dia-a-dia dos estudos médicos e do trabalho no antigo IAPC, Jackson Lago viu, de perto, no Rio, os fervilhantes e decisivos acontecimentos políticos do Brasil dos anos 1950 e 1960: o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, a transferência por JK, da capital federal do Rio para Brasília, a renúncia do Presidente Jânio Quadros, a deposição do Presidente João Goulart.

Na condição de estudante de medicina, participa, então, das batalhas da UNE (União Nacional dos Estudantes), presencia o Comício de 13 de março de 1964 da Central do Brasil pelas Reformas de Base, fez-se amigo de Neiva Moreira e João do Vale.

Com o vazio político decorrente do Golpe Militar de 1964 e concluído seu curso e a especialização médica, retorna ao Maranhão para a batalha da medicina, sem imaginar que sua personalidade política e profissional já consolidada seria de pronto notada e requisitada para a construção da História.

Solicitada pelo Prefeito Epitácio Cafeteira, a Associação Médica do Maranhão indicou Jackson Lago para ser o novo Secretário Municipal de Saúde de São Luís, o que permitiu também que participasse ativamente do primeiro grande confronto político com o sarneysismo que tentou agressivamente depor o prefeito recém eleito (Cafeteira), revelando e antecipando seus métodos ditatoriais e anti-democráticos agora conhecidos do Brasil inteiro.

Paralelamente ao início desses embates, assumiu a cadeira de professor de cirurgia torácica da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), clinicou no Sanatório Getúlio Vargas, no Hospital Geral do Estado e no Hospital Presidente Dutra.

Anos pacientemente seguidos e vividos de acompanhamento diário das mazelas sociais corporificadas na situação sanitária de pessoas, famílias e comunidades, acabaram por irromper na consciência e nas decisões do médico humanista, que se viu, então, arrebatado para as fileiras da resistência democrática.

Em 1974, é eleito deputado estadual pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) maranhense, exercendo aí um extraordinário mandato parlamentar em favor da luta pela terra e contra a grilagem; denuncia a nefasta Lei de Terras do Sr. Sarney; funda O Rumo, um jornal de combate em favor da vida; convida, via Assembléia Legislativa, Dom Helder Câmara a visitar e pregar em São Luís; alia-se aos movimentos pela moradia, engajando-se na batalha dos direitos humanos; participa da campanha de educação popular pela saúde e é voz atuante na defesa dos direitos democráticos pela anistia, pelo retorno dos exilados e das eleições diretas.

Convidado por Leonel Brizola, participou, em 1979, do Encontro de Lisboa (Portugal) reunindo trabalhistas do Brasil e exilados, preparando as bases teóricas, políticas e culturais de reconstituição do lendário Partido Trabalhista Brasileiro, ao lado de Neiva Moreira, Darcy Ribeiro, Francisco Julião, Teotônio dos Santos, Abdias Nascimento e tantos outros.

Conquistada a Anistia, é um dos fundadores nacionais do Partido Democrático Trabalhista (PDT), após ver esbulhado de Leonel Brizola o sonhado PTB de Getúlio Vargas e João Goulart.

Visando fortalecer o novo partido, candidata-se em 1985 a prefeito de São Luís.

Em 1987, Epitácio Cafeteira, agora eleito e empossado governador, repete a dobradinha de 20 anos atrás e nomeia Jackson Lago Secretário Estadual de Saúde, oportunidade plenamente aproveitada para a realização de um trabalho de impacto do qual sobressai a implantação de 5 (cinco) Unidas Mistas de Saúde da Ilha de São Luís, nos bairros do Anjo da Guarda, Coroadinho, Bequimão, Cidade Operária e Maiobão, funcionando 24 horas por dia.

Em 1988, já reconhecido, fortalecido e experimentado pelas batalhas da vida cotidiana e das lutas democráticas pela cidadania, São Luís o consagra seu dirigente máximo, elegendo-o prefeito da Capital. Consolidava-se aí uma fortíssima liderança democrática capaz de mudar São Luís para sempre.

Em 1992, a população, aprovando seu trabalho, elege prefeita sua sucessora indicada.

Sentindo sua falta, a chapa Volta Jackson (com Domingos Dutra, do PT, na vice) é eleita em 1996 para governar São Luís outra vez.

Em 2000, já instituído o dispositivo legal da reeleição, Jackson é reeleito e, pela terceira vez, assume, em 2001, a Prefeitura de São Luís.

Em 2002, candidata-se outra vez (a primeira foi em 1994) a governador do Maranhão e recebe consagradora votação no 1º turno, avenida aberta para uma vitória retumbante no 2º turno, disputa impedida por artifícios absurdos arrancados junto à inexplicável Justiça Eleitoral do Estado e do País.

Foram tempos duros, maldosos e mesquinhos, recheados de golpes e rareados de esperança. Mas o batalhador Jackson Lago não desistiu.

Reconhecido no slogan Trabalho e Honestidade, admirado pelo senso agudo de respeito e pontualidade, sério, cordato, mas aguerrido e corajoso, experiente nas artes administrativas de fazer mais com menos, eleito duas vezes em pesquisa nacional do Instituto Data Folha melhor prefeito de capitais do Brasil; vê, em 2004, ser reeleito Prefeito de São Luís seu vice-prefeito de 2000 e sucessor por ele indicado.

Todo esse ativo cultural e político, de certa forma incomum no Estado sitiado, é admiravelmente bem utilizado para a constituição da Frente de Libertação do Maranhão, que Jackson Lago funda para a eleição de Governador de 2006, pleito histórico de repercussão nacional e internacional e divisor de águas na historiografia maranhense.

No 2º turno é eleito e consagrado o novo Governador do Maranhão.

Até ser golpeado e destituído do governo maranhense em abril de 2009, Jackson Lago deixa um legado extraordinário de obras, realizações e diretrizes econômicas, sociais, culturais e políticas que, sem sombra de dúvida, iluminarão a conquista do Maranhão para a democracia, o desenvolvimento e a prosperidade.

Como profissional médico, Jackson Lago:

- salvou vidas e mais vidas;

- dedicou-se exclusivamente ao serviço público de saúde, sempre na perspectiva do social e do popular;

- foi um reconhecido e competente médico formador de médicos.

Como prefeito (três vezes eleito) de São Luís, Jackson:

- deu um salto quantitativo e qualitativo formidável da educação;

- estruturou, ampliou e democratizou os serviços públicos de saúde, com diversas unidades descentralizadas e dois Socorrões de suporte para a Ilha e o Estado inteiro;

- fez obras de saneamento, de drenagem superficial e profunda, contribuindo para a redução da mortalidade infantil em significativos 54%;

- implantou asfalto por São Luís inteira, não distinguindo o centro dos bairros, e os bairros da zona rural;

- a coleta de lixo foi consideravelmente ampliada e o Aterro Sanitário da Ribeira implantado;

- inovou com o Orçamento Participativo, o Conversando com a Cidade, a Bolsa Família Municipal de um salário mínimo, as Feiras Livres, o Consórcio Intermunicipal de Agricultura, a Casa Familiar Rural, as Brigadas de Vacinação, os Encontros das Cidades, o Hospital da Criança, a Transrural, o serviço de Salva Vidas nas Praias, a Guarda Municipal;

- participou da conquista São Luís – Patrimônio Cultural da Humanidade;

- recebeu em São Luís, em 1990, a visita histórica do Papa João Paulo II;

- construiu o Residencial da Jansen, na Ilhinha – São Francisco, eliminando palafitas insalubres da Lagoa da Jansen, colocando famílias pobres em residências dignas em área nobre da Capital;

- construiu o belíssimo Museu e Praça de Eventos Maria Aragão, único projeto urbanístico de Oscar Niemeyer no Nordeste brasileiro;

- definiu as bases do Festival Internacional da Música;

- implantou o Circo Escola;

- implantou o Circo da Cidade, hoje, Circo Nelson Brito;

- recebeu prêmios e mais prêmios de reconhecimento nacional, a exemplo do prêmio Prefeito Amigo da Criança;

- enfim, como gostava de dizer, recuperou a alta estima da cidade e a confiança da população no serviço e no servidor público, na boa política e na administração pública decente.

Como Governador, mesmo com o governo sistematicamente sabotado e brutalmente interrompido, Jackson Lago:

- implantou o primeiro Socorrão fora de São Luís, em Presidente Dutra, iniciando a meta do seu governo, que era implantar cinco Socorrões no interior do Estado ao final de 4 (quatro) anos;

- construiu 173 escolas, dignas e grandes, para a rede estadual de ensino, parte das 300 escolas que estava determinado a construir;

- concluiu a Ponte da Liberdade, em Imperatriz, obra de imensa relevância para o desenvolvimento regional;

- iniciou a construção do Projeto Rio Anil/Liberdade, destinado a ser o maior projeto urbanístico do Estado;

- disponibilizou recursos para construir, em São Luís, dois viadutos (Calhau e Forquilha), a conclusão da Avenida Litorânea e centenas de quilômetros de asfalto na Ilha;

- implantou, na Segurança Pública, o conceito e o programa revolucionário Segurança Cidadã;

- realizou os inéditos Fóruns Governo/Sociedade, em quatro macrorregiões do Estado;

- conseguiu aprovar no Parlamento Estadual uma nova regionalização para democratizar de vez o planejamento e a execução do desenvolvimento territorial em 32 regiões do Estado;

- aprovou e destinou recursos para a perenização dos lagos da Baixada Ocidental Maranhense, no projeto apelidado de Águas Fujonas;

- ampliou espaços institucionais para o avanço dos direitos humanos, criando novas secretarias de estado, como a Secretaria da Mulher, dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial e da Juventude;

- recriou instituições fundamentais ao planejamento e desenvolvimento do Estado, a exemplo do IMESC – Instituto Maranhense de Estudos Econômicos e Sociais e da AGERP – Agência Estadual de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária;

- reformulou o FUMACOP – Fundo Maranhense de Combate à Pobreza, direcionando-o à promoção da economia dos pobres, rumo a uma verdadeira política de geração de riqueza, geração de renda e prosperidade nas várias regiões do Estado;

- implantou, pela primeira vez, no Planejamento do Estado, o conceito da SUBSIDIARIEDADE, base para a municipalização e o desenvolvimento local sustentável;

- apoiou com entusiasmo o Consórcio Turístico Interestadual ROTA DAS EMOÇÕES, unindo forças com o Piauí e o Ceará em prol do desenvolvimento sustentável das regiões Jericoacoara, Delta do Parnaíba e Lençóis Maranhenses;

- abriu e asfaltou novas pontes e estradas, a exemplo da estrada de Turiaçu;

- criou um novo clima para a atração democrática de novos empreendimentos industriais, agrícolas e comerciais;

- facilitou as principais providências preliminares para a implantação da Refinaria de Bacabeira e do Pólo de Gás de Capinzal do Norte;

- ousou transferir os recursos públicos financeiros do Estado de uma rede bancária privada para o domínio público do Banco do Brasil;

- recebeu no Palácio dos Leões o revolucionário Presidente Venezuelano Hugo Chaves;

- instalou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, democratizando o debate sobre o desenvolvimento do Estado;

- sem hostilizar os produtores rurais da cadeia do agronegócio, foi extremamente solidário com os movimentos sociais, entre os quais a FETAEMA e o MST.

Ao contrário do que dizem seus desafetos, Jackson Lago não caiu em razão dos defeitos atribuídos ao seu Governo. A História, desde cedo, já está a demonstrar que Jackson foi violentamente golpeado em razão das virtudes e conquistas políticas, econômicas, sociais e culturais do seu Governo se avolumavam. Em ritmo tal que ameaçavam seriamente a sobrevivência política da oligarquia de mais de 40 anos de domínio discricionário do poder no Maranhão.

Por tudo isso, Jackson Lago é uma biografia exemplar para o nosso tempo.


[1] Elaborada por Leo Costa, sociólogo, ex-prefeito de Barreirinhas, militante, fundador e histórico do PDT-MA.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Lançamento oficial do Instituto Jackson Lago


Lançamento oficial do Instituto Jackson Lago no dia 4 de abril de 2012, um ano de falecimento de Jackson Lago (1934-2011). A programação se inicia as 19h, constando:
1. Posse da Diretoria e Coordenadores do Instituto;
2. Lançamento do edital de concurso público para escolha da marca do Instituto;
3. Primeira edição dos "Diálogos Jackson Lago", palestra com o historiador Marco Antonio Villa, pesquisador, professor da UFSCar, articulista e comentarista em jornais e TV.

O movimento cujo ponto de culminância é o Instituto Jackson Lago teve seu começo em junho de 2011, quando ex-integrantes e colaboradores do Governo Jackson Lago (2007-2009) começaram a se encontrar com o objetivo de resgatar, registrar e preservar a memória da administração estadual, interrompida pelo golpe judiciário de 17 de abril de 2009. Percebíamos que essa memória já estava sob o efeito de amnésia seletiva, silêncio midiático e ruminação detratora, em especial por parte daqueles que lhe deram peleja constante. Devíamos agir e agimos, de forma tempestiva e organizada.

A esse grupo, somaram-se os familiares de Jackson Lago (1934-2011), sobretudo Clay Lago e os filhos Igor, Luciana e Ludmila. Baseados em trabalho sério, colaborativo, dedicado e voluntário, em menos de dois meses esse grupo lançou o levantamento preliminar da Memória do Governo, publicado em CD e distribuído em agosto de 2011, em evento público de divulgação, realizado no Palácio Cristo Rei.

O fruto capital desse movimento foi a maturação da ideia de um Instituto que pudesse abrigar o volume de material já levantado e por levantar, bem como, laborasse como um espaço permanente de releitura do legado jackista e intervenção no debate público contemporâneo. Em 1º de fevereiro de 2012, após cinco meses de encontros semanais, o Instituto Jackson Lago foi formalizado em Assembléia Geral, a qual aprovou seu estatuto e elegeu sua primeira diretoria para um mandato de quatro anos. Historicamente legitimada a assumir essa liderança, coube a Clay Lago a Presidência do Instituto.

Em primeiro lugar é importante destacar o caráter pioneiro desse movimento. O pioneirismo advém do fato de ser a primeira instituição maranhense na forma associativa que se dedica, concretamente, a preservar a vida pública de um Governador do Maranhão, Prefeito da capital por três mandatos, Secretário Municipal e Estadual de Saúde, Deputado Estadual, Professor da Universidade Federal do Maranhão, médico.

Em segundo lugar, cumpre explicitar as 12 finalidades estatutárias: I. preservação e disponibilização da memória material e imaterial da vida pública de Jackson Lago; II. estímulo ao amplo conhecimento do Maranhão; III. promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da sustentabilidade ambiental, da democracia e de outros valores universais; IV.defesa da pluralidade e das diversidades; V. promoção da cultura; VI. produção e disseminação de informações e conhecimentos que contribuam com o debate sobre o desenvolvimento e a consolidação democrática no Maranhão, no Brasil e no mundo; VII. produção, publicação e divulgação de livros, revistas, jornais, teses, dissertações e monografias; VIII. construção de agendas públicas de estudos, pesquisas e debates; IX. estímulo a formação, expressão e mobilização política e social; X. premiação e divulgação de estudos, pesquisas e experiências governamentais ou sociais; XI. desenvolvimento de programas de cooperação internacional e XII. estabelecimento de convênios, acordos ou parcerias, com entidades congêneres e afins.

O poeta Manuel Bandeira afirmava que duas vezes morríamos: na carne e no nome. Na carne, por que ela é finita e seu epílogo é inescapável. No nome, por que acabada a vida, compassadamente deixamos de ser mencionados. A principal forma que os homens e mulheres descobriram para burlar a morte, celebrar a vida e honrar seus antecessores foi criando instituições. O Instituto Jackson Lago soma-se a esse esforço secular e atual enquanto um lugar da memória, da produção de conhecimento, da promoção dos valores democráticos, da defesa da pluralidade e da diversidade, da cooperação internacional e da construção da agenda democrática. Sintam-se convidados a construí-lo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Instituto Jackson Lago: abrindo caminhos

Estamos no Maranhão. Vivemos aqui. Quais são as necessidades fundamentais do nosso tempo? Podemos melhorar a pergunta: quais são os desafios fundamentais do nosso tempo?

Vejo que um primeiro desafio é desenvolver a democracia entre nós. Indispensável que os avanços democráticos cheguem concretamente ao Maranhão. Que de fato nossa cultura política se afaste cada vez mais dos elementos patrimonialistas e fisiológicos tão fortes. O respeito às decisões tomadas nas consultas populares e nos Conselhos de Políticas Públicas é elemento crucial.

Um segundo, fundamental, ligado ao primeiro, é atingirmos a alternância do poder político. Enquanto não compreendermos que uma das problemáticas que nos cinge e nos emperra é a dominância de um mesmo grupo político por décadas seguidas, se reproduzindo à custa da exclusão permanente de milhões de maranhenses, dificilmente poderemos mudar. De fato, se a população não compreender que o projeto liderado por esse grupo jamais responderá as questões do nosso tempo, por que implicaria em revelar o vazio do próprio projeto, apenas simulacros de projetos pessoais de poder, a mudança demorará.

Um terceiro é mudarmos profundamente as instituições e estruturas do Estado no Maranhão. Enquanto prevalecer a lógica do espontaneísmo, do engessamento, do burocratismo, do exército de terceirizados e comissionados, nunca teremos uma concretude estatal que sirva ao bem comum. A refundação do Estado é bandeira primicial.

A consolidação de um projeto estadual de desenvolvimento originado em amplo consenso e efetiva articulação da sociedade é um quarto desafio. Mais ainda do que apresentar tal projeto, imprescindível é a sua execução. O Maranhão já experimentou dezenas de projetos inconsistentes sob a égide da oligarquia, nenhum o desenvolveu, apenas aumentou o patrimônio dos donos do poder e usurpou o sonho de uma vida próspera e digna de muitas gerações. É importante conjugar o fazer imediato com o erigir para as novas gerações, antecipar-se aos problemas, não resolvê-los no afogadilho. A expansão da economia dos municípios, a dinamização dessa economia, a prevalência do local, dos projetos locais é que darão o ritmo, sem perder a visão do todo.

Não é coincidência que esses elementos foram basilares no Governo Jackson Lago (2007-2009) e constituem elementos do amplo programa de estudos, pesquisas e debates a serem desenvolvidos pelo Instituto Jackson Lago no seu primeiro quadriênio de existência (2012-2016), forjando-se como guardião da memória da vida pública de Jackson Lago, bem como, espaço público concreto, real e efetivo para se repensar o Maranhão.

Como lembra Antonio Candido, “o grande homem é aquele que descobre quais são as necessidades fundamentais de seu tempo e consagra a elas a sua vida". Jackson Lago foi o único político que levantou essas bandeiras na história recente. Também foi o único que teve persistente coerência e obstinação para fazê-lo. Derrubado pelos acertos, não pelos possíveis equívocos, a missão que se propôs foi transformadora da realidade, não solitária, mas tecida de ações, sonhos e povo. Haveremos de honrá-la.

Por Jhonatan Almada, historiador, primeiro secretário do Instituto Jackson Lago

Publicado no Jornal Pequeno, 12 de março de 2012.

http://www.jornalpequeno.com.br/2012/3/12/instituto-jackson-lago-abrindo-caminhos-190200.htm

sábado, 10 de março de 2012

Jackson Lago, Legado e Memória

Costuma-se dizer das sementes que para completarem satisfatoriamente as germinações precisam de um tempo para florescer e se tornarem frutos maduros. Assim também acontece com os planos, programas, projetos e ações na gestão governamental. Quando se trata de política pública, necessária se faz uma investigação da sua gênese, do seu desenvolvimento, do controle social permanente da execução e da sua avaliação periódica. Sem esses elementos, nem sequer se pode abrir a boca para falar da existência de uma política pública.

A administração Jackson Lago, interrompida pelo golpe judicial perpetrado pela oligarquia Sarney, nunca foi objeto de uma avaliação isenta, que não resvalasse, por um lado, no ufanismo governista de quem a defendia ou a integrava; e por outro, pela crítica sem fundamentação dos seus desafetos ou por analistas desinformados de suas principais realizações. Atrevo-me a dizer que, do conjunto de erros e acertos que cometemos, não podem ser extraídas da contabilidade muitas ações inovadoras e estruturantes que tiveram seus nascedouros em pactos legítimos estabelecidos entre o Estado e a Sociedade, cumprindo um dos principais requisitos exigidos de uma política pública.

Lançando mão de alguns modestos mais representativos exemplos, citamos: Os inúmeros fóruns descentralizados protagonizados pela sociedade civil, visando à discussão e a execução de políticas públicas; os Mutirões da Cidadania; as iniciativas na área da cooperação internacional, que resultaram na realização de um colóquio do Banco Mundial no Maranhão, no Seminário PROITA (proteção da bacia do Rio Itapecuru) e nas missões oficiais à França, Cuba, Venezuela, Uruguai, etc.; a reestruturação do IMESC e a elaboração de um projeto inovador de Regionalização da Administração; a elaboração e revisão do PPA, baseadas em contribuições de movimentos sociais e de agremiações empresariais; O PAC do Rio Anil; o Programa Segurança Cidadã; as bases do Programa Estadual de Direitos Humanos; o Plano Estadual de Artesanato e o Plano Estadual de Cultura (2007-2010), este último até hoje referência para as administrações culturais de todo o País.

Por iniciativa da família do Governador Jackson Lago, coordenada pela Dra. Clay Lago, juntamente com um grupo de pessoas que integraram a administração do seu marido, nesta segunda-feira, 29 de agosto, no Auditório do Palácio Cristo Rei, a partir das 18 horas, será realizada uma reunião ampliada, que terá como principal objetivo o lançamento das diretrizes e princípios para a criação do Instituto Jackson Lago.

A ideia do Instituto nasce focada em quatro vertentes principais, porém aberta para abrigar outras contribuições sintonizadas com o espírito destas: a) um memorial da vida pública de Jackson Lago; b) um espaço para estudos, pesquisas e debates, contemplando as bandeiras políticas concretas e atualizadas do povo maranhense e brasileiro; c) a relação com a sociedade (movimentos sociais, grupos organizados, instituições, etc.); e d) a articulação internacional (cooperação desenvolvida durante o governo e a participação do político Jackson Lago em atividades relevantes da história recente do País e do mundo).

O caráter suprapartidário do Instituto deve ser a sua principal marca, a fim de que seja assegurada a pluralidade de idéias e a amplitude dos seus horizontes, além de proporcionar a abertura para as diferentes contribuições no plano da produção intelectual do Estado.

Com certeza este será um dos passos mais significativos para honrar a memória do cidadão Jackson Lago e o legado da sua administração para as gerações presentes e futuras. A todos nós maranhenses, que tivemos o privilégio de tê-lo como Governador, eleito pela vontade soberana do povo, cabe a responsabilidade de zelar pelo respeito a sua memória e ao grande exemplo que foi a sua vida pública.


Por Joaozinho Ribeiro

Pensando 2012

As eleições de 2012, além de seu valor intrínseco, constituem-se em importante prévia para o pleito de 2014, razão pela qual todos os partidos que aspiram influir nos destinos do Maranhão estão mobilizando suas forças para participar do certame, com especial atenção para a capital maranhense.

Por onde deve caminhar o PDT nas eleições de São Luís? Apoiar o PSDB, como fez em 2008, no segundo turno e, neste caso, emprestar-lhe o vice, como querem uns poucos companheiros? Coligar-se com um bom número de partidos do campo progressista, aí, também, contentando-se com uma candidatura a vice? Ou lançar candidatura própria para recuperar o legado histórico do Partido, como entende o seio maduro da agremiação?

Vamos examinar cada uma das alternativas de per si: a primeira delas, coligar-se com o PSDB na provável candidatura à reeleição do Prefeito João Castelo, oferecendo-lhe o candidato a vice (se isso for do desejo do senhor Prefeito) a quem isto interessaria? Não falta ao PDT experiência de vice-prefeitura, daí que os eventuais benefícios dessa alternativa podem ser bem avaliados pelo conjunto dos companheiros.

Além disso, ao convidar filiados do PDT para compor o seu governo, o Prefeito tem deixado claro que o convite não se estende à Instituição, mas se limita ao convidado, razão pela qual, até onde percebo, o Partido não se sente partícipe da sua administração. Nem vamos aqui colocar lenha na fogueira ao registrar os descuidos de linguagem de S. Exa. ao afirmar em discursos repetidos que São Luís não tinha prefeitos desde o tempo de dona Gardênia.

Não difere muito da primeira a segunda opção, qual seja a de coligarmos com outros partidos do campo progressista, também aí oferecendo o vice (se quiserem). Neste caso, careceria conhecermos o titular da chapa, posto que há nomes que não merecem exame da parte do Partido. Claro que a (im) provável candidatura de Flávio Dino, atual campeão das pesquisas, obrigaria todos a repensarem suas posições. Parece-me, contudo, que Dino guarda suas intenções de voto numa grande gaveta para deles “usufruir” mais tarde. É natural que a morte prematura do seu filho – que todos lamentamos – exerça influência imponderável na sua decisão.

A candidatura própria, última alternativa a ser analisada, tem ganhado a simpatia de muitos, senão da maioria dos companheiros, por alguns motivos: o PDT continua sendo o maior e mais organizado partido de esquerda do Maranhão e de São Luís; é depositário do legado de ter assumido quatro vezes a Prefeitura de São Luís, com administrações exitosas, inclusive, no caso do companheiro Jackson Lago, considerado três vezes o melhor prefeito de capitais do Brasil; reúne equipe com larga experiência de administração pública e conhecedora dos complexos problemas do município; dispõe de quadros de estatura política e moral para a disputa, entre eles, mas a eles não se restringindo, dra. Clay Lago, doutor Igor Lago, doutor Clodomir Paz, professor Moacir Feitosa, doutora Sandra Torres e o ex-ministro Edson Vidigal, este, aliás, testado recentemente em duas eleições majoritárias (governador e senador) com ótimo desempenho; o fato, já assinalado, de que a maioria dos militantes e de muitas das principais lideranças do Partido se inclinarem por esta opção.

Em qualquer dos casos, é absolutamente necessário, imprescindível mesmo, que o Partido busque eleger uma grande bancada de vereadores, que possa fiscalizar com correção e ética os atos do Prefeito eleito, além de propor projetos com o selo de nossa tradição histórica. Aqui, então, temos bons nomes com experiência parlamentar e dezenas de outros com razoável desempenho eleitoral.

O ano político de 2012 começou cedo, com movimentações tanto na seara da oposição como nos campos situacionistas. Como o PDT, diversos partidos vivenciam divergências internas que precisam ser superadas se quiserem influir no pleito municipal, falando uma linguagem única, em vez de uma ou outra ala apenas comprometer-se com as táticas e estratégias para o próximo pleito.

Por Aziz Santos

Publicado em http://www.jornalpequeno.com.br/2012/3/4/pensando-2012-189354.htm

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