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REI MAL COROADO

Jhonatan Almada, historiador, integra o quadro técnico da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Refletir sobre a alternância do poder, nos obriga a pensar sobre as consequências de quem nele permanece por mais tempo que o recomendável, se apequenando ante a História contemporânea, insaciável e desejoso de encarnar messianismos políticos. Quando me tornei pai, preocupava-me que meu filho crescesse em um Estado tal como eu, subjugado ao domínio de grupo político dirigido por uma família potente, a envergonhar nossa origem. Ninguém lembra que somos o Estado de Maria Aragão, Neiva Moreira, Jackson Lago, Manoel da Conceição, lembram apenas do Maranhão de Sarney, nisso não há orgulho possível.  Em Repúblicas mais antigas ou democraticamente avançadas, os ex-presidentes exercem um papel de referência política e moral na sociedade, cuidam de suas fundações ou institutos, dão palestras, se envolvem com organizações internacionais e adotam essa ou aquela bandeira relevante para...

O PESO DO NOME

O major: Bem sei, mas a lei? A comadre: Ora, a lei... O que é a lei, se o Sr. Major quiser? (Memórias de um Sargento de Milícias, Manuel Antônio de Almeida) Jhonatan Almada, historiador, integra o quadro técnico da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) A Lei Nº 6.454, de 24 de outubro de 1977 veda a atribuição de nome de pessoa viva em qualquer modalidade a bem público de qualquer natureza pertencente à União. Um raro avanço ocorrido na Ditadura Militar em terras onde singra o patrimonialismo e a pessoalização da coisa pública. Entretanto, esse avanço se restringiu ao âmbito da União, pois Estados e Municípios desrespeitam essa lei, a qual se harmoniza com o princípio constitucional da impessoalidade e da legalidade da administração pública.  O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na Resolução Nº 58, de 8 de abril de 2008 interpretou a referida lei para burlá-la e encontrar exceções onde não as há. Onde se lia “pessoas vivas” entenderam que isso não ...

O ADVERSÁRIO MAIS PRÓXIMO

Jhonatan Almada, historiador, integra o quadro técnico da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).   O ataque ao adversário mais próximo é uma das mais reiteradas estratégias do grupo liderado pelo Senador José Sarney. A tese da professora Fátima Gonçalves publicada no livro “A Invenção de uma Rainha de Espada – reatualizações e embaraços na dinâmica política do Maranhão Dinástico” (2008) se constitui como a mais abrangente análise dessa e de outras estratégias acionadas em tempo de política pelo grupo dominante. Enquanto boa parte dos intelectuais estancou ao compreender o grupo dominante como oligarquia, enxergar tudo o mais como o surgimento de novas oligarquias ou rupturas dentro da mesma oligarquia, a análise da referida professora avançou para além da realizada por Flávio Reis quando publicou o livro “Grupos Políticos e Estrutura Oligárquica no Maranhão” (2007). Graças à cartografia do parentesco social ampliado que constrói chega ao nosso conhecimento que ...

CASTELO DE AREIA

Jhonatan Almada, historiador, integra o quadro técnico da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Mudar em política implica, ao mesmo tempo, em novas práticas e na ascensão de uma nova geração ao poder. Renovar a elite política maranhense na segunda década do século XXI tem sido tarefa difícil por estar entremeada em uma transição negociada entre os setores sobreviventes do antigo regime e as novas gerações que buscam afirmar-se em espaço próprio. Nesse aspecto, a velhice se apresenta lamentável e tola como a do senhor feudal Hidetora no filme Ran (lit. Caos, 1985), de Akira Kurosawa. Ali, o senhor que tudo conquistou com a força e desamor tentava transmitir aos seus filhos um ensinamento contrário às suas práticas e história, caindo na tolice e na loucura. Os delírios do poder no Maranhão impedem que os velhos da política alcancem a sabedoria, esta chega com a experiência banhada do conhecimento de si e dos outros. O horror ao novo explica por que os representantes maranhen...