Pular para o conteúdo principal

As 30 horas se arrastam na Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Jhonatan Almada, técnico em assuntos educacionais da UFMA


A regulamentação das 30 horas semanais para a carreira dos técnico-administrativos em educação se arrasta desde o primeiro semestre de 2013 na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Enquanto isso, na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica essa regulamentação anda de vento em popa, foi realizada no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI), de Goiás (IFG), do Pará (IFPA), Farroupilha (IFFarroupilha), Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UFTPR), etc.

Na UFMA o assunto tem sido tratado com duas vinculações ausentes nos casos referidos, aqui a regulamentação aparece vinculada a implementação de um projeto-piloto e a implantação do ponto eletrônico. A ideia de projeto-piloto não só emperra como institui uma perspectiva laboratorial e burocrática no sentido negativo. É como se a implementação das 30 horas fosse algo tão complexo que exige a realização de uma experiência conduzida de forma científica para que se tome a decisão de efetivá-la. O projeto-piloto cria setores privilegiados dentro da Universidade, objetos da implementação experimental, diferenciando-os em relação aos demais e discriminando pares da mesma carreira.

A implantação do ponto eletrônico significa a introdução da desigualdade no tratamento entre servidores públicos concursados e efetivos pela criação de um mecanismo de controle do trabalho válido para uns e não aplicável para outros. Esse mecanismo tem sua implantação legalmente amparada, entretanto, considerando que a Universidade é uma instituição que possui autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial (Art. 207, Constituição Federal de 1988), ela poderia muito bem utilizar-se de sua autonomia administrativa para não implantar esse mecanismo de desigualação disfarçado de mecanismo de controle.

O que justifica essa demora? Os técnicos para usufruírem dos seus direitos tem que ser tratados como ratos de laboratórios? Até quando se espera arrastar esse projeto-piloto? A Rede Federal regulou as 30 horas por intermédio de portarias com no máximo 2 (duas) páginas? A UFMA para fazer a mesma regulamentação precisa de uma Resolução aprovada nos órgãos colegiados superiores e com mais de 30 (trinta) páginas? Por quê?

Comentários

  1. A comissão responsável pelo estudo de viabilidade da jornada de 30h na UFMA esclarece que embora outras instituições tenham adotado uma metodologia diferenciada, muitas já tiveram que retornar à jornada de 40h por conta de irregularidades detectadas durante auditorias, como é o caso da UNB.
    A Universidade, de fato, dispõe de autonomia, mas esta não impede ou proíbe o estudo de viabilidade para implantação da jornada flexibilizada, que com seu caráter científico, só ajuda a fundamentar o processo e respaldar nosso próprio trabalho.
    A complexidade de todo o processo está ligada, entre outras questões, à falta de redimensionamento da força de trabalho nas Universidades Federais de todo o país, o que provoca uma má distribuição de servidores entre seus setores e serve como justificativa para os gestores condenarem a flexibilização da jornada dos técnicos.
    A escolha de alguns setores para protagonizar o projeto piloto se deu, não só em função de suas demandas de atendimento ao público, mas também das condições para cumprir, integralmente, as exigências legais, entre as quais, o número compatível de servidores.
    Lembramos que a autonomia universitária e demais documentos jurídicos em relação a esta matéria, condicionam a implantação da jornada flexibilizada de trabalho à autorização expressa do Reitor, o qual solicitou o estudo para tomar sua decisão.
    E certamente, para que a jornada das 30h torne-se efetiva, deverá esta está prevista em uma resolução interna, caso contrário, não terá validade jurídica alguma e poderá ser anulada por uma decisão arbitrária de qualquer reitor que venha a administrar a UFMA.
    A comissão já concluiu o cronograma de apresentação do seu trabalho e já realizou a aplicação dos formulários em todos os setores da UFMA (inclusive interior). O projeto piloto também já foi entregue na reitoria.
    Deste modo, não esperamos o próximo passo com a ingênua sensação de que seja algo fácil, mas com a certeza de que somente com o apoio, a pressão e a colaboração de toda nossa categoria, será possível conquistar uma jornada de trabalho mais justas.

    ResponderExcluir
  2. Estamos no mês de outubro e reitero que a proposta de 30h continua se arrastando na UFMA. Quem sabe ano que vem.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O que é educação para todos hoje?

Um marco deste tema foi a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) que estabeleceu a prioridade dos países com as necessidades básicas de aprendizagem das crianças, jovens e adultos. A definição sobre as necessidades básicas de aprendizagem varia por país, mas a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989) nos dá o parâmetro: "tornar o ensino primário obrigatório e disponível gratuitamente para todos". Muito se avançou, hoje 88% das crianças de todo o mundo completam a educação primária, conforme informações do  GEM Report Scope . Recentemente, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas criou um grupo de trabalho para a análise de um protocolo adicional da Convenção sobre os Direitos da Criança. A ideia essencial é incluir como compromisso internacional a promoção do acesso gratuito para a: educação pré-primária e a educação secundária. O Brasil fez isso em 2009 quando a Constituição Federal foi alterada por emenda e se ampliou a educação obrigatória, passando ...

AVISO AOS NAVEGANTES DAS ÁGUAS TURVAS DE CORRUPÇÃO

Jhonatan Almada, historiador, escreve às sextas-feiras no Jornal Pequeno Dentre as muitas especulações em tempos de crise as de ordem financeira tendem a ser muito pessimistas, mas, paradoxalmente, as mais realistas. Dão-nos elementos materiais para sabermos onde pisamos e onde devemos dar os próximos passos. A Receita Federal divulgou relatório com o resultado da arrecadação tributária referente a outubro. Os indicadores macroeconômicos ali apontam a queda na produção industrial (-6,84%) e na venda de bens e serviços (-6,76%), comparando o período janeiro/outubro de 2015 com janeiro/outubro de 2014. Em princípio, se a atividade econômica retroage também a arrecadação tende a acompanhar esses números. Os setores econômicos que apresentaram maior queda na perspectiva de arrecadação foram o de extração de minerais metálicos, atividades de rádio e televisão, obras de infraestrutura, metalurgia e transporte terrestre. Isso se evidencia pela paralisação de inúmeras obras important...

Uma Fortaleza para a Oposição no Maranhão

UMA FORTALEZA PARA A OPOSIÇÃO NO MARANHÃO Jhonatan Almada, historiador. É comum a expressão de que só se decide uma eleição quando as urnas são abertas e os votos contados. A expressão nasceu quando as urnas ainda não eram eletrônicas. Atualizando-a, diríamos que a eleição só é decidida quando os votos estão on-line. No entanto, a política é a arte de perfurar grossas vigas de madeira com os dedos das mãos, exige habilidade, inteligência, paciência, plasticidade e persistência. A análise aqui esboçada é um exercício dessa política e nos leva a perceber que as eleições municipais de 2012, no seu conjunto, evidenciam algumas permanências e tendências, as quais terão reflexo nas eleições de 2014. A primeira permanência é a poder do Governo do Estado em influenciar e controlar a maioria dos municípios maranhenses. A instável base de apoio partidária do governo Roseana Sarney elegeu um percentual significativo de prefeitos e vereadores, menciona-se 90% dos municípios como um ...