domingo, 28 de maio de 2017

APRENDER COM A CORÉIA

Jhonatan Almada, historiador


Atravessamos a crise nacional de forma diferenciada aqui no Maranhão. Nosso estado tem uma gestão comprometida com a transparência do investimento público e com a destinação correta. Esses dois elementos combinados geram ambiente atrativo para novas empresas e negócios que irão gerar mais riqueza, emprego, trabalho e renda. 

Estamos enfrentando agendas múltiplas vinculadas ao acesso de direitos e ao desenvolvimento, agendas fundamentais que atravessaram séculos no Maranhão sem obter as respostas devidas por parte do poder público, sobretudo naquilo que é seu papel essencial – promover o bem comum. 

Para termos uma ideia do relativo atraso ao qual fomos submetidos por décadas de irresponsabilidade política e corrupção, hoje lidamos com a agenda da infraestrutura das escolas públicas por intermédio do programa Escola Digna, item básico pertencente ao século XIX em muitos países avançados. Ao mesmo tempo, lidamos com a agenda da infraestrutura de internet com o programa Cidadania Digital, item chave pertencente ao século XXI. 

A existência desse esforço local vigoroso também atrai outros países para conhecer o Maranhão e sua transformação social em andamento. A Coréia do Sul foi um desses países que recebemos com o objetivo de estreitar laços de cooperação e amizade, fortalecendo nossas convergências e intercambiando naquilo que eles têm de mais bem sucedido. 

A Coréia do Sul no espaço de tempo de 50 anos recuperou-se de uma guerra e saiu da subsistência econômica para a liderança tecnológica em setores de ponta. Diferentemente do Brasil que não possui indústria autóctone em setores manufaturadas de maior tecnologia agregada, a Coreia possui empresas-líderes como a Hyundai (automobilística), a LG e a Samsung (eletrônicos). Isso está vinculado ao investimento paulatino em educação, da básica à superior, ao longo de cinco décadas, enquanto o Brasil insiste com todas as etapas educacionais ao mesmo tempo. 

O Ministério da Ciência, TIC e Planejamento Futuro da Coréia do Sul tem como visão estratégica: “Economia criativa e felicidade das pessoas através da Ciência, Tecnologia e TIC”, entre as ações que irão materializar essa visão consta ampliar os atuais 2 mil pontos de acesso à internet para 10 mil até o final de 2017, bem como, o estímulo ao ecossistema da economia criativa através das startups, talentos interdisciplinares e profissionais da tecnologia da informação e comunicação. 

Uma das megatendências globais apontadas na pesquisa “Estado do Futuro 2030” (KPMG International) é a inclusão tecnológica. Em 2000, tínhamos 360 milhões de usuários da internet no mundo, este número em 2012 atingiu 2,4 bilhões de usuários. Até o final deste ano, a chamada economia dos aplicativos movimentará 151 bilhões de dólares, entretanto, os ataques cibernéticos já respondem por prejuízos de 300 bilhões de dólares. Assim, a construção de uma estratégia para acompanhar essa tendência é aspecto pertinente em qualquer país avançado, implicando na formação de pessoas e criação de empresas de base tecnológica. 

Atentos a este cenário, o Governo do Maranhão recebeu o embaixador da Coréia do Sul Sr. Jeong Gwan Lee, o qual está visitando todos os estados em busca de oportunidades de negócios e cooperação internacional. O Conselho Nacional de Secretários de Ciência e Tecnologia (CONSECTI) firmou convênio de cooperação técnica-científica com a Coréia do Sul e já realizou missões ao país para prospectar áreas de interesse comum e projetos conjuntos. Este convênio foi o fator motivador da visita ao Maranhão, acrescentando-se nesse roteiro o diálogo com o setor empresarial, a visita ao Centro de Lançamento de Alcântara e aos Lençóis maranhenses.  

A Coréia do Sul manifestou interesse nos investimentos ligados à infraestrutura portuária, energética e de transportes com grande possibilidade para o desenvolvimento de projetos de longo prazo e significativo impacto social. Ficou claro que esses projetos reforçam a imagem do país pelos benefícios que geram nas regiões em que são implantados.

O Maranhão tem interesse em aprender com a experiência educacional e científica da Coréia do Sul, sobretudo nos temas da biotecnologia, energias renováveis, economia criativa e engenharia aeroespacial. Nesse sentido, conforme determinação do Governador Flávio Dino organizaremos missão acadêmica para Coréia do Sul em articulação com a Embaixada e as instituições locais.

sábado, 20 de maio de 2017

A NOVELA BRASIL

Jhonatan Almada, historiador

Imaginem um país que resolve colocar seus principais bancos à disposição de um projeto internacional ousado, financiando infraestrutura de outros países em troca do financiamento de longo prazo com juros subsidiados. Imaginem ainda que este país também resolveu financiar programas de combate à pobreza. Este país existe e é a China.

A iniciativa “One BeltOne Road” da China foi lançada com a participação de líderes de mais de 100 países do mundo, sob forte crítica da mídia ocidental, copiada no Brasil pelo nosso frágil jornalismo em temas internacionais.

A China irá investir 105 bilhões de dólares prioritariamente em 60 países da Ásia, África e Europa para estimular transações em moeda chinesa em troca de financiamento para pontes, ferrovias, estradas, portos, energia e combate à pobreza. Não existe Operação Lava-Jato na China, não precisam, lá a corrupção é punida com pena de morte e não é crime apoiar as empresas chinesas em projetos no exterior.

O maduro Brasil com sua pujante democracia resolveu criminalizar a estratégia ativa e altiva de política externa implementada nos últimos 10 anos que se continuada iria ampliar a influência do país, consolidar a presença de empresas brasileiras no exterior e conquistar relevância definitiva como player global. Isso tudo ruiu pela ação de nossas próprias instituições alimentadas por países com claro interesse de implodir a referida estratégia.

Os historiadores do futuro perceberão essa nuance ao se deparar com a medíocre cobertura midiática do Brasil quanto aos fatos ocorridos entre 2013 e 2016? Eis uma pergunta complexa para o nosso tempo, uma maioria de perdidos que só consegue se preocupar com o imediatismo.

O mais curioso que percebo na atual conjuntura é a amnésia seletiva que a mídia nos submete. A corrupção liderada pelo Temer não é uma novidade, o PMDB foi o berço de todo esse processo desde quando assumiu o leme do Congresso Nacional pós-redemocratização. Nunca tiveram coragem de liderar abertamente o país, somente quando a estrutura por eles montada e operada se viu ameaçada pelas investigações é que resolveram pôr-se no descoberto. 

Pagamos alto preço por não termos feito a reforma política antes. O momento é de reorganização das forças sociais que desejam mudar o cenário deletério em que nos atiraram. Tenho minhas dúvidas quanto a soluções como a de “volta quem já foi”, tendem a não dar certo e serem danosas para os que embarcam nelas, o momento é de mudança política. Os candidatos da anti-política não conseguirão se sustentar caso eleitos, pois o falso purismo não sobreviverá às negociações inerentes à política. 

Não vejo sentido em comemorar a eventual queda de Temer. O centro do problema é não existirem alternativas amadurecidas para pôr no lugar do que está aí. A oposição precisa construir consenso sintonizado com a vontade de mudança da sociedade ou correrá o risco de ver o país cair no colo do fascismo.

Os interesses difusos são a bússola quando inexiste projeto de país e resultam na paralisia de rumo. Apesar disso, creio que serenidade é mais do que necessária neste momento, acompanhemos as próximas cenas da novela Brasil. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

LULA SERÁ CONDENADO



Jhonatan Almada, historiador

Estamos chegando ao meio de 2017, apesar das incertezas do cenário econômico e político. A sensação é de que os ânimos precisam arrefecer para chegarmos ao fim. Não é nada republicano que as instituições de justiça sejam colocadas como adversárias dos réus, pugilistas que precisam derrubar o outro para sagrar-se vencedores. Juiz não é boxeador ou justiceiro, mas árbitro e mediador de conflitos.

Imagine que qualquer um de nós estivesse sendo processado e o juiz do nosso caso divulgasse carta pública agradecendo o apoio das pessoas ao trabalho dele, palestrasse no exterior explicando como está agindo, fosse ator em filme sobre o caso, postasse vídeos pedindo aos fãs que não se manifestem.

Imagine ainda que os colegas desse mesmo juiz dessem liminar impedindo posse em cargo público, proibissem os amigos de se solidarizarem com você, fechassem sua instituição, ameaçassem com multa e prisão qualquer manifestação em seu favor.

Isso tudo aconteceu e está acontecendo no Brasil. A imparcialidade e a isenção do Judiciário foram corroídas pela sanha que tornou o processo mera formalidade para se chegar à condenação.

A repactuação de poder que atualmente atravessamos no Brasil impôs polarizações perigosas para a democracia. A política não é o reino do bem e do mal, se isso existir não é nesta existência. Política é mediação entre diferentes para construir o bem comum pelo diálogo e entendimento. As instituições do sistema de justiça não são heroínas e não substituem a política, elas são instâncias de definição do que é proibido. Quando essas instituições ultrapassam esse papel da vedação de condutas e passam a fazer a agenda do país, vamos mal.

Lula será condenado, não porque existem provas, mas porque depois de tanto circo midiático fica impossível outra conclusão. Trata-se de um pugilato que só poderá resultar no nocaute do próprio Lula, afastando-o da política, satisfazendo a direita reacionária e possibilitando que os inquietos outsiders assumam seu lugar, mesmo que de forma farsesca. O combate a corrupção cedeu lugar para a busca pela morte política do Lula.

É temerário que as forças políticas não consigam superar o lodaçal em que se meteram ao derrubar a Presidente Dilma. A agenda do grupo que assumiu o poder se baseia na redução de direitos como caminho para a retomada do crescimento, por isso investem toda sua energia nas reformas previdenciária e trabalhista. Não há nada no horizonte pós-reformas, salvo uma aposta intuitiva de que elas resultarão em crescimento.

O ponto central é que na ausência de projeto nacional com pauta estratégica de longo prazo, continuaremos a reboque dessas medidas apresentadas como salvacionistas por campanhas midiáticas emburrecedoras e ultrajantes.

Roberto Amaral ex-ministro do Governo Lula lançou a proposta de uma frente ampla com o objetivo de pensar o Brasil para além de 2018, comprometida com a soberania nacional, a retomada do desenvolvimento autônomo e a preservação dos direitos dos trabalhadores, agregando o pensamento progressista amplo.

Bresser-Pereira ex-ministro do Governo FHC lançou o Manifesto do Projeto Brasil Nação tendo como pontos econômicos centrais: 1. Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde; 2. Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil; 3. Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva; 4. Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade; 5. Reforma tributária que torne os impostos progressivos.

Antes dos dois, o PMDB lançou o documento “Ponte para o Futuro” em novembro de 2015 e nele apresentava tudo o que está sendo feito pelo Governo Temer. Os pontos centrais eram a flexibilização dos direitos trabalhistas (terceirização), o fim das vinculações constitucionais para educação e saúde (teto dos gastos públicos), elevação da idade para aposentadoria (reforma da previdência) e redução dos gastos sociais (fim do Pronatec e do Ciência sem Fronteiras).

Por um lado, temos vozes que desejam interlocução para colocar o país em novo rumo, por outro, temos a alucinante insanidade que tomou conta dos que assumiram o poder, desesperados para manter-se e implodir qualquer alternativa a Ponte para o Futuro.

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