segunda-feira, 29 de agosto de 2016

NOVE PROPOSTAS PARA A MUNICIPALIZAÇÃO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Senhor/a Candidato/a a Prefeito/a,

Para desenvolver seu município não basta investir em educação, saúde e asfalto. É necessário que a ciência e a tecnologia sejam incorporadas ao programa de seu futuro governo municipal. Isso não significa criar despesa nova, mas sim realizar investimento nas pessoas que desenvolverão sua cidade.
O maior legado que os futuros gestores municipais podem deixar é o investimento nas pessoas, na inteligência que move o mundo e que se torna agente de mudança e transformação social. Isso só será sustentável se em cada município contarmos com projetos estruturantes e integrados ao esforço estadual e nacional.
Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) propõe que seu Programa de Governo contemple:
1. Criação de órgãos municipais de ciência, tecnologia e inovação, tais como Secretarias Municipais, Coordenadorias ou Assessorias Especiais vinculadas diretamente ao Gabinete da Prefeitura, os quais integrarão o Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação;
2. Garantir a participação do município na Rede Ciência Maranhão, criada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), com o objetivo de fortalecer competências locais, apoiar a elaboração de projetos e a captação de recursos;
3. Implantar Programa de Educação Integral em no mínimo uma escola do município, a qual terá suporte técnico e pedagógico do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema);
4. Implantar Programa de Educação Científica e Popularização da Ciência em no mínimo uma escola do município, a qual terá suporte técnico e pedagógico da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti);
5. Apoiar a implantação de um Ponto do Saber, com espaço físico e internet com vistas à utilização de plataformas de educação a distância, bibliotecas virtuais e serviços públicos on-line;
6. Estimular a participação dos estudantes da rede municipal nas Olimpíadas do Conhecimento, reconhecendo o desempenho dos professores e estudantes por intermédio de premiações locais;
7. Realizar Feira Municipal de Ciências que reúna todas as escolas, estudantes e professores para popularizar e difundir a ciência junto às comunidades, essa iniciativa contará com a capacitação técnica dos professores oferecida pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti);
8. Implantar Pontos de Internet Gratuita em praças, feiras e outros equipamentos públicos, contribuindo para a democratização do acesso e a redução de nosso déficit de inclusão digital;
9. Criar Programa Pré-Universitário Municipal que apoie, prepare e estimule a juventude local a continuar seus estudos no ensino superior.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) se coloca à disposição para apoiar, estimular e contribuir com todos os interessados nestas propostas.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

PROGRAMA LUMINAR - CARAVANA DA CIÊNCIA PELO MARANHÃO

Jhonatan Almada, Secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação 


O Brasil possui baixa aprendizagem de língua portuguesa, matemática e ciências, com consequências claras para o atraso do nosso desenvolvimento científico e tecnológico. O Maranhão em particular está em situação mais grave. A ausência de base educacional sólida que acolha os brasileiros do nascimento à idade adulta tem contribuído para nossa fraca capacidade de inovar, empreender e agregar valor ao que nós produzimos enquanto nação. Não existe passe de mágica para resolver problema tão complexo que envolve professores, gestores, currículo, União, Estados e Municípios, setor empresarial, famílias e comunidades.

Iniciativas relevantes tem sido implementadas no Brasil, sobretudo ante a dimensão territorial e impraticável federalismo às avessas que nossa formação social gestou. Cito o trabalho liderado pelo Dr. Miguel Nicolelis no Rio Grande do Norte como exemplo claro de que é possível superar a complexidade do problema por intermédio de uma resposta combinada e articulada. O projeto de Educação para Toda a Vida inicia com a assistência pré-natal das mães, reduzindo significativamente a mortalidade materna e infantil. As crianças assistidas seguem para a creche do projeto e logo depois para a escola em tempo integral cujo fundamento pedagógico relaciona todo o currículo às necessidades e exigências de uma educação científica de qualidade. O cerne é fazer com essas crianças e jovens possam desenvolver todo o potencial e liberar essa energia criativa para melhorar nossa condição humana. 

Logo depois dessa etapa, os jovens poderão se inserir nos cursos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado oferecidos no Campus do Cérebro, completando assim um círculo virtuoso no âmbito de sua educação. Vinculado ao Campus existirá um Parque Tecnológico voltado para as necessidades do Sistema Único de Saúde, atraindo empresas que irão transformar o conhecimento em produtos e aplicações. As áreas de neuroengenharia e robótica tem destaque como ferramentas que cumprirão a função essencial da ciência, nas palavras do Galileu Galilei de Bertolt Brecht: "aliviar a canseira da existência humana". 

Podemos citar ainda o programa de educação científica do CTI Renato Archer, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, concebido e liderado por Victor Mammana. A linguagem de programação e robótica se espraia nas escolas durante o fim de semana e as escolas ocupam o CTI em gincanas científicas. O contato com os laboratórios avançados do CTI e o conhecimento acumulado pelos seus pesquisadores possibilita às crianças e jovens alçar voos próprios. Essa experiência marcante conquista jovens cientistas para o mundo da programação computacional. 

Em face disso, criamos o Programa Luminar - Caravana da Ciência como iniciativa pioneira de popularização da ciência no Maranhão. Aumentar a exposição e o envolvimento com a ciência é o objetivo principal. Quanto mais as crianças e os jovens participarem de atividades de educação científica maior a probabilidade de gestarmos ali novos Santos Dumont. O Programa consiste de oficinas de robótica, games, astronomia e eletricidade básica, complementadas com o Planetário móvel. Cada oficina não somente teoriza sobre a temática, ela ensina a fazer um robô, a criar um game, a observar os céus e a lidar com a energia elétrica. Coisas práticas e concretas que possam ser levadas por toda vida, semeando e estimulando o despertar de uma vocação científica. 

O nome do Programa se inspira no lema "Ouse saber!" do iluminismo. Luminar como caminho que conduz para o saber. A luz são as conquistas que a humanidade realizou por intermédio do avanço científico. Nós temos a responsabilidade pública de superar a privação do conhecimento, herança mais cruel que foi legada à nossa infância e juventude pelos senhores do cutelo e do baraço que ainda há pouco estavam no poder. 

Estamos percorrendo 17 municípios com o Programa Luminar - Caravana da Ciência e ao final realizaremos balanço avaliativo para a sociedade. Todos os sábados até o mês de dezembro de 2016 estaremos em algum município do Maranhão. Os depoimentos que temos colhido ao longo dessas últimas edições confirmam o acerto da iniciativa e o ganho de mais convertidos à ciência. Fundamental a parceria da Sociedade de Astronomia do Maranhão, Associação Maranhense de Games e o Grupo do Ensino de Física do IFMA Monte Castelo, liderado pelo Prof. Fábio Henrique Silva Sales.

Não é ciência sem função social. O mundo caminha para a indústria do conhecimento e nós ainda patinamos sem rumo. O principal investimento a ser feito é nas pessoas, provendo as condições de infraestrutura física, tecnológica e laboratorial para que possam ganhar o mundo. Não é ciência isolada. O sucesso de qualquer projeto depende da rede que se estabelece em âmbito local, nacional e global. 

A criação e implantação do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia (IEMA) objetiva oferecer educação profissional de nível médio em tempo integral não só para formar técnicos que irão atuar no mercado de trabalho, mas sobretudo formar novas mentalidades que tenham competências e habilidades científicas para levar adiante seus projetos de vida e contribuir para o processo de desenvolvimento do Maranhão pelo qual lutamos. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

ESCOLA DE CINEMA DO IEMA: com pé no chão fitar os Andes

Jhonatan Almada, Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação

Em 2015 quando anunciamos o projeto Escola de Cinema como Unidade Vocacional do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) não foi das melhores a recepção da ideia. Resolvemos seguir nossa metodologia de trabalho aplicada em todos os projetos que desenvolvemos, com pé no chão começar pequeno, agir com início, meio e fim sempre. Seguimos o poema de Castro Alves: “sou pequeno, mas só fito os Andes”.

Realizamos o Curso de Formação Inicial e Continuada em Cinema com duração de 3 meses e corpo docente formado por professores locais e cineastas do exterior. O curso foi um ato de coragem ante o cenário nebuloso que se formava já no final de 2015. A turma teve uma procura de mais de 500 pessoas, formamos 26 entusiastas do cinema que produziram três curtas-metragens, entre eles o curta “Bodas de Papel”.

Logo em seguida oferecemos mais dois cursos de Formação Inicial e Continuada, o primeiro de Fotografia para o Cinema e o segundo de Atuação para o Cinema. Paralelamente o Governo do Maranhão por intermédio da Secretaria de Cultura e Turismo lançava o primeiro Edital de Audiovisual, atualmente já divulgamos os resultados do segundo Edital. O que coloca dois elementos fundamentais para fomentar o cinema, pessoal técnico qualificado e recurso financeiro disponível, gerando trabalho e renda.

O sucesso na execução desses cursos de média duração nos permitiu por intermédio do IEMA, lançar o Curso Técnico de Nível Médio em Cinema, iniciado neste mês de agosto. Conseguimos em 1 ano e meio de criação do IEMA formar mais de 100 profissionais para o arranjo produtivo do audiovisual. O investimento claro e decisivo no talento maranhense trará frutos consistentes para nossa cultura e economia.

Elaboramos com a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) o projeto de Instituto Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (IECTI) na área de Economia Criativa, mesmo modelo dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia apoiados pelo CNPq. O projeto do IECTI de Economia Criativa se somará à Escola de Cinema do IEMA e ao IEMA Praia Grande com o projeto do Mestrado e Doutorado na área, a Graduação Tecnológica em Cinema e o Polo de Audiovisual. Sonhos novos que estão no projeto do IECTI liderado pela professora Mônica Picollo e contando com parcerias estratégicas junto a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade Federal Fluminense e Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“É impossível ser feliz sozinho”, cantou Tom Jobim. Isso tudo começou de uma proposta do cineasta Marcos Ponts para o então secretário Bira do Pindaré, o qual entusiasmado com a ideia me designou para a missão. Por oportuno, agradeço o incentivo, a dedicação e o empenho de ambos para que a ideia virasse matéria, momento demarcado pela inauguração da Escola de Cinema do IEMA no início deste ano. O mérito residiu em enxergar o veio fecundo da ideia e abraçar com paixão a causa. Fundamental a sensibilidade do governador Flávio Dino para a arte do cinema.

Se ainda pairava alguma incredulidade quanto à viabilidade do nosso intento e obstinação, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro selecionou o curta “Bodas de Papel”, de Keyci Martins e Breno Nina, com produção executiva de Marla Silveira e co-produção dos companheiros de jornada venturosa, Marcos Ponts e Raffaele Petrini. Este curta figura entre os 12 selecionados para a Mostra Competitiva. Isso significa o reconhecimento público do acerto daquilo que estamos fazendo e da qualidade criativa de nosso povo.

Precisamos fazer o movimento seguinte e estratégico, montar a estrutura necessária para o Polo de Audiovisual que se somará às iniciativas e projetos em andamento. Disponibilizar para nossos cineastas espaço adequado e equipamentos para o desenvolvimento de sua arte é o nosso próximo desafio.

domingo, 7 de agosto de 2016

PROGRAMA CIDADÃO DO MUNDO: mais oportunidades para a juventude

Jhonatan Almada, historiador


Nos tempos insanos e instáveis que vivemos há quem reclame até da instalação de ar-condicionado nas escolas públicas estaduais ou do número de ações que o governo estadual tem desenvolvido em todas as áreas de políticas públicas e lugares do Maranhão. Vejam bem, se reclama que existem ações demais, não se pode racionalizar isso. A ausência de atuação governamental por tanto tempo gerou essa modorra coletiva e para sairmos dela, toda dedicação e empenho se torna pouco. Apesar das aves de mal agouro estamos avançando.

Uma das ações mais bem sucedidas é o Programa Cidadão do Mundo. Primeiro programa de intercâmbio internacional da história dos governos maranhenses. Algo que era restrito ou quase exclusivo das classes mais abastadas passou a estar ao alcance de qualquer jovem que estudou em escola pública e tem boas notas. Ampliar o repertório cultural da juventude é desafio que nos move. 

Recebemos este mês os jovens que viajaram para a Argentina e França. Voltaram com o sorriso no rosto e alegria por terem conquistado essa oportunidade. Ouvi relatos de cada um, dando conta de como foi proveitoso o intercâmbio não só pelo aprendizado da língua em si, mas pelo mergulho na cultura de outro país, nas instituições visitadas e relações construídas. Tenho expectativa de que esses jovens serão em curto espaço de tempo novas lideranças em suas áreas de atuação e a primeira geração positivamente impactada pelo governo da mudança. 

Também este mês seguem para o exterior os jovens aprovados para o Canadá e Estados Unidos. Destaco a parceria que firmamos com a Prefeitura de Boston, cidade para onde irão. O prefeito Marty Walsh me enviou correspondência eletrônica colocando à disposição do Programa toda a estrutura do governo da cidade, bem como, a rede de contatos e instituições-chave. Agradecemos ao amigo Álvaro Lima, maranhense radicado nos Estados Unidos que se tornou um dos maiores entusiastas do Programa e irá acolher nossos jovens nessa parceria.

Os estudantes que participaram do Programa Cidadão do Mundo irão apresentar suas experiências em escolas públicas para estimular e incentivar o surgimento de futuros intercambistas. Além disso, entregarão relatório que irá compor o Livro do primeiro ano de implementação do Programa. Não basta fazer, importante registrar e transformar a memória em materialidade para o presente e futuro.

Teremos ainda o Estágio Internacional que irá contribuir para o fortalecimento de nossas competências técnicas com o envio de nossos estudantes para o estágio profissional no exterior. Brevemente divulgaremos os selecionados. Essas ações contam com o decisivo apoio da FAPEMA como órgão estratégico para o fomento da pesquisa e o incentivo à formação de novas vocações científicas. 

O Governador Flávio Dino por acreditar na juventude tem investido em educação como não se via em muitas décadas. Investir e democratizar oportunidades educacionais é apostar no mais poderoso instrumento de transformação da humanidade. Não tenho dúvidas que iremos colher frutos portentosos pela força do conhecimento aplicado e dirigido a tirar o Maranhão das páginas obscuras da desigualdade e exclusão social. 

Não há honra maior do que servir a este projeto coletivo com aquilo que temos de melhor: nossa capacidade, obstinação e dedicação para transformar o Maranhão com o povo. 

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