sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A REDE DO IEMA CRIA MAIS OPORTUNIDADES



Jhonatan Almada, historiador


Completamos o segundo ciclo de expansão do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão, o IEMA. Em 2016 inauguramos as unidades de São Luís, Bacabeira e Pindaré-mirim. Neste início de 2017, realizamos as inaugurações de Axixá, Coroatá, São José de Ribamar e Timon. Isso significa que nossa rede de educação profissionalizante de tempo integral saiu do zero para 7 unidades em 2 anos de Governo Flávio Dino no Maranhão, como diria Camões “mais serviria se não fora tão curta a vida”. 

A Rede do IEMA leva ensino técnico de tempo integral com modelo pedagógico próprio, seu diferencial mais forte. Não foi fácil. Muitos passaram na frente dos prédios e disseram que não iriam ser concluídos. Não acreditaram na nossa obstinação. Também foi assim quando inauguramos as três primeiras unidades, no ano seguinte tivemos uma concorrência de 7 para cada 1 vaga oferecida onde antes inexistia procura espontânea. Aos poucos construímos capital de confiança no trabalho do IEMA, trabalho continuado e por acúmulos sucessivos de bons resultados que caminham para nos tornar uma referência. 

Ressalto as inovações dos cursos técnicos oferecidos nas novas unidades como o de Equipamentos Biomédicos no IEMA de Timon e o de Agricultura Orgânica no IEMA de Coroatá. O primeiro atende enorme carência por pessoal técnico para manutenção e conserto de equipamentos da área de saúde no Maranhão. O segundo dialoga com a produção sustentável e sem agrotóxicos que nos fornece alimentos mais saudáveis. Nossa oferta de cursos levou em consideração os arranjos produtivos locais e a necessária articulação com o mundo da produção.

Os gestores e professores das novas unidades do IEMA passaram por Curso de Formação Inicial para conhecerem o modelo pedagógico que implantamos e as diretrizes de atuação do IEMA no âmbito dos municípios e regiões que demandam a oferta de educação profissionalizante. Essa imersão é fundamental para que possam decidir se querem ingressar no novo modelo de atuação. 

O compromisso com a educação materializado pelas ações concretas do Governo do Maranhão que percorrem o arco da valorização do professor ao das reformas e construções de unidades escolares. Não é pouco. Desafiador é preservar esse conjunto de investimentos e fortalecer o sentido de público nos nossos estudantes, professores e comunidades. Atravessamos tempos duros para quem lida com dinheiro público e é lamentável vê-lo desperdiçado pelas depredações nos prédios e equipamentos. 

Esse investimento é acompanhado do fomento à produção e ao adensamento das cadeias produtivas, atração de novos empreendimentos e compras governamentais. Não basta investir em educação, pois se ela estiver descolada da produção não serão criadas as condições de sustentabilidade e estímulo ao desenvolvimento. Investir em educação e produção sem ciência e tecnologia não gera valor agregado para as empresas, isso impede a inovação.  Educação, ciência e produção são elementos-chave para pensarmos o Maranhão no longo prazo.

No campo da ciência temos duas iniciativas fundamentais para a articulação ciência e produção: o Edital Ignacio Rangel e a Rede de IECTs. O lançamento do edital Ignacio Rangel pela FAPEMA tem por objetivo atrair pesquisadores recém-doutores para o Maranhão. O sentido da iniciativa é pensar soluções e estratégias para superarmos os problemas de desenvolvimento locais e do Brasil. O projeto fortalecerá o Centro Ignacio Rangel de Estudos do Desenvolvimento (CRangel) que foi criado no âmbito da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação.

A Rede de Institutos Estaduais de Ciência e Tecnologia (IECT) objetiva aproximar ciência e economia, reunindo pesquisadores, empresários e laboratórios na resolução de problemas para o sucesso dos negócios e empreendimentos produtivos. A Rede deve contribuir para gerarmos inovação e alcançarmos maior competividade econômica. Iremos credenciar propostas nas áreas de biotecnologia, economia criativa e energias oceânicas para que possam concorrer no edital da FAPEMA que abordará essa vertente. 

Essas iniciativas se complementam com a Agenda para a Municipalização da Ciência e Tecnologia que já conquistou a criação de Secretarias Municipais para esta área em cidades como Balsas, Timon, Rosário, Gonçalves Dias, São Mateus, Paço do Lumiar, dentre outros. Isso significa que encontramos acolhida nos novos gestores municipais e isso poderá gerar círculo virtuoso de ações, projetos e programas na área de ciência, tecnologia e inovação no âmbito local.

O IEMA é o carro-chefe desse processo de criação das condições e oportunidades educacionais para nossa juventude e sua articulação ao investimento em pesquisa certamente abrirá caminhos fecundos para o Maranhão.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

AGENDA DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA PARA 2017



Jhonatan Almada, Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação


Um dos grandes desafios do Brasil para que a pesquisa produzida aqui tenha impactos no seu processo de desenvolvimento é estabelecer prioridades e regularidade no financiamento público, sobretudo considerando que a iniciativa privada não se apresenta nesse campo como em países avançados.

É oportuno pautar uma Agenda Prioritária para a área de Ciência e Tecnologia no Maranhão. Os programas Cidadão do Mundo, Luminar, Aulão do Enem, Cidadania Digital, InovaMaranhão e os cursos da Rede do IEMA são os carros-chefes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Maranhão e continuarão sua implementação em 2017. 

Entretanto, precisamos avançar em outros temas fundamentais para a consolidação de uma política estruturante para o setor de Ciência e Tecnologia no Maranhão, tais como a Rede Ciência Maranhão, a Biblioteca Básica Maranhense, os Pontos do Saber, os IECTs e o Projeto Ignacio Rangel.

Devemos caminhar para a materialização da Rede Ciência Maranhão com mapeamento das instituições científicas e tecnológicas existentes nos 217 municípios, disponibilizando esses dados em plataforma virtual que permita integrar e divulgar suas ações. Poucos sabem do Museu Aeroespacial de Alcântara, do Museu de História Natural de Chapadinha ou do Centro de Pesquisas Arqueológicas de Imperatriz. Daí as lacunas nos levantamentos nacionais e internacionais sobre popularização e divulgação da ciência no Maranhão, como os feitos pela UNESCO e o MCTIC, onde figura somente o Laboratório Ilha da Ciência de São Luís.

A Biblioteca Básica Maranhense irá organizar e publicar livros-chave para a interpretação da realidade maranhense, abrindo novas leituras e reinventando a forma de compreender nosso estado para além das coleções oficiais que divulgam somente os autores ditos consagrados ou imortalizados. Essa Biblioteca será distribuída prioritariamente na rede do IEMA para ampliar os horizontes culturais de nossos estudantes.

Os Pontos do Saber serão incorporados aos Faróis do Saber, rede de bibliotecas públicas existentes em uma centena de municípios maranhenses, hoje geridas pela Secretaria de Educação e a de Cultura. A ideia é disponibilizar computadores, internet e kits científicos para revitalizar os Faróis como lugar de busca e produção de conhecimento, contando ainda com apoio de bolsistas da FAPEMA.

Devemos assinar os primeiros convênios para implantação dos Institutos Estaduais de Ciência e Tecnologia (IECTs), modelo local dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), cujo objetivo é focalizar os investimentos em pesquisa alocados pela FAPEMA nas áreas de interesse do Estado. Nesse sentido, priorizaremos a biotecnologia, a economia criativa e as energias renováveis, considerando a produção científica, a qualificação dos pesquisadores e a potencialidade socioeconômica.

Ignacio Rangel ao discutir a possibilidade de uma revolução técnico-científica no Brasil, defendeu que nossa política em matéria de ciência e tecnologia deveria “instrumentalizar uma forma de importação que nos permita utilizar a tecnologia importada em estado puro, isto é, como documentação ou simples informação” (Obras Reunidas, 2012, p. 386). Esse objetivo depende de cooperação internacional e da inserção de nossos pesquisadores em redes de produção de pesquisa, o que exige forte aporte do Estado no financiamento, tanto para as condições laboratoriais e insumos, como para a integração desses pesquisadores as redes.

Os IECTs são a ponte entre ciência e economia para solucionar problema não enfrentado de forma prática pelo Brasil até hoje e menos ainda no Maranhão. Quem tem poucos recursos não se pode dar o luxo de em tudo gastar, focalizar o investimento em pesquisa é necessário para sairmos do beco das commodities.  

O Projeto Ignacio Rangel busca responder às questões atinentes ao desenvolvimento do Brasil e do Maranhão com o apoio de pesquisadores recém-doutores que deverão identificar os principais problemas e os possíveis caminhos de superação. Acredito que este será o projeto de maior importância estratégica em nossa Agenda. Recentemente criamos o Centro Ignacio Rangel de Estudos do Desenvolvimento (CRangel).

Penso ser esta a síntese das prioridades que guardam sementes de futuro e merecem atenção pelo Governo do Maranhão.

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