domingo, 20 de agosto de 2017

BALANÇO DA CIÊNCIA CIDADÃ NO MARANHÃO

Jhonatan Almada, Reitor do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão-IEMA e ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação


É importante apresentar os resultados de gestão obtidos entre março/2016 e agosto/2017 à frente da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do Governo do Maranhão. Buscamos ao longo desse tempo implementar uma política de Estado para este setor fundamental em qualquer projeto de desenvolvimento. Intensa luta em conjunturas onde prevalece o imediatismo.

Reunimos esses esforços programáticos na consigna “Ciência Cidadã”. O sentido maior dos investimentos e ações realizadas estava no fortalecimento da capacidade de cada maranhense em exercer melhor sua cidadania pelo acesso ao conhecimento e às tecnologias. Ciência Cidadã significa a emancipação pelo conhecimento.

O registro das ações realizadas é indispensável em tempos de fluxos avassaladores de informações e pouca memória das pessoas. É um dever de publicidade quanto à atuação dos gestores públicos de uma nova geração que está focada em resultados para o coletivo, não na obtenção de vantagens individuais, zelosa do dinheiro público e avessa à corrupção. Reuni as ações mais relevantes percorrendo o arco que vai da popularização da ciência ao estímulo à inovação. Entre essas ações, destaco:

· Criamos o Programa Luminar Caravana da Ciência, maior programa de popularização e difusão da ciência de nossa história, no qual realizamos a 1ª edição (2016) com 16 mil pessoas beneficiadas em 22 municípios; organizamos a 2ª edição (2017) que alcançará 34 municípios;
· Implantamos as unidades plenas do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão-IEMA nas cidades de Axixá, Coroatá, São José de Ribamar e Timon; e as unidades vocacionais de Ribeiraozinho, Bequimão, Codó e Caxias;
· Criamos e implantamos o primeiro Centro de Educação Científica do Maranhão, o 4º do Brasil no modelo criado pelo neurocientista Miguel Nicolelis, com apoio do Instituto Santos Dumont, organização vinculada ao Ministério da Educação;
·   Realizamos a 2ª edição do Programa Cidadão do Mundo com 70 jovens universitários egressos de escola pública que fizeram intercâmbio internacional, iniciamos a 3ª edição (2017) e deixamos contratada a 4ª edição (2018);
·  Criamos a Rede de Internet Gratuita do Maranhão, a MARANET, implantando-a nas cidades de Pinheiro, Pindaré-mirim, Vitória do Mearim, Arari, Caxias e Praça Deodoro em São Luís, deixando programada a implantação em Codó, Coroatá e Timon;
· Lançamos a Agenda de Municipalização da Ciência, Tecnologia e Inovação para fortalecer a Rede Ciência Maranhão com a criação de órgãos municipais e o desenvolvimento de programas, projetos e ações vinculadas a esta temática, iniciativa inédita que já criou mais de 20 secretarias ou coordenações municipais de Ciência e Tecnologia;
· Realizamos a 2ª edição do CredCIÊNCIA/Vale-Livro no Salão do Livro de Imperatriz (SALIMP), emenda do deputado Marco Aurélio, beneficiando 10 mil estudantes da rede pública de ensino;
·   Realizamos a 2ª edição do Programa Pré-Universitário (PreUNI), levando os Aulões do Enem para 64 municípios, beneficiando mais de 20 mil estudantes; criamos o PreUNI para o Vestibular do ITA e conseguimos que São Luís fosse incluída como local de prova;
·   Realizamos o Programa de Aperfeiçoamento de Professores de Matemática (PAPMEM) com o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e os Círculos da Matemática com o Instituto TIM Brasil;
· Fortalecemos a Rede de Assessorias de Assuntos Internacionais das Universidades do Maranhão (REINTER), com apoio de edital da FAPEMA, prevendo seu I Fórum Internacional para o mês de setembro próximo;
·  Realizamos a Semana de Ciência e Tecnologia em Imperatriz com público superior a 35 mil pessoas, pela primeira vez o evento ocorreu fora da capital; o próximo evento ocorrerá na cidade de Timon, o qual deixamos organizado, com os principais editais em andamento;
· Criamos a Biblioteca Básica Maranhense-BBM, lançando os 4 primeiros volumes dessa coleção, cujo objetivo é refundar as interpretações sobre o Maranhão e libertar nossa cultura das amarras da oligarquia;
·  Publicamos o primeiro “Guia de Centros e Museus de Ciência do Maranhão” e o primeiro diagnóstico do investimento em pesquisa com o “Estado da Ciência no Maranhão”;
· Apoiamos tecnicamente o processo de criação e credenciamento da UEMASUL junto ao Conselho Estadual de Educação, bem como, fizemos a doação de 2 laboratórios de informática e 4 laboratórios de ciências básicas. Este é um dos projetos mais relevantes e estratégicos para o desenvolvimento regional;
·  Realizamos as Oficinas de Planejamento do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação que resultaram nas minutas de projetos de lei ou decreto: Sistema Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação; Conselho Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação; Conselho Universitário; Lei Maranhense de Inovação e Lei de Incentivo à Ciência.
·  Concluímos as minutas da Estratégia Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, “Maranhão 2028 – conhecimento e inovação para um Maranhão desenvolvido” e da Estratégia Estadual para Atividades Espaciais;
· Iniciamos o Mestrado em Engenharia Aeroespacial (parceira com o ITA e a UEMA) e articulamos a criação do Doutorado Profissional em Rede em Engenharia Aeroespacial (parceria UFMA, UEMA, UFC, UFRN, UFPE e ITA);
·  Iniciamos a licitações das Praças do Saber, equipamento público inédito que contribuirá para a popularização e a difusão da ciência no Maranhão;
· Contribuímos com o projeto de Cinturão Digital do Maranhão para resolver de vez nossos problemas de internet;
· Criamos o Programa InovaMaranhão com o objetivo de estimular empresas de base tecnológica, por intermédio dos editais de Statup da FAPEMA, parcerias com a Vale, dentre outras;
·  Criamos a nova política de financiamento da pesquisa, com total apoio FAPEMA, resultando nos Institutos Estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação (IECTs) de Biotecnologia, Economia Criativa e Energias Oceânicas;
·   Criamos o Centro Ignacio Rangel de Estudos do Desenvolvimento;
·  Conseguimos R$ 2 milhões para o Parque Tecnológico do Maranhão, obtidos em convênio com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, cujas licitações estão em andamento e o primeiro Hub de Inovação em São Luís está na fase final para inauguração.

Colaboração, respeito ao outro, valorização e reconhecimento das capacidades de cada um e cada uma, emulando-os em prol do bem comum, foram os alicerces dessa obra.


Agradeço à minha equipe, a quem atribuo os méritos de termos cumprido mais de 70% das metas estabelecidas no Plano de Ação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação para 2015-2018.

sábado, 19 de agosto de 2017

RUMO A UMA EDUCAÇÃO TÉCNICA INTEGRAL DE REFERÊNCIA

Jhonatan Almada, Reitor do IEMA


A educação profissional e tecnológica tem terminologia internacional própria que se resume na sigla TVET (Technical and Vocational Education and Training). A Organização das Nações Unidades para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) elaborou uma estratégia para o período 2016-2021 com o objetivo de estabelecer as áreas prioritárias de educação profissional e tecnológica a serem atendidas no âmbito desse organismo internacional.

Favorecer o emprego juvenil e o empreendedorismo, promover equidade e igualdade de gênero e facilitar a transição para economias verdes e sociedades sustentáveis são as três áreas prioritárias. O desemprego é uma preocupação global, sobretudo entre os jovens, são milhões de desempregados atualmente. Entende-se que a educação profissional e tecnológica é uma estratégia viável e prática para enfrentar esse problema e abrir caminhos para a geração de novos negócios e empregos.

O quadro desafiador nos exige incorporar cursos de empreendedorismo no currículo, apoiar a criação de micro e pequenos negócios com treinamento adequado e estimular a criação de incubadoras e cooperativas com o setor privado e as comunidades. Na mesma linha, promover oportunidades de aprendizagem, desenvolvimento e crescimento para os conhecimentos, competências e habilidades das mulheres e meninas. As mudanças climáticas e o agravamento da crise ambiental exigem novos paradigmas para a sobrevivência da humanidade, as tecnologias da informação e comunicação, e as habilidades em ciência, tecnologia, engenharia e matemática tem sido apontadas como saídas dessa encruzilhada. Saúde, água, industrialização sustentável, energia, agricultura e seguração alimentar são áreas a serem priorizadas na oferta de educação profissional e tecnológica.

O Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão-IEMA foi criado em 2015 pelo governador Flávio Dino, com o objetivo de democratizar a oferta de educação profissional e tecnológica. O IEMA considera no seu escopo de atuação essas áreas prioritárias definidas pela estratégia da UNESCO.

O empreendedorismo, por exemplo, integra o currículo de todos os cursos oferecidos pelo IEMA. Temos nos empenhado para estimular o empoderamento feminino para nossas meninas alcancem sucesso e inserção profissional em trabalhos dignos e bem remunerados. Estamos avançando na organização das primeiras cooperativas de egressos dos nossos cursos, na área de confecção de objetos de couro e reciclagem de materiais. As tecnologias da informação e comunicação estão presentes no currículo dos cursos e nos programas permanentes de formação dos professores.

Em 1 ano e quatro meses à frente do IEMA temos conquistas importantes, entre elas, posso citar: implantação das unidades plenas de São José de Ribamar, Axixá, Timon e Coroatá; reforma das unidades de Codó, Caxias, Bequimão e Estaleiro-Escola; criação do Centro de Educação Científica em Caxias, o 4º do Brasil, com apoio do neurocientista Miguel Nicolelis, via Instituto Santos Dumont, organização social vinculada ao Ministério da Educação (MEC); encontram-se em reforma as unidades de Pedreiras, Barra do Corda, Carolina, Imperatriz e Açailândia; criamos o Programa IEMA no Mundo, oportunizando ao jovem estudante de nossa rede, a oportunidade de cursar o High School no exterior; criamos o Programa IEMA Mais IDH, abrindo 2,5 mil vagas de educação profissional para os 30 municípios mais pobres do Maranhão, em sintonia com o Plano Mais IDH; abrimos 3 mil vagas em cursos e oficinas de educação profissional em 41 municípios do Maranhão, nas Unidades Vocacionais do IEMA, próprias ou em parceria; criamos o Programa Vivência Profissional que precede o Estágio Curricular e introduz nosso estudante no mundo do trabalho, preparando-o melhor para essa transição; incorporamos a robótica e a programação como conteúdos obrigatórios nas Diretrizes Operacionais do nosso modelo pedagógico; alcançamos medalhas e premiações nacionais e internacionais na área de Robótica, Matemática, Geografia, Foguetes, dentre outros; estamos entre os finalistas do Prêmio Nacional de Competitividade nos Estados; criamos as Oficinas Souzinha de Matemática e Gonçalves Dias de Português, oferecidas aos estudantes no período de férias; e abrimos a 2ª turma da Escola de Cinema do IEMA, dando continuidade ao trabalho de formação profissional na cadeia produtiva do audiovisual.

Neste momento, organizamos o novo ciclo de expansão do IEMA, tendo como objetivos claros, consolidar a rede já implantada, qualificar as novas unidades e tornar esta instituição referência internacional em educação técnica integral.

CIÊNCIA E IGUALDADE DE GÊNERO

Laurinda Pinto, Secretária da Mulher

Jhonatan Almada, Reitor do IEMA e ex-Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação


Ciência e Cidadania são duas chaves que contribuem de maneira estruturante para o desenvolvimento das pessoas em seus territórios. Enquanto uma abre portas do conhecimento e avanço tecnológico a outra traz o reconhecimento do poder de transformação social de alguém que vivencia seus direitos sociais plenamente.

A partir dessa visão temos buscado construir uma Agenda da Ciência Cidadã no Maranhão, baseada em parcerias fundamentais com ações intersetoriais que desenvolvemos com as Secretarias da Mulher, da Igualdade Racial e da Juventude e da Educação.

Quem disse que mulher não sabe matemática? Física? ou Ciência? Um cientista é antes de tudo um criativo, alguém que vê a realidade de outra perspectiva, inovadora e rica de possibilidades.

Nesse aspecto, as mulheres saem na frente, de acordo com o relatório “Gender in the Global Research Landscape”, o qual aborda a presença das mulheres na Ciência em perspectiva mundial. A proporção de mulheres pesquisadoras e inventoras cresceu 12 vezes entre 1996 e 2015, as quais tendem a se especializar na área biomédica enquanto os homens se concentram nas ciências físicas. No Brasil o crescimento observado foi de 8,47 vezes, saímos de 18 mil para 153 mil pesquisadoras, entretanto, temos poucas mulheres inventoras, são 1,5 mil em um universo de 7,8 mil inventores.

Já a Universidade Federal do Maranhão (UFMA) elegeu a primeira mulher reitora de toda sua história, a professora Nair Portela. E a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), criada por nosso governo, é dirigida pela reitora Elizabeth Fernandes. Espaços institucionais significativos conquistados pelas mulheres pesquisadoras do Maranhão.
 
Atentos a este cenário, criamos o Prêmio Estadual Construindo a Igualdade de Gênero, reconhecendo e valorizando as jovens pesquisadoras do ensino médio à pós-graduação, bem como, as lideranças femininas. O Prêmio segue para a segunda edição e tem mobilizado participantes em todo o Maranhão.

Destacamos nesta empreitada a parceria com a Secretaria de Estado da Mulher que tem a missão de implantar e implementar as Políticas Públicas para Mulheres no Estado visando a vivência plena de cidadania por parte das mulheres maranhenses.

 Ciência e a Cidadania também estão a postos quando o assunto é sensibilizarmos a comunidade em geral para a prevenção da Violência Contra a Mulher, numa perspectiva da construção de uma sociedade não sexista, não machista, pois Violência de Gênero é o freio do progresso. Uma sociedade desenvolvida não comporta nenhum tipo de desigualdade entre homens e mulheres.

Sendo assim, o Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), primeira rede de educação profissional e tecnológica, incorporou a defesa da igualdade de gênero e o trabalho em prol do empoderamento feminino em seu modelo pedagógico.

Firmamos parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no projeto STEM2D, implementado com a Johnson & Johnson, para estimular o ingresso de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Matemática, Manufatura e Design.

Em nossa oferta de cursos de qualificação profissional do IEMA também priorizamos as mulheres na ocupação de vagas, estimulando a geração de emprego, trabalho e renda nas famílias.

Os principais programas implementados pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, tais como, Cidadão do Mundo, Luminar Caravana da Ciência, Aulão do Enem, Semana de Ciência e Tecnologia, são liderados por mulheres.

E a propósito do citado relatório, incluiremos a dimensão gênero no documento Estado da Ciência no Maranhão de 2018. Este documento sintetiza os investimentos realizados em pesquisa e a distribuição mesorregional dos pesquisadores, a partir do ano que vem, também teremos uma seção destacando as Mulheres na Ciência.


Este conjunto de iniciativas nos permite vislumbrar ambiente favorável e estimulante para que mais meninas e mulheres conquistem espaços relevantes na Ciência, pois reflete dimensão fundamental de nosso trabalho no Governo Flávio Dino: superar todos os tipos de desigualdade. 

domingo, 16 de julho de 2017

A PRIMEIRA REDE DE INTERNET GRATUITA DO MARANHÃO



Jhonatan Almada, historiador


Li entrevista de Fernando Haddad, ex-ministro da Educação e ex-prefeito de São Paulo, sobre o tratamento da mídia às políticas desenvolvidas por sua gestão na Prefeitura. Em que pese à dificuldade de Haddad de reconhecer eventuais erros ou decisões equivocadas de sua parte, a entrevista é enriquecedora por deslindar essa faceta de nossa mídia nativa. As famílias que controlam os veículos de comunicação por intermédio da cobertura e de seus jornalistas omitiam a autoria das ações, desvirtuavam a motivação dos programas criados ou davam tratamento desigual na abordagem sobre as políticas públicas. 

A principal forma de escapar dos direcionamentos e bloqueios dos meios tradicionais está na internet. Podemos divulgar as ações de interesse público diretamente sem os vetos de famílias poderosas ou interesses estranhos que apagam a autoria das ações, secundarizam o impacto do que é feito, deturpam o conteúdo ou simplesmente omitem da pauta. 

A criação da primeira rede de internet gratuita do Maranhão, a MARANET dialoga com dois aspectos fundamentais da contemporaneidade. O primeiro é a democratização do acesso à internet, reconhecido como um direito humano pela Organização das Nações Unidas (ONU). O segundo é a inserção junto às mídias digitais para democratizar o acesso à informação e ao conhecimento. 

O Governo do Maranhão ao criar a MARANET reconhece o acesso à internet como direito e realiza esforço colossal para incluir digitalmente nosso povo. Disponibilizar mais um instrumento de análise da realidade ampliam as possibilidades de efetivação da democracia e do pluralismo na interpretação pelos cidadãos.

A internet não é o paraíso virtual. Os monopólios também existem e as campanhas de desinformação ou ataque direcionado também ocorrem nela. O ponto central é que a utilização de inteligência e segurança cibernética permite uma reação proporcional ao ataque, algo impossível nas mídias tradicionais. 

A MARANET é uma conquista do povo do Maranhão, possível graças à diretriz do Governo Flávio Dino: levar direitos onde existiam privilégios. A proposta de uma Ciência Cidadã é a materialização dessa diretriz no âmbito das políticas, programas e ações de Ciência, Tecnologia e Inovação. 

A tradição política maranhense e brasileira alimentada pelo nosso povo só compreende obras físicas e visíveis, ainda que valorizem políticas e programas com impacto social. Nesse sentido, a área de Ciência, Tecnologia e Inovação enfrenta com dificuldades tal tradição, pois os ganhos e resultados desta área chegam ao longo prazo.

É exatamente por isso que criamos programas e ações que superem essa tradição, a exemplo da MARANET, do Ponto do Saber, do IEMA. Formas de traduzir a Ciência Cidadã para o pragmatismo imediatista da política e do povo.

DISSEMINAR UMA CULTURA CIENTÍFICA NO MARANHÃO



Jhonatan Almada, historiador

Antes uma pasta sem expressão, a área de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Maranhão tem construído agenda positiva que reforça sua importância estratégica e nos permite disseminar a cultura científica em nosso estado. Setores tradicionais ou conservadores ainda tem dificuldade de compreender o sentido do ativismo na implementação de programas, projetos e ações que temos vivenciado, acostumados a enxergar somente obviedades.

Esqueceram no Maranhão que o conhecimento se tornou ativo econômico e que o progresso científico derrubou muitas fronteiras entre global e local, limitativas do trabalho em prol da inovação. Estamos aqui fisicamente, mas trabalhando em redes globais de produção de conhecimento, modernizando a partir da base a dura realidade que encontramos.

A implementação de uma política de cultura científica pode ser observada nas iniciativas Biblioteca Básica Maranhense-BBM, Guia de Centros e Museus de Ciência, e o Centro de Educação Científica. Espaços e publicações que objetivam estimular o pensar com a própria cabeça, fora das arquiteturas de massificação midiática que vendem rótulos genéricos despotencializando os conteúdos específicos. 

A Biblioteca Básica Maranhense-BBM objetiva publicar novas interpretações sobre o Maranhão, resgatando ou divulgando autores cujos trabalhos contribuam para compreender e transformar nossa realidade. Publicamos os primeiros volumes da BBM, de autores como Raimundo Palhano (A produção da coisa pública), Rossini Corrêa (Formação social do Maranhão) e João Batista Ericeira (A empresa de economia mista e o desenvolvimento), com lançamentos em Imperatriz e São Luís, programando-se ainda lançamentos em Caxias, Codó e Timon. 

A ambição da BBM é reunir 100 livros fundamentais sobre o Maranhão, prevendo como próximos autores, Bandeira Tribuzi, Tetsuo Tsuji, Manoel dos Santos Neto, dentre outros. Esses livros serão distribuídos para bibliotecas públicas do Maranhão, como registro indispensável da nossa terra timbira para as gerações atuais e vindouras. 

O Guia de Centros e Museus de Ciência foi o primeiro desse gênero publicado aqui. Nele constam todos os espaços de divulgação e popularização da ciência que existem no Maranhão, iniciativas heroicas como a do Museu de História Natural em Chapadinha, bem como, a Casa de Cultura Aeroespacial em Alcântara. 

Disponibilizamos todas as publicações no site da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação para acesso livre e gratuito. O objetivo é garantir o download dos livros a quem tiver interesse e em qualquer lugar.  

Cabe sublinhar o Centro de Educação Científica, vinculado ao Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), localizado na cidade de Caxias. Este Centro é o quarto do Brasil no modelo criado pelo neurocientista Miguel Nicolelis por intermédio do Instituto Santos Dumont, os quais fizeram consultoria para a implantação sem qualquer ônus. O Centro oferece Oficinas Interdisciplinares em Tecnologia, Robótica, Ambiente e História para estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental das escolas públicas. 

As Oficinas do Centro ocorrem no turno em que os estudantes não estão nas escolas e propicia o desenvolvimento de competências e habilidades em leitura e interpretação, raciocínio lógico, tecnologias e mídias, comunicação e expressão. Ao final dos 2 anos de permanência no Centro esses estudantes conseguem resolver problemas e defender suas ideias com qualidade e autenticidade. 

O modelo do Centro de Educação Científica não implica em construir prédios, demanda somente a adaptação de prédios existentes, bem como, a aquisição dos equipamentos, lanche para as crianças e remuneração das equipes profissionais. Configurando-se em uma forma de educação integral ao envolver as escolas municipais, professores e gestores no processo de construção e aperfeiçoamento do modelo científico-pedagógico.

Eis algumas das iniciativas em prol da difusão da cultura científica no Maranhão, cujos desdobramentos serão consistentes e consequentes para uma nova geração de maranhenses que assumirão as rédeas do próprio destino. 

Tenho alto apreço pelo que representa o Centro de Educação Científica em uma terra onde para ser gente ainda se exige medalhões e ascendência nobre. O Governo Flávio Dino além do desafio de implantar o capitalismo, precisa também fazer chegar o iluminismo no Maranhão.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O IEMA INOVA COM EDUCAÇÃO TÉCNICA INTEGRAL



Jhonatan Almada, historiador.


Começamos a implantação do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA) dia 1º de janeiro de 2015 quando era uma folha de papel com este nome. Atentos ao fraco desempenho do Governo do Estado na oferta de qualificação profissional para nosso povo e o desinteresse dos jovens pela educação tradicional, pensamos que o IEMA poderia ocupar este espaço e ser referência.

O diferencial do IEMA em relação à rede federal e sistema S é que trabalhamos com educação técnica integral. O modelo pedagógico inovador tem duas linhas de implementação: a institucional e a escolar. Quanto à linha institucional, 2015 foi o Ano da Implantação (equipes, infraestrutura e equipamentos), 2016 foi o Ano da Consolidação (matrícula, funcionamento, avaliação), 2017 foi o Ano da Expansão (saímos de 3 para 7 unidades). Quanto à linha escolar, cada unidade passa pela fase da Sobrevivência (Ano I), Crescimento (Ano II) e Sustentabilidade (Ano III), as quais são permanentemente acompanhadas (mensal, trimestral, semestral) pela nossa equipe gestora com formação continuada, avaliação coletiva e correções de rumo. 

O modelo do IEMA tem por meta formar sujeitos autônomos, solidários e competentes. O centro do modelo é o projeto de vida de cada estudante, auxiliamos a cada um no desenho desse projeto com formação acadêmica de excelência, formação para a vida e formação nas competências do século XXI. O currículo reúne base nacional comum, parte diversificada (conteúdos construídos pelos estudantes e professores) e base técnica (conforme o curso).

Os cursos técnicos são definidos a partir de estudo do arranjo produtivo local, rodada de diálogos com segmentos da sociedade local e regional, por fim, realizamos audiência pública onde são colhidos subsídios finais. Isso permite que os cursos estejam de fato conectados com as necessidades locais, sem descuidar das demandas regionais e transformações globais que a economia experimenta. 

Um dos valores que cultivamos é a inovação. Implantamos o uniforme inteligente que envia mensagem aos celulares dos pais e responsáveis sempre que seus filhos chegam e saem do IEMA. Além disso, também recebem notas e avisos importantes da escola por intermédio do mesmo sistema. Isso dá maior segurança para as famílias e permite acompanhamento mais próximo dos estudantes. Estamos aperfeiçoando o sistema para lançar o aplicativo para celular. 

O programa IEMA no Mundo é outra inovação. Nossos estudantes concorrem a bolsas de estudo no exterior em que cursam parte do ensino médio em escolas dos Estados Unidos, Alemanha e Argentina. A oportunidade de realizar intercâmbio acadêmico no ensino médio objetiva robustecer o currículo de nossos estudantes, propiciar imersão em outra cultura e o domínio de idioma estrangeiro. Nossos estudantes ganharão em termos de maturidade e capacidade de enfrentar os desafios contemporâneos.

Os indicadores do IEMA tem referendado nosso modelo ao registrarem 98% de frequência escolar, 2% de evasão e 95% de aprovação. Nossas conquistas em Olímpiadas do Conhecimento e competições internacionais são exemplos concretos daquilo que os números indicam. Essa semana nossos estudantes participaram do Torneio Internacional de Robótica (ITR), concorrendo com 243 equipes de 3 países, foram premiados nas cinco modalidades da competição, duas em 1º lugar e cinco em 2º lugar, meninos e meninas de Pindaré-Mirim e São Luís do Maranhão.

Preocupação central é não crescer de forma descontrolada ou oferecer ensino de forma massificada. O IEMA tem condições de funcionar bem em cidades médias e grandes com demanda por educação profissionalizante, mas não pode, não deve e nem pretende substituir a rede regular de ensino.

Em face disso, o processo de expansão tem seguido ciclo que garante a manutenção dos padrões de qualidade desejados por todos nós. O próximo ciclo de expansão prevê a implantação do IEMA em Cururupu, Santa Inês e Brejo, otimizando a ocupação de prédios existentes ou concluindo obras que foram abandonadas. 

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