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DISSEMINAR UMA CULTURA CIENTÍFICA NO MARANHÃO



Jhonatan Almada, historiador

Antes uma pasta sem expressão, a área de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Maranhão tem construído agenda positiva que reforça sua importância estratégica e nos permite disseminar a cultura científica em nosso estado. Setores tradicionais ou conservadores ainda tem dificuldade de compreender o sentido do ativismo na implementação de programas, projetos e ações que temos vivenciado, acostumados a enxergar somente obviedades.

Esqueceram no Maranhão que o conhecimento se tornou ativo econômico e que o progresso científico derrubou muitas fronteiras entre global e local, limitativas do trabalho em prol da inovação. Estamos aqui fisicamente, mas trabalhando em redes globais de produção de conhecimento, modernizando a partir da base a dura realidade que encontramos.

A implementação de uma política de cultura científica pode ser observada nas iniciativas Biblioteca Básica Maranhense-BBM, Guia de Centros e Museus de Ciência, e o Centro de Educação Científica. Espaços e publicações que objetivam estimular o pensar com a própria cabeça, fora das arquiteturas de massificação midiática que vendem rótulos genéricos despotencializando os conteúdos específicos. 

A Biblioteca Básica Maranhense-BBM objetiva publicar novas interpretações sobre o Maranhão, resgatando ou divulgando autores cujos trabalhos contribuam para compreender e transformar nossa realidade. Publicamos os primeiros volumes da BBM, de autores como Raimundo Palhano (A produção da coisa pública), Rossini Corrêa (Formação social do Maranhão) e João Batista Ericeira (A empresa de economia mista e o desenvolvimento), com lançamentos em Imperatriz e São Luís, programando-se ainda lançamentos em Caxias, Codó e Timon. 

A ambição da BBM é reunir 100 livros fundamentais sobre o Maranhão, prevendo como próximos autores, Bandeira Tribuzi, Tetsuo Tsuji, Manoel dos Santos Neto, dentre outros. Esses livros serão distribuídos para bibliotecas públicas do Maranhão, como registro indispensável da nossa terra timbira para as gerações atuais e vindouras. 

O Guia de Centros e Museus de Ciência foi o primeiro desse gênero publicado aqui. Nele constam todos os espaços de divulgação e popularização da ciência que existem no Maranhão, iniciativas heroicas como a do Museu de História Natural em Chapadinha, bem como, a Casa de Cultura Aeroespacial em Alcântara. 

Disponibilizamos todas as publicações no site da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação para acesso livre e gratuito. O objetivo é garantir o download dos livros a quem tiver interesse e em qualquer lugar.  

Cabe sublinhar o Centro de Educação Científica, vinculado ao Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), localizado na cidade de Caxias. Este Centro é o quarto do Brasil no modelo criado pelo neurocientista Miguel Nicolelis por intermédio do Instituto Santos Dumont, os quais fizeram consultoria para a implantação sem qualquer ônus. O Centro oferece Oficinas Interdisciplinares em Tecnologia, Robótica, Ambiente e História para estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental das escolas públicas. 

As Oficinas do Centro ocorrem no turno em que os estudantes não estão nas escolas e propicia o desenvolvimento de competências e habilidades em leitura e interpretação, raciocínio lógico, tecnologias e mídias, comunicação e expressão. Ao final dos 2 anos de permanência no Centro esses estudantes conseguem resolver problemas e defender suas ideias com qualidade e autenticidade. 

O modelo do Centro de Educação Científica não implica em construir prédios, demanda somente a adaptação de prédios existentes, bem como, a aquisição dos equipamentos, lanche para as crianças e remuneração das equipes profissionais. Configurando-se em uma forma de educação integral ao envolver as escolas municipais, professores e gestores no processo de construção e aperfeiçoamento do modelo científico-pedagógico.

Eis algumas das iniciativas em prol da difusão da cultura científica no Maranhão, cujos desdobramentos serão consistentes e consequentes para uma nova geração de maranhenses que assumirão as rédeas do próprio destino. 

Tenho alto apreço pelo que representa o Centro de Educação Científica em uma terra onde para ser gente ainda se exige medalhões e ascendência nobre. O Governo Flávio Dino além do desafio de implantar o capitalismo, precisa também fazer chegar o iluminismo no Maranhão.

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