quinta-feira, 17 de junho de 2010

artigo A INTEIREZA DO DESENVOLVIMENTO LIBERTADOR Jhonatan Almada

A INTEIREZA DO DESENVOLVIMENTO LIBERTADOR

 

Jhonatan Almada, historiador e ex-assessor do IMESC

 

Existe um ditado hispânico que diz que viver com medo é como viver pela metade, meia vida. Isto pode ser traduzido na velha preocupação maranhense em "se queimar" com qualquer lado em uma disputa, preferindo uma meia vida ao invés de se posicionar. Uma navegação audaciosa só pode ser enfrentada com inteireza e coragem. Não é à toa que Kant afirmou ser a covardia uma das responsáveis por manter o homem e a mulher na menoridade. Daí nossa participação no Governo Jackson Lago (2007-2009) ter se pautado e se revestido dessa inteireza. Essa perspectiva de totalidade foi a adotada pelo planejamento do desenvolvimento, planejamento gestado e desenvolvimento realizado à luz dos conhecimentos, experiências e vivências daqueles que nele política e tecnicamente militaram.

As bases fundantes do desenvolvimento libertador, implementado sob o Governo Jackson Lago, foram construídas com norte e convicção. De posse dessa carta de navegação e orientados por bússola segura sabíamos claramente quais problemas enfrentar e os rumos para tal. Aqui nos distanciamos de certa tradição do antigo regime sobrevivo – os governos que lhe são afetos, sempre se caracterizaram pelo espontaneísmo e voluntarismo, desprovidos dos instrumentos e da instrumentação necessária a uma ação governamental efetiva, só possuíam planos de papel. Não basta ir aos municípios construir ou inaugurar o que eles não solicitaram, mas é fundamental ter uma visão do conjunto, do todo, ao risco de se incorrer nos governos itinerantes, "cuidantes", festivos, mas efêmeros, explicitamente eleitoreiros e incapazes de transformar concretamente a realidade.

A palavra de ordem sempre foi a democratização, na perspectiva de garantir o desenvolvimento do Maranhão. Os técnicos e membros do governo se debruçaram intensa e detidamente sobre a realidade estadual no que tange às dimensões estatal, econômica e socioambiental. Esse esforço concentrado resultou na produção dos estudos técnicos da regionalização para o desenvolvimento, cujas idéias e concretude fluíram no Plano Plurianual-PPA 2008-2011, isto é, tudo o que seria feito em quatro anos de governo com os recursos públicos [abreviados para dois por força do golpe].

É dever intelectual esclarecer à sociedade os obstáculos a serem ultrapassados e as estratégias de superação, respectivamente identificados e adotadas pelo Governo Jackson Lago, cuja divulgação e conhecimento à época foram prejudicados pela desinteligência de mídia e domínio quase total dos jornais, TV's e rádios pela oligarquia sobreviva. Considerando que atualmente dizer já é fazer, demonstrar já é realizar, o ataque silencioso sofrido durante o governo não foi mera coincidência. Tudo o que se fazia, era omitido, desvirtuado, negado ou desconstruído na mídia dominada, para logo depois do golpe ser assumido de forma mutilada pelo governo ilegítimo.

Estes estudos foram publicados e disponibilizados nos sites da Secretaria do Planejamento e do Imesc, sua construção foi obra das mãos das lideranças comunitárias, políticas e sociais; dos técnicos do governo; do Banco do Brasil e do Sebrae. Tais estudos realizados evidenciaram como principais obstáculos a serem superados:

1 Destruição da máquina administrativa: fruto da Reforma administrativa do Governo Roseana Sarney (1995-2001) que privatizou empresas públicas, extinguiu órgãos fundamentais, demitiu mais de 9 mil servidores, colocou 1,5 mil em disponibilidade, legando como herança um Estado sem capacidade de planejar, sem assistência técnica para a agropecuária e outros setores produtivos, uma administração pública arcaica e atrasada com altíssimo endividamento.

2 Centralização do Estado: 50% dos recursos públicos na capital para atender as estruturas de saúde, educação superior e segurança nela concentrados, somados aos 66% dos servidores públicos e 32% da infra-estrutura (prédios de órgãos públicos, escolas, hospitais, etc). Os municípios estavam sem a presença, os recursos, os serviços e o apoio técnico do governo estadual.

3 Concentração econômica: decisão da oligarquia dominante tomada no Governo José Sarney cujo resultado no longo prazo se caracteriza pela concentração de 1/4 da economia do estado na capital ou 50% nos municípios de São Luís, Açailândia, Imperatriz, Balsas e Caxias; dependência do setor de produção de alumínio e da soja, sabidamente deixam pouco ou quase nada em termos de impostos e desenvolvimento; por fim, 70% do ICMS arrecadado em São Luís. A economia estava de costas para o interior, os municípios deprimidos e sem lugar em face dos grandes projetos.

4 Forte desigualdade de renda e de acesso aos serviços públicos: um Estado com o maior número de famílias cadastradas no Bolsa Família; 34,07% da população privada de abastecimento de água, saneamento básico e coleta de lixo; mais de 20% de analfabetos com 15 anos ou mais; 19% de mortalidade infantil e 37% de mortalidade na infância; fluxo populacional do continente (interior) para a capital em busca de hospitais, remédios, universidades, empregos e oportunidades.

As estratégias de superação adotadas, mas interrompidas com o golpe foram:

1 Recuperar a máquina administrativa: garantindo estrutura, recursos e pessoal; criação de órgãos inovadores como a Secretaria da Igualdade Racial, Secretaria da Mulher e Secretaria da Economia Solidária; ampla reestruturação das carreiras funcionais foi planejada, com inspiração no modelo exitoso do Governo de Minas Gerais; recriação de órgãos estratégicos como a Agerp (assistência técnica rural) e o IMESC (pesquisa aplicada).

2 Desconcentrar o desenvolvimento: por intermédio dos Arranjos Produtivos Locais (APL's) com apoio do Banco do Brasil e do Sebrae; cobrar a obrigação contratual de 1% sobre o lucro da Cemar, estipulada na passagem do seu controle social do âmbito público para o privado; a Política Estadual de Desenvolvimento Regional concretizada por intermédio do Fundo Maranhense de Combate à Pobreza-FUMACOP e da coordenação dos investimentos privados no Estado, orientando sua distribuição por todo o território maranhense; Programa de Revitalização do rio Itapecuru-PROITA; articulação de projetos de financiamento com o Banco Mundial, a Corporação Andina de Fomento, a JICA e o IICA (todos abandonados pelo atual desgoverno).

3 Descentralizar a gestão pública: fortalecimento dos Conselhos Estaduais de Políticas Públicas; liberação do acesso aos sistemas financeiro e orçamentário do Estado para os Conselhos; criação dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento; Fórum Participativo da Sociedade Civil com o Governo; Comitês  e Comissões com participação equitativa Governo e Sociedade para tomada de decisões; Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social, com maioria absoluta de membros da sociedade civil; desconcentração dos órgãos públicos para as 32 regiões (AGED, AGERP, CREAS, FAPEMA, UNIVIMA, UEMA, etc.).

4 Fortalecer as políticas sociais: apoio técnico e financeiro para a estruturação dos Sistemas de Assistência Social e Segurança Alimentar e Nutricional; Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Esportes e Juventude; Hospitais Regionais (inaugurado o de Presidente Dutra); Programa Mutirão da Cidadania (atendimento médico, social, educacional, cultural, etc.) com mais de 400 mil atendidos em 2 anos; 163 escolas construídas.

É importante destacar que não pretendemos esgotar tudo o que foi feito em um artigo, ele se pretendeu prefaciador das linhas gerais que pautaram as muitas realizações do Governo Jackson Lago. Nosso objetivo foi sintetizar as estratégicas de atuação e exemplificá-las, demonstrando claramente que não se governa com amadorismos e peças de propaganda, mas com participação democrática e embasamento técnico.

Com espírito de inteireza zarpamos no enfrentamento dos desafios ao desenvolvimento do Maranhão e fomos ousados ao "mover no firmamento as nebulosas", como dizia o poeta Teófilo Dias (1854-1889). Assim, ao ameaçar as bases de sustentação do antigo regime e ao anunciar o "cântico dos livres", atordoando os velhos donos do poder, a reação não poderia ser outra que não o golpe de abril de 2009.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

DE VOLTA AO FUTURO


DE VOLTA AO FUTURO

Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo, engenheiro e professor aposentado da UEMA

 

As vantagens competitivas e comparativas do Maranhão,quando apresentadas e discutidas com a classe empresarial, são uma poderosa alavanca para a definição de alocação dos seus projetos e investimentos no nosso estado.

No foco das vantagens competitivas a infraestrutura; o porto do Itaqui, as ferrovias, terras férteis, águas e um conjunto de incentivos e renuncias fiscais agrupadas no Sincoex.

Muito importante destacar o apoio das bancadas, estadual e federal de apoio político ao Governo, nesse propósito desenvolvimentista do Governo Jackson Lago.

Em 2007, visitas de equipes técnicas do Governo Estadual, a FIESP ao Instituto Brasileiro de Siderurgia, a Universidade de São Paulo, a FIRJAN, ao BNDES a Petrobras e a Vale do Rio Doce, ao Grupo Gerdau e a BRASILINVEST entre outras entidades empresariais e representativas, contribuíram para aumentar o interesse quanto à viabilidade de serem instalados no território maranhense, vários projetos estruturadores

Os empresários compreendiam que se ambicionava a implantação de projetos sustentáveis, do ponto de vista ambiental, econômico e social e, sobretudo a filosofia de que não havia interesse do Estado em ser sócio de qualquer um deles, mas ser parceiro indutor, regulador e fomentador da participação do empresariado maranhense como coadjuvante ou protagonista do sucesso empresarial.

Desse modo, empreendedores vieram para o Maranhão, entre outros, a Companhia Siderúrgica do Mearim, Brasil Ecodiesel, Comanche Etanol, Notaro Alimentos, Brascooper Alumínio, estaleiros EISA e MAUA, as Termelétricas, a do Itaqui e a de Miranda do Norte, a hidrelétrica do Estreito, a Suzano Celulose e a Gusa Nordeste em Açailandia.

 Protocolos de compromisso foram assinados entre os empreendedores e o Governo, registrando o cumprimento das legislações ambientais, trabalhistas e da sustentabilidade econômica, social do empreendimento, dos incentivos e renuncia fiscal a serem legalmente conferidos, assim como clausulas de garantia jurídica das avenças comprometidas, parte a parte,

Os compromissos de formação de mão de obra qualificada e de fornecedores e a adequação da infraestrutura de transporte estadual foram determinados como metas prioritárias de Governo, para o biênio 2008/ 2010. Dai resultaram o Maranhão Profissionalizado e o Plano Maranhão de Logística &Transportes, ambos compartilhados com a sociedade civil, por via do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Maranhão, o Conselhâo.

A nova Lei de Parcerias Publico Privadas, foi aprovada pelo Legislativo, como decorrência dessa nova realidade

Ao final de 2008, no Departamento de Eletricidade e Energia da Universidade de São Paulo, o Governador Jackson Lago, conseguiu o apoio dos cientistas e professores para elaboração de documento técnico que manifestasse a real viabilidade técnica da implantação de uma Refinaria de Petróleo no Maranhão.

 Esse documento, coordenado pelo professor doutor Ildo Sauer, foi entregue ao Presidente Lula e ao Ministro Edison Lobão, Foi determinante no convencimento quanto à escolha, pela Petrobras, da localização da Refinaria Premium em Bacabeira. 

Os Bancos de Desenvolvimento- BNDES, BNB, BASA e do BRASIL, se fizeram presentes com todas as suas diretorias setoriais, em São Luis e foram proativos ao chamamento do Governo do Maranhão aos empresários, contratando com estes o financiamento de suporte a vários dos projetos estruturantes.

O Banco Mundial e a JICA, agencia de cooperação japonesa, participaram de Seminários, realizados em São Luis, onde os empreendedores mostraram seus projetos e os discutiram com a sociedade civil maranhense. 

No decurso desses Seminários o Governador Lago enfatizou seu grande interesse quanto à sustentabilidade econômica social e ambiental de cada um daqueles investimentos assim como da capacidade de planejamento estadual, face aos impactos a serem produzidos com a implantação.

Como resultado duas Cartas Consultas foram expedidas aos Ministérios da Fazenda e Planejamento, com pedidos de cooperação financeira da ordem de 380 milhões de dólares americanos. Ainda hoje aguardam o parecer da Cofiex para ser encaminhado à aprovação do Senado.

 Conforme, amplamente noticiado, agora os frutos estão sendo colhidos.  A sociedade civil que fique tão atenta quanto antes e participe, cobrando a sustentabilidade social e ambiental desses projetos e que eles sejam realmente estruturadores do desenvolvimento com Democracia que todos queremos.

 A sociedade civil que fique tão atenta quanto antes e participe, cobrando a sustentabilidade social e ambiental desses projetos e que  eles sejam realmente estruturadores do desenvolvimento com Democracia e solidariedade que todos queremos.


Nessa agenda deverão ser prioritários, o comprometimento com a  preservação do meio ambiente, a preparação de mão-de-obra maranhense qualificada, a profissionalização dos fornecedores e as adequações da infraestrutura de transporte, saneamento e energia. Nesse mister, advogo a presença crescente dos empreendedores, por via de PARCERIAS  PUBLICO PRIVADAS.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

DE VOLTA AO FUTURO

DE VOLTA AO FUTURO

Luiz Raimundo Carneiro de Azevedo, engenheiro e professor aposentado da UEMA

 

As vantagens competitivas e comparativas do Maranhão,quando apresentadas e discutidas com a classe empresarial, são uma poderosa alavanca para a definição de alocação dos seus projetos e investimentos no nosso estado.

No foco das vantagens competitivas a infraestrutura; o porto do Itaqui, as ferrovias, terras férteis, águas e um conjunto de incentivos e renuncias fiscais agrupadas no Sincoex.

Muito importante destacar o apoio das bancadas, estadual e federal de apoio político ao Governo, nesse propósito desenvolvimentista do Governo Jackson Lago.

Em 2007, visitas de equipes técnicas do Governo Estadual, a FIESP ao Instituto Brasileiro de Siderurgia, a Universidade de São Paulo, a FIRJAN, ao BNDES a Petrobras e a Vale do Rio Doce, ao Grupo Gerdau e a BRASILINVEST entre outras entidades empresariais e representativas, contribuíram para aumentar o interesse quanto à viabilidade de serem instalados no território maranhense, vários projetos estruturadores

Os empresários compreendiam que se ambicionava a implantação de projetos sustentáveis, do ponto de vista ambiental, econômico e social e, sobretudo a filosofia de que não havia interesse do Estado em ser sócio de qualquer um deles, mas ser parceiro indutor, regulador e fomentador da participação do empresariado maranhense como coadjuvante ou protagonista do sucesso empresarial.

Desse modo, empreendedores vieram para o Maranhão, entre outros, a Companhia Siderúrgica do Mearim, Brasil Ecodiesel, Comanche Etanol, Notaro Alimentos, Brascooper Alumínio, estaleiros EISA e MAUA, as Termelétricas, a do Itaqui e a de Miranda do Norte, a hidrelétrica do Estreito, a Suzano Celulose e a Gusa Nordeste em Açailandia.

 Protocolos de compromisso foram assinados entre os empreendedores e o Governo, registrando o cumprimento das legislações ambientais, trabalhistas e da sustentabilidade econômica, social do empreendimento, dos incentivos e renuncia fiscal a serem legalmente conferidos, assim como clausulas de garantia jurídica das avenças comprometidas, parte a parte,

Os compromissos de formação de mão de obra qualificada e de fornecedores e a adequação da infraestrutura de transporte estadual foram determinados como metas prioritárias de Governo, para o biênio 2008/ 2010. Dai resultaram o Maranhão Profissionalizado e o Plano Maranhão de Logística &Transportes, ambos compartilhados com a sociedade civil, por via do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Maranhão, o Conselhâo.

A nova Lei de Parcerias Publico Privadas, foi aprovada pelo Legislativo, como decorrência dessa nova realidade

Ao final de 2008, no Departamento de Eletricidade e Energia da Universidade de São Paulo, o Governador Jackson Lago, conseguiu o apoio dos cientistas e professores para elaboração de documento técnico que manifestasse a real viabilidade técnica da implantação de uma Refinaria de Petróleo no Maranhão.

 Esse documento, coordenado pelo professor doutor Ildo Sauer, foi entregue ao Presidente Lula e ao Ministro Edison Lobão, Foi determinante no convencimento quanto à escolha, pela Petrobras, da localização da Refinaria Premium em Bacabeira. 

Os Bancos de Desenvolvimento- BNDES, BNB, BASA e do BRASIL, se fizeram presentes com todas as suas diretorias setoriais, em São Luis e foram proativos ao chamamento do Governo do Maranhão aos empresários, contratando com estes o financiamento de suporte a vários dos projetos estruturantes.

O Banco Mundial e a JICA, agencia de cooperação japonesa, participaram de Seminários, realizados em São Luis, onde os empreendedores mostraram seus projetos e os discutiram com a sociedade civil maranhense. 

No decurso desses Seminários o Governador Lago enfatizou seu grande interesse quanto à sustentabilidade econômica social e ambiental de cada um daqueles investimentos assim como da capacidade de planejamento estadual, face aos impactos a serem produzidos com a implantação.

Como resultado duas Cartas Consultas foram expedidas aos Ministérios da Fazenda e Planejamento, com pedidos de cooperação financeira da ordem de 380 milhões de dólares americanos. Ainda hoje aguardam o parecer da Cofiex para ser encaminhado à aprovação do Senado.

 Conforme, amplamente noticiado, agora os frutos estão sendo colhidos.  A sociedade civil que fique tão atenta quanto antes e participe, cobrando a sustentabilidade social e ambiental desses projetos e que eles sejam realmente estruturadores do desenvolvimento com Democracia que todos queremos.

 A sociedade civil que fique tão atenta quanto antes e participe, cobrando a sustentabilidade social e ambiental desses projetos e que  eles sejam realmente estruturadores do desenvolvimento com Democracia e solidariedade que todos queremos.


Nessa agenda deverão ser prioritários, o comprometimento com a  preservação do meio ambiente, a preparação de mão-de-obra maranhense qualificada, a profissionalização dos fornecedores e as adequações da infraestrutura de transporte, saneamento e energia. Nesse mister, advogo a presença crescente dos empreendedores, por via de PARCERIAS  PUBLICO PRIVADAS.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

MUNICIPALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

MUNICIPALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Por Léo Costa, sociólogo e ex-prefeito de Barreirinhas

Em se tratando de Maranhão, com a sua extensão territorial, sua história complexa e sua cultura política marcadamente autoritária, são muito difíceis os caminhos da promoção e da sustentabilidade do desenvolvimento. Uma das principais dificuldades é justamente a de situar e conceituar corretamente o papel do município nesse processo de desenvolvimento.

Quando venceu o pleito de 2006, o Governador Jackson Lago estava plenamente consciente desse desafio. Facilitava seu discernimento a vivência própria de, por três vezes, ter exercido a função de prefeito de São Luís, o fato de ter nascido e vivido no interior (Pedreiras e Bacabal) e ser parceiro, amigo e companheiro de vários prefeitos interioranos.

No interrompido governo da Frente de Libertação, um dos enigmas do trabalho, no nível da Secretaria de Planejamento do Estado e de sua equipe complementar de técnicos do antigo sistema e de novos quadros recrutados, foi o de traduzir em prática de planejamento o novo papel do município na concertação da prosperidade e da inclusão social que era a nova marca histórica que se queria alcançar.

Logo no início do governo, a equipe teve a excelente idéia de postar num banner, que se tornaria permanente e obrigatório em todos os seus eventos, uma frase do Governador Jackson que traduzia perfeitamente o seu compromisso municipalista: “Sou daqueles que acreditam que é nos municípios que as pessoas devem encontrar as condições sociais para viver com dignidade”.

Outra medida extremamente importante do Governo foi a de introduzir em seus escritos e na prática dos seus trabalhos o (para nós desconhecido) conceito da subsidiariedade.

Trata-se de um conceito desenvolvido na doutrina social da Igreja Católica no fim do Século XIX e na primeira metade do Século XX, mas de presença constante na evolução das democracias, como ferramenta de proteção as tentações ditatoriais e autoritárias que as acompanham pelo mundo afora. Exemplo disso é a União Européia, que trabalha a subsidiariedade a nível continental, estudando, refinando e praticando-a no fortalecimento do poder local e de suas 340 regiões.

Na prática, trata-se também de proteger indivíduos, famílias e comunidades menores contra a arrogância e a pretensão das esferas centrais ou regionais do poder constituído.

Franco Montoro, o lendário governador paulista e municipalista, também de arraigada convicção, dizia no exercício do seu governo que: “aquilo que o Estado pode fazer, a União não deve fazer; aquilo que o Município pode fazer, o Estado não deve fazer; aquilo que a Comunidade pode fazer, o Município não deve fazer”.

Todo esse espírito e o debate subjacente sobre o papel do poder local, aliado ao objetivo maior do Governo Jackson que era o de democratizar as relações governo-sociedade, foi consolidando o novo ambiente administrativo do Estado dando a gestão da Frente a feição e a marca municipalista de que o Maranhão tanto precisa para avançar:

- conveniar diretamente com as Prefeituras, virou rotina do Governo da Frente;
- atender demandas regionais por via dos fóruns governo-sociedade se transformou em marca de governo;
- tocar a nova regionalização para chegar a territorialização do desenvolvimento foi o caminho escolhido para dinamizar a economia e a sociedade em todas as regiões maranhenses;
- abrir-se para financiar grandes obras e serviços dos consórcios municipais, a exemplo do Projeto Águas Perenes, era conseqüência dessa pegada municipalista, pegada que pode explicar os convênios com as Prefeituras de Presidente Dutra, Imperatriz e Pinheiro para a construção, equipamento e funcionamento dos socorrões tão desejados pela população.

Dentre tantas e valiosas contribuições do Governo Jackson Lago ao desenvolvimento sustentável do Estado, destaca-se o reconhecimento institucional do município, na condição de célula básica insubstituível da federação brasileira. Seu fortalecimento e desenvolvimento confundem-se com o fortalecimento e o desenvolvimento do próprio Estado.

O Estado é a soma, o município é a base.
Município pobre, Estado pobre.
Município fraco, Estado fraco.

Não haverá, portanto, Estado desenvolvido com municípios depauperados.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A saudade do servo na velha diplomacia brasileira – Leonardo Boff

A saudade do servo na velha diplomacia brasileira – Leonardo Boff

O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: "em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor". Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e é exatamente isso que o faz oprimido. A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. O Globo fala em "suicídio diplomático"(24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais:"Sucursal do Império" pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, tem seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.

As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como é Hawai e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.

O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições .

O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.

A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula.

Leonardo Boff é Teólogo e autor de Nossa ressurreição na morte, Vozes 2007

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