sábado, 26 de novembro de 2016

FIDEL CASTRO



“Luchar por la paz es el deber más sagrado de todos los seres humanos, cualesquiera que sean sus religiones o país de nacimiento, el color de su piel, su edad adulta o su juventud.”
Fidel Castro

Fidel Castro (1926-2016) liderou a Revolução que transformou Cuba na Pátria Internacional da Luta pela Igualdade e Fraternidade entre os Povos. Foi o maior símbolo da sobranceria do povo cubano ao se afirmar no mundo como socialista, resistindo longamente ao bloqueio norte-americano e às incompreensões advindas da luta pela transformação social.

Cuba se tornou referência em educação e saúde, amplamente reconhecidas, graças à liderança de Fidel Castro que soube priorizar investimentos nestas áreas como alicerces para a conquista da dignidade cubana. A metodologia “Si yo puedo” erradicou o analfabetismo em países como a Venezuela e a Bolívia, declarados pela Organização das Nações Unidades para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) como territórios livres do analfabetismo. A Colaboração Médica Internacional enviou 134 mil equipes a países da África, América, Europa, Ásia e Oriente Médio atendendo 14,6 milhões de pessoas.

Fidel foi grande ao por suas qualidades à serviço do maior e além de si mesmo – a luta pela paz. Grande é o povo cubano que legou ao mundo a ousadia dessa luta. Solidarizo-me com todos eles neste momento de perda, mas também de promessa, como afirmou José Martí: “las almas, como las tierras de invierno, necesitan que la nieve las cubra, con muerte aparente, para brotar después, a las voces del sol, más enérgicas y primaverales.”

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O BEM COMUM COMO OBJETIVO DA VIDA PÚBLICA



Jhonatan Almada, historiador


Tenho a oportunidade honrosa de exercer cargo público no Maranhão e quando vejo a crescente onda de investigações, prisões e condenações de políticos e empresários me impacto com o tamanho dessa ambição corrupta que nada consegue bastar. Pessoas que construíram toda uma trajetória na política e exerceram cargos públicos em praticamente todas as esferas. É chocante sacrificarem a reputação para ter uma vida principesca à custa do povo, vida efêmera que fatalmente se esfarela ante a força da verdade.

Precisamos reinventar o exercício de cargos públicos. Ao contrário do que se apresenta na mídia cotidianamente, existem sim pessoas que os exercem com seriedade, dedicação e empenho. Os verdadeiros espetáculos midiáticos nada contribuem para essa reinvenção, somente reforçam a criminalização da atividade política ao venderem a imagem dos vilões (os políticos) pegos pelos mocinhos (polícia, judiciário e ministério público). Importante repetir, nem todos que exercem cargo público praticam corrupção e não existem vilões e mocinhos na vida pública.

É fundamental o trabalho de investigação que tem sido realizado pela Polícia Federal, o trabalho de apuração do Ministério Público e alguns acertos do Judiciário em tempos recentes. No entanto, a agenda desses órgãos é desprovida de projeto nacional, realizam um trabalho eminentemente moralista, de negação e punição das condutas. Não possuem resposta para a pergunta: depois que todos forem presos, o que acontece? A agenda que propõe o projeto nacional é responsabilidade da política e dos políticos, função maior que justifica essa atividade e jamais virá desses órgãos.

Não podemos tolerar a corrução e nisto estou plenamente de acordo, contudo o discurso anticorrupção não pode se confundir com o discurso antipolítica. O enfrentamento desse problema se dá na política, não fora dela. A esquerda precisa encontrar o seu discurso anticorrupção e sobrepujar a criminalização antipolítica conduzida pela direita. Para tanto, precisamos ter e verbalizar um projeto de país que alcance certo consenso mínimo à esquerda e à direita.

É necessário um exame de consciência muito poderoso por parte de todos aqueles que se dedicam ou almejam à vida pública, não por que a Operação Lava Jato está em andamento, mas por que está em jogo o próprio sentido da vida pública. Precisamos resgatar a política dessa fogueira de reputações queimadas que não representam a riqueza e a beleza da política quando voltada para o bem comum, o comum de todos.

Quando a democracia clássica na Grécia ainda tateava pelas brumas do tempo, acreditava-se que a Timé (estima) era a mais alta expressão do valor de um indivíduo - traduzia a estima que esse indivíduo desfrutava junto aos outros pelo conjunto de seus feitos e atitudes. Ter estima social era o grande objetivo da vida, sobretudo para alcançar o Kléos (fama), isto é, o reconhecimento após a morte pelo impacto que esses feitos e atitudes tiveram na sociedade. Excepcionalmente, quando os feitos eram extraordinários o indivíduo poderia alcançar o Kléos Afthiton (fama imperecível), a perpetuação de seu nome entre as gerações futuras.

Não se pode entrar na vida pública para ganhar dinheiro e enriquecer, recomenda-se a iniciativa privada para esse fim. O lucro e o benefício pessoal não são e não podem ser os móveis da ação de quem se dedica à política. A busca incessante pelo bem comum é o grande móvel da ação política e o reconhecimento da sociedade é o único prêmio que se pode almejar.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

APRENDER COM AS DERROTAS E SE REINVENTAR



Jhonatan Almada, historiador


As pessoas precisam vivenciar governos conservadores e à direita do espectro político para conseguirem parâmetros e comparar. Sem viver a experiência por mais que se informe, dialogue e discuta fica no ar a dúvida e a abstração. Nestes tempos de desconfiança e fugacidade é necessário o trauma de um governo conservador para aferir se de fato um governo progressista é diferente.

O mais preocupante é ver parcela significativa da juventude ser arrastada para essa onda conservadora. É urgente retomar o trabalho de base com os jovens, urgente. Precisamos falar de política, de políticos e políticas públicas. Explicitar o contexto, as relações entre o local e o global. Trabalho de formação de alta relevância e crucial para enfrentar essa onda que se avoluma no Brasil e no mundo.

Outro aspecto grave é o crescimento da abstenção e voto nulo, significando que a desconfiança atingiu tal patamar entre os mais maduros que virou descrença mesmo. Se a descrença se ampliar, o risco de declarados “não políticos” ou “anti-políticos” vencerem eleições também cresce. É pelo silêncio e indiferença que se oportuniza a ascensão de figuras heterodoxas, capazes de surfar nessa onda avassaladora. A incapacidade de mudar e gerar confiança do nosso sistema político aponta para o agravamento dessa tendência.

A nova crise econômica do sistema capitalista (que por natureza sempre gera crises) é o aspecto transversal desse cenário. As saídas não são fáceis, nem simples na conjuntura atual. A criação de um teto do gasto público apontada como solução na verdade repete o remédio adotado nos anos 1990, ousadamente por período longuíssimo de tempo. Se um estudante começa a estudar na rede pública aos 6 anos de idade, somente aos 26 anos, quando completar sua escolaridade (básica e superior) e possivelmente já no mercado de trabalho verá o fim do teto do gasto público.

A organização Auditoria Cidadã da Dívida Pública por anos afirma que quase metade do nosso orçamento anual é gasto com juros e amortização da dívida pública, percentual muito pequeno é investido em educação e saúde. Pode se argumentar que esse percentual tem sérios problemas de eficiência e efetividade, estou plenamente de acordo. Contudo não se pode querer resolver a nova crise econômica estabelecendo o gasto público como o vilão de sempre e o mercado como o eterno mocinho. 

Alguns esquecem que antes se estudava economia política, não havia separação radical na abordagem, hoje existe, deturpando as análises e caindo no economicismo. Não há solução econômica sem solução política, mesmo assim sempre serão provisórias. O relevante é garantir novo ciclo de desenvolvimento. As derrotas de 2016 são fundamentais para o aprendizado democrático e a reconstrução da esquerda. O governador Flávio Dino sugeriu como caminho a organização de frente ampla, sem ressentimentos e com proposições concretas para o Brasil se reinventar.

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