sábado, 18 de junho de 2016

TEMPOS BRUTOS CONTRA O BRASIL

Jhonatan Almada, historiador

Vivemos tempos brutos na sociedade. As redes sociais permitem que as informações circulem de qualquer lugar para outro em uma velocidade insana. Mulheres são vítimas de estupro coletivo. Gays são assassinados. Golpes de estado são gestados pelas vias institucionais com a complacência da elite política. Homofobia, feminicídio, intolerância e ignorância estão disseminadas com maior intensidade por que mais visíveis e robustas.

Quais são os caminhos a se tomar? Como enfrentar esses tempos brutos e sair vivos dessa máquina de moer gentes? Perguntas nada fáceis de responder ou divisar certezas sólidas. Quando olhamos no retrovisor é perceptível que passamos por situações piores e conseguimos nos reconstruir, nunca extirpando todos os problemas, impossível. Deixamos de ser colônia, nos tornamos independentes, abandonamos a escravidão, implantamos a república, superamos duas ditaduras, passamos pela crise dos anos 1980, 1990 e 2000. Os traumas e questões não resolvidas nesse caminho são muitos.

O Governador Flávio Dino tem insistido na necessidade de diálogo entre as duas principais forças políticas nacionais para a definição de uma agenda comum que nos tire da atual situação de voragem econômica, política, policial e jurídica. No entanto, as duas forças, especificamente o PT e o PSDB são incapazes de dialogar por que deixaram de acreditar na política como a convivência entre os diferentes e divergentes. A política passou a ser instrumento com o único objetivo de anular o outro, visto como inimigo.

Essas forças estão tão imersas nesse objetivo que não veem ir a pique todo o sistema político. Não existe mais imparcialidade ou funcionamento normal das instituições, nunca houve no Congresso Nacional, havia em alguns órgãos do Governo Federal e se deformou totalmente nas instâncias do Poder Judiciário. Nós vivemos em uma República, mas financiamos cortes e tiranetes.

O Supremo Tribunal Federal é um órgão extremamente oneroso, pomposo e ineficiente. Em prévia de estudo a ser publicado este ano, o professor Luciano da Ros (UFRGS) aponta que o Judiciário brasileiro é o mais caro do mundo, consumindo 1,2% do PIB, ou seja, R$  68,4 bilhões de toda a riqueza produzida. É mais do que o país gasta em educação infantil (0,6%), ensino médio (1,1%) e ensino superior (1,1%). Gastamos 1,74% do PIB em ciência e tecnologia. Isso se chama corrupção de prioridades e sustentar pequenas monarquias dentro da República.    

A voragem de notícias talvez nos faça esquecer que pagamos para os ministros do STF e juízes de modo geral, auxílios, indenizações, férias dobradas, passagens aéreas para os cônjuges, cursos, congressos e carros oficiais, dentre outras despesas não divulgadas, pois inexiste transparência no Poder Judiciário em moldes similares ao Poder Executivo. Em uma crise brutal, com rombo estimado de R$ 170 bilhões, a Câmara dos Deputados aprovou aumento para o Poder Judiciário com impacto de R$ 67 bilhões. Desaprenderam matemática básica.

O governo interino de Michel Temer optou em ampliar o custeio da máquina pública, reajustando o salário do funcionalismo em vez de investir esses recursos em programas como o “Minha Casa, Minha Vida” e os de infraestrutura de estradas, hidrelétricas, portos e aeroportos. Pretendem fazer o país voltar a crescer dando mais dinheiro a quem já tem muito, os quais não irão usar esse aumento no consumo interno. A rigor, nós estamos comprando apartamento em Miami para a elite do funcionalismo federal em troca do rombo das contas públicas e da escassez de investimentos no setor produtivo.

Como um país pode sair da crise gastando mais com ministros, deputados, senadores, juízes, promotores e servidores da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Poder Judiciário e do Ministério Público?

sábado, 11 de junho de 2016

COOPERAÇÃO INTERNACIONAL COM URUGUAI

Jhonatan Almada, historiador


Visitamos o Uruguai em nome do governo do Maranhão. O objetivo foi estreitar laços acadêmicos e governamentais na terra que gestou uma estabilidade política invejável e tem muito a nos ensinar no âmbito das tecnologias de informação e comunicação.

Hoje 90% do território tem acesso a internet e todos os estudantes tem direito a um tablet ou notebook com softwares embarcados e excelentes plataformas de aprendizagem. Isso por intermédio de investimentos do Estado na implantação de rede de fibra óptica que já leva mais de dez anos. Em paralelo criaram o Plan Ceibal ao incrível custo de 100 dólares por aluno ano permitindo entregar a cada um computadores, prestar assistência técnica permanente e capacitar professores.

Atualmente todos os idosos foram contemplados no programa Plan Ceibal permitindo maior acesso a informação, assistência saúde remota e aproximação familiar e coletiva pelas redes sociais.

O Plan Ceibal é o mais exitoso programa de inclusão digital da América Latina e referência internacional. Ocupa um único prédio dentro do Parque Tecnológico que também é um modelo de sustentabilidade que abrange startups, empresas jovens e multinacionais do setor. Visitamos a Ingenio, uma incubadora de empresas, o Latu, laboratório de metrologia e certificação, a ANII, similar a nossa Fapema e ainda a Universidade Tecnológica do Uruguai-UTEC. Firmamos acordos de cooperação técnica e científica com a UTEC e o Latu.

Impressiona ainda o trabalho de governo eletrônico e dados abertos desenvolvido pela Agência de Governo Eletrônico e Sociedade da Informação-Agesic. Em 10 anos se tornaram o terceiro do mundo nessa área à frente de países mais ricos. A meta atual é até 2020 tornar todos os serviços públicos como emissão de documentos e licenças 100% on line. Lhes relatei os avanços do Maranhão em transparência pública, nos tornando primeiro lugar no ranking nacional.

Estivemos ainda no Ministério da Educação que lá cuida também da justiça, cultura e ciência. Acertamos os detalhes de participação no programa de Estágio Internacional e a integração no programa Cidadão do Mundo. Convidamos a ministra Maria Julia para a Semana de Ciência e Tecnologia em outubro.

Coroando nossa visita fomos recebidos pelo ex-presidente e atualmente Senador Pepe Mujica, El Pepe para os uruguaios e Mujica para nós. Fiz uma breve exposição do que estamos realizando no Governo, destacando o Programa Mais IDH, o Escola Digna e a implantação do IEMA. Reiterei o convite do governador Flávio Dino para que nos venha visitar, ao qual respondeu com alegria confirmando vinda no segundo semestre desse ano.

Mujica se mostrou preocupado com a situação política do Brasil e apontou a realização de novas eleições e eleições gerais como um possível caminho, sobretudo em vista de um Congresso majoritariamente corrupto. Defendeu a necessidade de realizarmos a integração da América Latina com ações concretas, pois falamos muito e não nos conhecemos.

Levei ainda o convite da Universidade Federal do Maranhão para que venha fazer uma conferência aos nossos estudantes e pesquisadores. Ele disse que os pesquisadores latinoamericanos só farão diferença no mundo se trabalharem em conjunto e organizarem temas comuns, redes que se completem e apoiem.

O Uruguai é um país pequeno mas inspirador, sobretudo em termos de liderança política, inclusão digital e inovação tecnológica. Em tempos de crise de confiança e de credibilidade de nossos políticos, Mujica segue como referente.

Translate

Minha lista de blogs