sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SEMANA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA: UM BALANÇO DE INSPIRAÇÃO



Jhonatan Almada, historiador, escreve às sextas-feiras no Jornal Pequeno


A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Maranhão encerrou semana passada em grande estilo. Sem dúvidas foi a maior e melhor a edição das anteriormente realizadas no estado. Não só pelo conjunto de atividades desenvolvidas, mas sobretudo pelas inovações e acréscimos que a fizeram avançar para um tal patamar que ninguém mais da comunidade científica e da sociedade em geral aceitará algo inferior.

Em primeiro lugar, destaco a conferência de abertura do neurocientista Miguel Nicolelis. Resgatando o espírito de Santos Dumont, Nicolelis expôs os principais resultados de suas pesquisas em neurociência e o projeto do Centro de Excelência nesse campo erguido em Macaíba, município da periferia de Natal-RN. A conferência nos fez ter orgulho de ser brasileiros e da ciência produzida pela nossa engenhosidade. Libertar o cérebro do corpo e permitir que pessoas paralíticas ou lesionadas recuperem os movimentos com apoio de exoesqueletos foi o principal elemento destacado. Eu vi os olhos de cadeirantes brilharem ao ouvirem a evolução desses estudos e imaginarem andar de novo.

Destaco ainda a entrega do Prêmio Mais IDH para a Ciência, Tecnologia e Inovação juntamente com a Medalha Eduardo Campos. Sem dúvida essa iniciativa proposta pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e acatada pelo Governador foi um grande diferencial no tratamento dado ao evento. O premiado dessa edição foi o professor Christoph Gehring da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) por um projeto de rizipiscicultura na baixada, plantar arroz e criar peixe como caminhos fecundos para a superação da pobreza. Receberam menções honrosas os professores José Oliveira, Osvaldo Saavedra, Maria Ozanira e João Dallyson, todos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) por seus projetos e contribuições no âmbito da popularização da ciência, energias renováveis, políticas de combate à pobreza e tecnologia aplicada a saúde. 

O premiado recebeu um cheque de R$ 8.000,00 e os pesquisadores com menção honrosa receberam R$ 4.000,00 cada um. Ressalto que a premiação foi totalmente bancada por parceiros privados ou do terceiro setor, cito a VAT/Escola  Multimeios, a Potencial Segurança e a Fundação Sousândrade.

Ao lado desse Prêmio realizamos o Concurso de Redação e Desenho “Escrever e Inovar com Luz, Ciência e Vida” voltado para estudantes do ensino médio. O primeiro lugar de redação foi de Maria Carolina dos Santos Silva (Escola Santa Terezinha, Imperatriz); o segundo lugar foi de Maria Clara Cunha Paixão Gomes (IFMA Monte Castelo, São Luís) e o terceiro lugar foi de Júlio Lopes Cruz (CE Mourão Rangel, Imperatriz). O primeiro lugar de desenho foi de Ives Castro Vieira (CE Mourão Rangel, Imperatriz); o segundo lugar de Emanuel Dantas de Melo Ferreira (Colégio Batista Eleutério Rocha, Pedreiras); e o terceiro lugar foi de Antonio Denilto Costa Rodrigues (CE Padre Chagas, Santa Inês). 

Por fim, destaco a parceria com a Vale. Cerca de 1.000 professores da rede pública municipal e estadual receberam um voucher no valor de R$ 100,00 para compra de livros durante a Semana. O programa CredCiência foi um enorme sucesso e consolida a participação da Vale na Semana de Ciência e Tecnologia.

Foi uma semana intensa, de 19 a 25 de outubro, com atividades em diversos municípios e na Praça Maria Aragão da capital. A estrutura climatizada com stands e auditórios recebeu instituições, conferências, workshops e livreiros. As tendas da praça abrigaram o Planetário, o Cinema, as mostras científicas, feiras de ciências, feira de economia solidária, exposições artísticas e programação cultural.

Aproximadamente 65 mil pessoas circularam pelo evento ao longo de toda a semana. Agradecemos aos servidores da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação que se esforçaram em organizar e realizar o evento, bem como, à FAPEMA que se responsabilizou pela mobilização de milhares de estudantes durante o evento. Agradecemos ainda às empresas que prestaram relevantes serviços para garantir o funcionamento de tudo, bem como, agradecemos às instituições que levaram suas pesquisas, produções e trabalhos para expor e compor a programação acadêmico-científica. 

A cúpula do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) esteve prestigiando o evento pela grande e positiva repercussão do mesmo, evidenciando que o Governo do Estado está em sintonia com o Governo Federal. Parabéns a todos, especialmente ao Secretário Bira do Pindaré e ao Governador Flávio Dino pela liderança.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A AGÔNICA CRISE BRASILEIRA



Jhonatan Almada, historiador, escreve às sextas-feiras no Jornal Pequeno

Chegamos a uma quadra muito complexa na história política brasileira. Aqueles que perderam as eleições de 2014 buscaram construir três caminhos de desestabilização e reversão do resultado. O primeiro é o do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), velho e histórico instrumento de fraude da soberania popular, sob o disfarce da tecnicalidade legal. O segundo é o do Tribunal de Contas da União (TCU), formado por ex-deputados e ex-senadores, não tão transparentes, mas sempre muito dispostos à pose de vestais. O terceiro é o do Congresso Nacional, cúpido por cargos, cioso de poder e invejável bastião do que há de mais atrasado na sociedade brasileira, contraditoriamente, também o que há de mais avançado. 

Essas três instituições funcionam em uníssono para derrubar o governo da Presidente Dilma, freando ou acelerando conforme a conjuntura política e econômica. Em tempos democráticos não é mais necessário pôr os tanques e militares na rua para se derrubar um Presidente, basta que uma parcela das instituições compre a causa e que esta causa encontre solo fértil para germinar em um ambiente de crise e impopularidade avassaladores.

A nossa cultura política sustenta impávidos acusados de corrupção, processados, condenados, réus confessos, criminosos contumazes nos principais cargos da República. Todos impassíveis ante acusações. Desfilam nas câmeras de televisão como príncipes ou reis tendo que aturar uma fachada democrática. Vez em quando são incomodados pelos plebeus, mas nada, nada mesmo, os demove de suas posições de poder. 

A descontinuidade administrativa é a prima irmã dessa crise. Quando o governo cede espaço na reforma ministerial não é uma troca de cadeiras e cabeças como quer nos fazer crer a pobríssima mídia refém do imediato. Muda também o direcionamento estratégico das pastas e áreas importantes para o desenvolvimento do país. O caso mais flagrante está no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o qual deveria ser instrumento central de superação da crise pela força criativa do conhecimento e da ciência. Os próximos meses poderão materializar retrocessos com impactos e desdobramentos de décadas, aí não recuaremos somente no tamanho do PIB, mas na possibilidade de termos soberania. 

A nossa cultura política comporta a transparência seletiva. Algumas coisas devem ser transparentes outras não. Até a data de hoje somente o Governo Federal divulga os salários de todos os servidores públicos do executivo. Desconheço qualquer outra esfera de governo que tenha copiado essa boa prática. Aqui no Maranhão, um grupo foi preso por fazer desvios na folha de pagamento do Tribunal de Justiça, inacessível para a maioria dos mortais. Na mesma linha, ainda não sabemos como é gasto o salário-educação, quem, com o que e de que forma, irrespondidos, acabam por criar uma caixa-preta. Entretanto, acredito que essas reminiscências um dia acabarão.

Também praticamos o corte seletivo preservando o desperdício pulverizado. A área de telefonia e tecnologia da informação é tratada de duas formas: uma centralização engessada e que não funciona ou uma fragmentação equivocada que funciona de forma parcial, mas é excessivamente cara. Somente o estado do Ceará conseguiu em um momento de fartura canalizar investimentos para criar sua rede de fibra óptica e hoje tem na internet de alta velocidade uma vantagem competitiva difícil de bater. 

Outro achado nacional é a nossa burocracia do planejamento. Sempre em época de elaboração do Plano Plurianual empurram suas concepções goela abaixo daqueles que representam a vontade popular. O grande equívoco dessa burocracia é acreditar que pode pensar pelo povo e como povo. O mais grave ainda é que esse pensar cerebrino e descarnado de real, no apagar dos prazos, sobrepuja as diretrizes estratégicas daqueles que foram legitimados pelo povo nas urnas e no seu programa de governo. Lamentável.

Por fim e não menos grave, passou despercebida a criação da Comissão Especial de Reforma do Estado por decreto da Presidente da República. Isso depois do malogro da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade de 2011. Desde o Plano Diretor da Reforma do Aparelho de Estado do ministro Bresser-Pereira ninguém se pronunciou com visão de longo prazo sobre essa questão. Tenho dúvidas se criar comissão realmente resolve algum problema no Brasil.

É difícil identificar o caminho para onde estamos sendo arrastados pela inconsequência, impaciência e incapacidade. Estamos reféns de uma conjuntura que se prolonga agônica. Cito Nauro Machado, primeiro poeta a receber o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA):

“Ó desejo para fora
a romper-nos desde o dentro!
Ah, sairmos do nosso centro
para sempre e desde agora!”

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