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WASHINGTON LUÍS, nem tolo, nem anjo


WASHINGTON LUÍS, nem tolo, nem anjo



Jhonatan Almada, historiador
 
A nomeação de Washington Luís para o Tribunal de Contas do Estado do Maranhão não foi um golpe do Sarney ou de Roseana no PT. A dualidade de contrários não existe. A nomeação atende aos interesses dos atuais dirigentes do PT no Maranhão e está em consonância com as orientações da cúpula nacional. O acordo entre Sarney e o PT é nacional, o preço é o Maranhão, a concessão é um naco de poder nesse espaço institucional e territorial do Brasil que é capitaneado de forma familiar.

Existem três instituições estratégicas que necessitam ter sua composição alterada, se pensarmos outro projeto de desenvolvimento para o Maranhão: o Tribunal de Justiça, o Tribunal de Contas e o Ministério Público. As cúpulas desses órgãos, sobretudo do Tribunal de Justiça e do Tribunal de Contas, ao longo das décadas, foi constituída majoritariamente pela clientela da família Sarney e são instrumentos de sua dominação local.

O PT não é mais uma referência de política, ainda que continue uma referência de exercício e manutenção do poder. A primeira guardou um sentido positivo. A segunda é em si negativa, pois recusa a alternância democrática, muito desconhecida por nós maranhenses. 

Em face disso, não existe um enganado (PT) e um enganador (Sarney ou Roseana, os dois). Há uma negociação, um objeto negociado (cargo), atores mais beneficiados e menos beneficiados. O que não há é tolo ou anjo. Washington Luís trocou a possibilidade do exercício temporário do cargo de Governador pelo exercício vitalício do cargo de Conselheiro. Para si, certamente, a troca foi vantajosa.

O sonho ibérico do cargo público com status social elevado faz parte de nossa formação social e pesou mais que a oportunidade de desempenhar um papel de ruptura com a prática política dominante ou de enfrentamento político da oligarquia.

Recuando mais no tempo, o mais elevado objetivo da vida entre os antigos gregos era a “Timé”, isto é, a estima social que o indivíduo obtém enquanto fruto de seus feitos e atitudes no passado e no presente. A Timé durante a vida tem como contrapartida o “Kléos” no futuro, ou seja, a fama como o mais elevado dos valores, a qual se obtém até com o sacrifício da própria vida.

Essas duas grandes expressões do valor humano (Timé e Kléos) não podem ser identificadas em Washington Luís e na maioria dos homens/mulheres públicos que apoiam, fazem parte ou se calam diante do grupo dominante local. Elas certamente poderão ser atribuídas ao jurista Fábio Konder Comparato que recusou a indicação ao Supremo Tribunal Federal feita pelo Presidente Lula, mas nunca a Washington Luís.

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